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Este site mapeia de onde vem e para onde vai o gado brasileiro

Plataforma Trase indica também qual é a parcela da produção que potencialmente está associada ao desmatamento

Foto: Reprodução
Mapa do Brasil indicando os locais em que a carne é produzida
Mapa do Brasil indicando os locais em que a carne é produzida
 

O Brasil é o principal exportador mundial de gado. Cerca de 1,4 milhão de toneladas da carne dos animais são exportadas em cada ano, movimentando quase US$ 6 bilhões. Os principais importadores são China, que responde por 38% das compras, e Rússia, que responde por 10%. A criação de gado é também uma das principais atividades ligadas ao desmatamento na Amazônia e no Cerrado.

Desde o dia 17 de setembro de 2019, é possível consultar informações sobre qual município produz carne de gado no Brasil, qual empresa a exporta, qual empresa a importa, e para qual país. Os dados de cada ano, de 2003 a 2017, foram adicionados à plataforma Trase (Transparency for Sustainable Economies).

Ela traz também informações sobre o risco de determinada produção estar associada a desmatamento, e qual área pode ter sido afetada.

A plataforma indica, por exemplo, como o município de São Félix do Xingu, no Pará, que tem 1,53 milhão de hectares de áreas de pasto, exportou 20,4 mil toneladas de carne em 2017. Desse total, 729,48 toneladas foram exportadas pela JBS. O principal comprador foi Hong Kong, que é uma região administrativa especial da China. A segunda maior compradora foi a China continental.

A plataforma indica que há risco de que o gado advindo desse município nos últimos cinco anos esteja associado ao desmatamento de 2.351 hectares. A imagem abaixo mostra o fluxograma da exportação de carne que sai de São Félix do Xingu:

Foto: Reprodução
Fluxograma indicando a produção de carne em São Félix do Xingu
Fluxograma indicando a produção de carne em São Félix do Xingu

A Trase traz também dados sobre o Paraguai. Ela foi lançada inicialmente em agosto de 2018, quando informava apenas dados sobre a produção de soja.

Trata-se de uma colaboração entre as ONGs ambientalistas SEI (Stockholm Environment Institute) e Global Canopy. Na parte de agricultura, o site compara os dados de produção municipal registrados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) com dados comerciais e de desmatamento.

210 mil hectares

de desmatamento estão relacionados a exportações de carne brasileira entre 2015 e 2017, segundo dados presentes na plataforma Trase

Como a possível ligação com desmatamento é estimada

O risco de que certa produção de carne esteja associada ao desmatamento é calculado a partir de declarações dos exportadores junto às alfândegas. A plataforma Trase relaciona esses dados com informações sobre os abatedouros, o patrimônio das empresas, suas relações com subsidiárias e as autorizações para exportação dos abatedouros.

A plataforma também mapeou os municípios em que o gado é produzido a partir de informações sobre as empresas que venderam para os abatedouros. Os dados sobre o gado enviado em cada carregamento para o exterior são correlacionados a informações sobre o desmatamento nos municípios dos quais o gado veio.

Os dados sobre o risco de o gado estar associado a desmatamento são calculados a partir do cruzamento dos dados sobre de onde o gado vem, mapas sobre pastagens e alertas sobre desmatamento na região.

85%

da produção de gado com risco de estar associada a desmatamento ocorreu no próprio mercado interno brasileiro, que consome 81% da produção total

Segundo as informações coletadas pela plataforma, Hong Kong respondeu por 27% de todas as exportações de gado com risco de estar associada a desmatamento.

A plataforma também traz informações sobre quais empresas compram carne cuja produção pode estar associada a desmatamento.

Em 2017, a JBS, por exemplo, respondeu por 29% de todas as exportações de gado e por 26% das exportações ligadas a áreas em que a produção pode estar associada ao desmatamento.

Uma nota explicativa da Trase afirma que isso se deve ao fato de grande parte das exportações da JBS serem realizadas com gado criado na região da Amazônia a partir de abatedouros em Mato Grosso, Rondônia, Pará e Acre.

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