A plataforma que permite organizar exibições gratuitas de filmes

Videocamp possibilita a difusão de obras audiovisuais que suscitem discussões consideradas socialmente relevantes

 

Quase 30 sessões gratuitas de filmes variados, como os documentários nacionais “Menino 23” e “Camocim”, ocorrerão no dia 19 de setembro de 2019. Outras dezenas acontecerão nos dias subsequentes, realizadas tanto em metrópoles como Recife (PE) e São Paulo (SP) quanto em cidades com alguns milhares de habitantes, como Lagoa Alegre (PI) e Luzerna (SC), e mesmo em outros países, entre eles os vizinhos Equador e Argentina.

Essas exibições têm em comum o fato de terem sido organizadas por meio da Videocamp, plataforma brasileira na qual realizadores disponibilizam seus filmes para que qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo possa promover uma sessão gratuita para pelo menos cinco pessoas.

Criada pelo Instituto Alana, organização voltada para o desenvolvimento e os direitos das crianças, a plataforma conta atualmente com cerca de 400 filmes e já alcançou um público estimado de um milhão de pessoas.

Os filmes disponíveis para exibição têm um recorte específico. Podem ser documentários, filmes de ficção ou animação, desde que tenham potencial transformador e de impacto.

Na definição da plataforma, o foco são filmes que “apontam causas urgentes, que retratam situações que precisam ser destacadas, que ampliam o nosso olhar para temas sensíveis e que, sobretudo, promovem um mundo mais justo, solidário, sustentável e plural”.

38.238

foi o número de exibições agendadas entre 2015, quando a plataforma foi colocada no ar, e setembro de 2019

117

é o número de países que já tiveram exibições organizadas por meio da Videocamp

67.598

é o número de usuários cadastrados, entre exibidores e realizadores

Como funciona a plataforma

Os conteúdos exibidos são disponibilizados na plataforma pelo detentor dos direitos autorais da obra, seja uma produtora, distribuidora ou realizador. Ao Nexo Josi Campos, coordenadora da Videocamp, explica que é feita uma curadoria dos filmes submetidos pelos realizadores, que avalia a qualidade técnica das produções e se são condizentes com a proposta de impacto e transformação da iniciativa.

Quando o filme é aceito, fica disponível para que qualquer pessoa que se cadastre na plataforma solicite uma exibição. Pelo site, o exibidor informa local e data e pode fazer o download do filme ou exibi-lo via streaming. Não é permitido cobrar ingresso. Ao final, ele entrega à Videocamp um relatório e fotos que documentam a exibição, registrando ter acontecido de fato e o volume de pessoas presentes.

 

Embora não seja obrigatório, normalmente são feitos debates após a sessão.

A plataforma também abriu, em 2017 e 2018, dois editais de fomento para a realização de filmes. Na primeira edição, foi selecionado o projeto do documentário “Eleições”, de Alice Riff, lançado em 2019 e atualmente disponível na plataforma, e, na segunda, “Forget me not”, de Olivier Bernier, com lançamento previsto para 2020.

A maior parte das produções disponíveis na Videocamp é contemporânea e nacional, mas há também filmes feitos no século 20 e produções estrangeiras. O Nexo cita abaixo algumas das obras que estão hoje na plataforma.

4 filmes disponíveis no Videocamp

‘Mãe só há uma’, Anna Muylaert

Filme de ficção que trata da descoberta, por um garoto adolescente, de que foi roubado da maternidade e que não foi criado por sua mãe biológica.

‘Meu corpo é político’, Alice Riff

Documentário que aborda o cotidiano de quatro militantes LGBTI que vivem na periferia de São Paulo.

‘Longe da árvore’, Rachel Dretzin 

Baseado no livro “Longe da Árvore: pais, filhos e a busca da identidade”, de Andrew Solomon, o documentário fala sobre família, acolhimento e a relação dos pais com filhos que, de diferentes maneiras, não correpondem a suas expectativas.

‘Ferrugem’, Aly Muritiba

Com enredo ficcional, o filme lida com as consequências do compartilhamento não consentido de imagens íntimas para a vida de adolescentes.

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