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A versão de banco imobiliário em que mulheres ganham mais

Jogadoras começam partidas com mais dinheiro e investimento em imóveis foi substituído por produtos criados por inventoras

 

Fabricante do tradicional jogo de tabuleiro Monopoly, a Hasbro anunciou em setembro de 2019 o lançamento de uma nova versão, chamada Ms. Monopoly, que celebra o empoderamento econômico das mulheres.

O jogo original chegou ao mercado americano em 1935 e, no Brasil, foi lançado em 1944 pela Estrela, com o nome Banco Imobiliário.

No Ms. Monopoly, o objetivo se mantém: chegar ao final tendo acumulado o maior patrimônio entre os jogadores. A primeira diferença é que mulheres iniciam o jogo com mais dinheiro do que os homens (240 versus 200).

Segundo a Hasbro, este é o primeiro jogo em que elas ganham mais, e “cria um mundo no qual as mulheres têm uma vantagem da qual são os homens quem frequentemente se beneficiam”.

A segunda novidade é que, em vez de adquirir imóveis, os jogadores investem em criações de mulheres, como o Wi-Fi e o aquecimento solar. Também é a primeira vez que o mascote do jogo (chamado “Rich Uncle Pennybags”) foi substituído por uma mulher na caixa.

A nova versão mantém diversas características originais, como cartas de sorte e azar ou que levam os jogadores para a prisão.

Como parte do lançamento do Ms. Monopoly, a empresa doou US$ 20.580, quantia equivalente ao total do dinheiro “de mentira” que circula no jogo, a três jovens inventoras: as americanas Sophia Wang e Gitanjali Rao, de 16 e 13 anos, e Ava Canney, uma irlandesa de 16 anos. 

As críticas ao jogo

O Monopoly foi patenteado pelo vendedor Charles Darrow, mas a premissa básica do jogo já estava presente no The Landlord’s Game (O Jogo do Senhorio, em tradução livre), criado em 1903 pela estenógrafa e escritora feminista Elisabeth Magie (1866-1948).

A Hasbro, que afirmar desejar fomentar as criações de mulheres com o Ms. Monopoly, não mencionou Magie na divulgação do novo produto. O papel dela na origem do jogo possui ampla documentação histórica, mas não é reconhecido pela empresa, segundo afirma a jornalista Mary Pilon, autora de um livro sobre o jogo, na revista New Yorker.

Também há quem aponte que o jogo encobre as razões por trás do fato de que as mulheres ganham menos, ao reduzir a desigualdade à questão monetária. E os que enxergam a iniciativa como paternalista, e não empoderadora.

Segundo críticos, sem aprofundar a discussão, o jogo pode passar a mensagem de que as mulheres precisam de vantagens para se sair bem por serem “naturalmente” menos competentes, quando, na verdade, elas são prejudicadas pelo sexismo.

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