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Por que o termo Era Dourada foi banido de um museu holandês

Na Holanda, expressão é usada para se referir ao século 17, auge do poderio colonial do país, presente inclusive no Nordeste brasileiro

 

Na Holanda, o termo Era Dourada ("Gouden Eeuw" em holandês) é normalmente utilizado para se referir ao século 17, quando o país era uma superpotência colonial. O comércio, a arte, a ciência e o poderio econômico floresceram para as províncias que hoje constituem a Holanda, mesmo antes do fim da sujeição ao reino espanhol, que ocorreu em 1648.

O poder holandês se estendeu inclusive sobre o Brasil, grande produtor de açúcar. Entre 1624 e 1625, holandeses invadiram Salvador, na Bahia. Entre 1630 e 1654, dominaram Olinda e Recife, em Pernambuco.

A produção cultural holandesa também floresceu nessa época, em que viveram artistas como Frans Hals, Rembrandt e Vermeer.

No dia 12 de setembro de 2019, no entanto, um dos principais museus holandeses, o Museu de Amsterdã, anunciou que deixará de chamar essa época de Era Dourada em suas exposições. Isso porque o nome não dá conta das mazelas geradas pelo poderio holandês, que incluem guerras, tráfico humano, trabalho escravo e pobreza.

Em uma declaração pública reproduzida pelo site especializado Artnet, o curador para o século 17 do Museu de Amsterdã, Tom van der Molen, escreveu que “A Era Dourada ocidental ocupa um espaço importante na historiografia que é fortemente associado ao orgulho nacional, mas associações positivas com o termo, como prosperidade, paz, opulência e inocência não cobrem a carga da realidade histórica nesse período”.

O plano da instituição é remover, nos próximos meses, todas as referências ao termo de suas galerias.

Há em Amsterdã um braço do museu Hermitage, que fica em São Petersburgo e é um dos mais importantes da Rússia. O Museu de Amsterdã mantém no Hermitage uma exposição permanente chamada “Holandeses da Era Dourada”, cujo nome será substituído por “Retratos em Grupo do Século 17”.

Segundo o curador van der Molen, “Toda geração e toda pessoa deve poder formar sua própria estória sobre a história (...) O diálogo sobre isso precisa de espaço, e o nome ‘Era Dourada’ limita esse espaço”.

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