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O caso dos ovnis detectados por oficiais da Marinha americana

Força armada reconheceu a veracidade de vídeos que mostram objetos voadores não identificados. Senadores dos EUA pedem que o governo americano estude o fenômeno

     

    Na quarta-feira (18), a Marinha dos Estados Unidos confirmou a veracidade de vídeos feitos por oficiais em 2004, na costa de San Diego, cidade do estado da Califórnia. As imagens, que vieram a público em 2017, mostram um objeto voador não identificado, ou seja, um ovni.

     

    Embora a cultura pop tenha associado ovnis a possíveis seres alienígenas, o fenômeno caracteriza-se, basicamente, pelo avistamento ou registro de imagem de objetos voadores que não podem ser identificados imediatamente. Pode ser um avião, um helicóptero, um balão, uma ave etc.

    Joe Gradisher, porta-voz da Marinha americana, disse ao canal CNN que os vídeos são reais, mas que representam apenas uma pequena fração dos avistamentos feitos pelos oficiais.

    As teorias da conspiração são tantas em torno dos ovnis que a instituição militar passou a usar os termos fani, fenômeno aéreo não identificado, para os objetos, e “incursões” para os avistamentos.

    “Por muito tempo, nossos aviadores não reportavam essas incursões pelo estigma presente na terminologia anterior e pelas teorias sobre o que estaria ou não estaria nos vídeos dos avistamentos”, afirmou.

    Os ovnis e o governo americano

    Em 2017, o jornal The New York Times publicou uma reportagem expondo a existência do Programa de Identificação de Ameaças Aeroespaciais Avançadas, uma iniciativa financiada pelo Departamento de Defesa dos EUA, com um orçamento anual de US$ 22 milhões.

    Consultado pelo New York Times, o Departamento de Defesa confirmou que o programa existiu, mas afirmou que ele foi encerrado em 2012. Porém, fontes anônimas que conversaram com o jornal disseram que o programa continua existindo, mas de forma extraoficial.

    Ainda segundo o jornal americano, o programa foi fundado em 2007 pelo senador Harry Reid, ex-líder da bancada democrata no Congresso, com os trabalhos sendo realizados em sua maioria pela Bigelow Aerospace, fundada pelo bilionário Robert Bigelow, um grande entusiasta do estudo de ovnis.

    Concedendo entrevista ao New York Times, Reid disse que a criação do programa é um grande orgulho para ele. “Não sinto vergonha nem remorso por ter criado o programa. Foi uma das coisas boas que fiz na minha carreira pública, fiz algo que ninguém tinha feito”, disse.

    Em janeiro de 2019, numa entrevista à rádio KNPR do estado de Nevada, Reid afirmou que o governo americano deveria estudar mais a fundo o fenômeno ovni. “É algo que não podemos ignorar. Eu pessoalmente não sei se alienígenas existem, eu duvido disso. Mas acredito que as informações que temos indicam que deveríamos estudar isso muito mais”, afirmou.

    A Marinha americana atualizou seus protocolos de relatórios de avistamentos em abril de 2019, afirmando que se preocupa com as possíveis ameaças que os ovnis podem representar. As diretrizes não foram esclarecidas publicamente.

    Dois meses depois, alguns senadores receberam do Departamento de Defesa um relatório detalhado sobre o tema. Um deles foi o democrata Mark Warner, que se manifestou ao site Politico por meio de um assessor defendendo o estudo detalhado dos relatos de avistamentos de ovnis.

    No mesmo mês de junho, o presidente americano, Donald Trump, concedeu uma entrevista ao canal de TV ABC na qual afirmou que não acredita em avistamentos de ovnis. “Eu quero que eles pensem o que quiserem pensar. Eu vi, li, ouvi e tive uma breve reunião sobre isso. As pessoas dizem que eles estão vendo ovnis. Eu acredito? Não muito”, disse.

    Trump prosseguiu a conversa dizendo que os pilotos das Forças Armadas americanas saberiam se encontrassem uma evidência de vida extraterrestre durante o trabalho em campo.

    Nos EUA, os avistamentos de ovnis são comuns fora da esfera militar, com centenas de pessoas comuns reportando episódios anualmente. Porém, a maioria desses casos é fraudulenta, com imagens criadas por programas de computador, aplicativos de celulares feitos especialmente para isso ou até mesmo usando balões e luzes projetadas no céu.

    Um caso emblemático aconteceu em 2009, em Morristown, no estado americano de Nova Jersey. Chris Russo e Joe Rudy lançaram balões de hélio munidos de luzes vermelhas nos céus da cidade.

    Ambos são membros da Sociedade Cética dos Estados Unidos e lançaram os balões na tentativa de analisar como a mídia e a população reagiriam ao caso. No site da organização, os Russo e Rudy detalharam por completo todo o processo.

    Os ovnis no Brasil

    No Brasil, também ocorreram avistamentos de ovnis pelas Forças Amadas, com o primeiro deles acontecendo em 1952, na cidade do Rio de Janeiro. Naquele ano, foi relatada a existência de um objeto voador que se assemelhava ao avião DC-5, mas que, segundo o relato, voava lateralmente.

    Um dos casos mais emblemáticos aconteceu em 19 de maio de 1986, data que acabou batizada de “noite oficial dos ovnis”. Na ocasião, 21 pontos luminosos foram avistados no céu de São José dos Campos, cidade do interior paulista. Cinco caças da Força Aérea Brasileira alçaram voo para investigar o fenômeno.

    Um deles tinha a presença de Ozires Silva, fundador da fabricante de aviões Embraer e, à época, presidente da Petrobras. Ao todo, os voos duraram quatro horas. Não foram encontradas explicações para os pontos luminosos.

    O único registro fotográfico da “noite oficial dos ovnis” foi feito pelo fotojornalista local Adenir Brito. Em entrevista ao G1, Brito afirmou que os negativos das fotos foram requisitados pela Nasa, a agência espacial americana, e que nunca foram devolvidos.

    Áudios da torre de comando de São José dos Campos e das aeronaves que partiram para investigar os pontos luminosos estão disponíveis publicamente no Arquivo Nacional, órgão ligado ao Ministério da Justiça, junto de documentos de outros 742 registros sobre o fenômeno ovni no Brasil.

    Um desses registros também se tornou emblemático. A Operação Prato aconteceu em 1977, quando foram avistados objetos voadores luminosos na região do município de Colares, no Pará. Naquele ano, a Força Aérea Brasileira realizou missões para investigar os relatos e acalmar a população local.

    À época, os documentos oficiais levantaram a possibilidade de que as luzes avistadas no Pará fossem algum tipo de armamento avançado e secreto construído pela União Soviética, dado o contexto da Guerra Fria. Uma conclusão para o caso nunca foi encontrada.

    Há também casos que foram explicados após uma análise minuciosa dos fatos. Em 2001, a cantora Suzana Alves, conhecida como Tiazinha, participou de programas como o “Domingo legal”, do SBT, mostrando imagens que teria feito de um suposto disco voador sobrevoando o céu de São Paulo. As investigações concluíram que se tratava de um dirigível da fábrica de pneus Goodyear.

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