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Por que o Titanic deve desaparecer nas próximas décadas

Restos do transatlântico que afundou em 1912 no Atlântico Norte estão cada vez mais deteriorados

O Titanic afundou em abril de 1912. O naufrágio do transatlântico britânico matou cerca de 1.500 dos 2.224 passageiros e se tornou parte do imaginário coletivo do século 20. Os restos do navio estão localizados no Oceano Atlântico Norte, no meio do percurso entre Southampton, na Inglaterra, para Nova York.

Em agosto de 2019, uma expedição tripulada se dirigiu aos restos Titanic, localizados a 3.800 metros de profundidade, e constatou que o transatlântico deve desaparecer nas próximas décadas, dado o grau de deterioramento dos destroços.

A expedição foi liderada por Victor Vescovo, um ex-oficial da marinha americana que fundou a empresa de exploração submarina Caladan Oceanic, ao lado de Parks Stephenson, historiador especializado no naufrágio do Titanic.

À rede BBC, Stephenson contou que a deterioração do navio está mais acelerada no setor onde ficavam os aposentos dos oficiais. “A banheira do capitão, uma imagem querida pelos entusiastas do Titanic, já não existe mais. Todos os aposentos oficiais estão entrando em colapso, e essa deterioração só vai avançar. O Titanic está  se tornando parte da natureza”, afirmou.

Esse processo está acontecendo por conta da corrosividade do sal marinho, aliado  às correntes marinhas e à bactérias que consomem o metal da estrutura. Ao canal de TV americano ABC, Lori Johnson, bióloga que participou da expedição, afirmou que a corrosão dos destroços vai acelerar nos próximos anos.

A principal bactéria que está devorando o Titanic é a Halomonas titanicae, descoberta em 2010 em uma expedição não tripulada aos destroços. Ela é capaz de sobreviver às condições quase inabitáveis da área do destroço, localizada a cerca de 3,8 km para baixo da superfície do mar.

As projeções apontam que os restos do Titanic terão desaparecido por completo até o fim da década de 2030.

Como os restos do Titanic foram descobertos

O naufrágio do Titanic ocorreu na madrugada de 15 de abril de 1912. Porém, seus destroços só foram encontrados 73 anos depois, em setembro de 1985, por meio de um submarino não tripulado.

A descoberta foi feita pelo oceanógrafo americano Robert Ballard. O pesquisador, que tinha interesse na história do transatlântico, requisitou financiamento da Marinha Americana em 1982 para o desenvolvimento da tecnologia necessária para se realizar a expedição.

A Marinha aceitou o pedido de Ballard, mas com outro fim: para que o oceanógrafo encontrasse, secretamente, os restos dos submarinos nucleares USS Thresher e USS Scorpion, desaparecidos desde a década de 60, no auge da Guerra Fria. Após o fim bem sucedido dessa missão, o oceanógrafo pôde usar a tecnologia desenvolvida para procurar pelo transatlântico.

Em entrevista à National Geographic no ano de 2008, Ballard revelou que a Marinha não gostou de toda a publicidade em torno da descoberta do Titanic, temendo que a missão secreta da busca dos submarinos fosse levada ao público. “Mas todos estavam tão focadas na lenda do Titanic que nunca conectaram os pontos”, disse.

A madrugada 15 de abril de 1912

O Titanic afundou durante sua viagem inaugural, com o naufrágio ocorrendo dois dias depois da partida em Southampton. À época, o navio era apresentado como “inafundável” pela operadora, a empresa britânica White Star Line.

 

O naufrágio aconteceu após a colisão do navio com um iceberg, o que provocou rasgos na estrutura do transatlântico, permitindo que a água entrasse. Em 2015, uma foto do iceberg foi colocada a leilão, com lances entre US$ 15 e 20 mil. A imagem foi feita por um membro da tripulação do navio alemão Prinz Adalbert, que passou pelo local no dia seguinte ao naufrágio.

Apesar de ter recebido avisos sobre a presença abundante de icebergs na região, a tripulação do Titanic não avistou o gelo. Naquela noite, o mar estava calmo e não era possível ver a água batendo na base dos icebergs da região.

O Titanic afundou cerca de três horas depois da colisão. Apenas 705 passageiros conseguiram sobreviver ao naufrágio. Ao todo, o transatlântico tinha 20 botes salva-vidas, que poderiam transportar 1.178 dos 2.224 passageiros, com cada um levando cerca de 65 pessoas. Porém, muitos deles operaram abaixo da capacidade máxima, dando preferência para o transporte dos passageiros da primeira classe.

Os sobreviventes foram resgatados na madrugada de 15 de abril de 1912 pelo navio Carpathia.

O Titanic no imaginário popular

O naufrágio do Titanic passou a povoar o imaginário popular do século 20. Por conta disso, muitas teorias da conspiração foram criadas ao redor do desastre.

Uma delas diz que o naufrágio ocorreu em razão de uma maldição envolvendo o transporte de uma múmia egípcia no compartimento de carga. Anos depois, foi provado que nenhum sarcófago foi despachado por qualquer passageiro do transatlântico.

Outra se baseia em um livro escrito em 1898 pelo autor americano Morgan Robertson. O romance é intitulado “Futilidade, ou o naufrágio de Titan”, e conta a história do transatlântico Titan, que naufraga no oceano Atlântico após colidir com um iceberg. Teóricos da conspiração passaram a ver o livro como uma espécie de profecia para o que aconteceria em 1912.

O Titanic no cinema

Ao longo dos anos, o Titanic apareceu de diversas maneiras na cultura popular e, principalmente, no cinema.

O filme “Saved from the Titanic” (Salva do Titanic, em tradução livre) foi escrito e estrelado por Dorothy Gibson, uma das sobreviventes do desastre, sendo lançado 29 dias depois do naufrágio.

Em 1943, Adolf Hitler e o Partido Nazista encomendaram um filme sobre a tragédia. A produção foi supervisionada por Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda do Terceiro Reich, e contava a história de Petersen, um alemão a bordo do navio que tenta evitar a tragédia, enquanto os britânicos da White Star Line são retratados como os grandes vilões da história.

A produção mais famosa envolvendo a tragédia do Titanic foi lançada em 1997, quando o cineasta americano James Cameron produziu o filme “Titanic”, estrelado por Leonardo DiCaprio e Kate Winslet. A trama foi inspirada por “Romeu e Julieta”  e cativou a crítica e o público.

“Titanic” é a terceira maior bilheteria de todos os tempos, com US$ 2,18 bilhões arrecadados ao redor do mundo, ficando atrás apenas de “Vingadores: Ultimato” e “Avatar”.

A construção do Titanic 2

Em 2012, na ocasião do centésimo aniversário do naufrágio, o bilionário australiano Clive Palmer anunciou que construiria o Titanic 2, uma réplica do transatlântico feita com tecnologias contemporâneas.

A ideia de Palmer é que a viagem inaugural ocorra em 2022, com o navio saindo de Dubai em direção a Southampton e, posteriormente, seguindo a mesma rota do Titanic original.

O projeto de Palmer comporta 2.345 passageiros, espalhados em 835 cabines, divididas em primeira, segunda e terceira classe, assim como no primeiro Titanic.

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