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A reconstrução do Museu Nacional, um ano após o incêndio

Administrada pela UFRJ, instituição teve 90% do acervo destruído em 2018. Expectativa é que pelo menos uma parte do prédio seja reinaugurada em 2022

Em 2 de setembro de 2018, um incêndio destruiu boa parte da estrutura e 90% do acervo do Museu Nacional, localizado na cidade do Rio de Janeiro. O prédio, que tem o nome de Palácio de São Cristóvão, existe desde os meados do século 19 e serviu como residência oficial da Família Real Portuguesa.

Dentre os itens que foram destruídos pelo fogo estavam a coleção de múmias de Dom Pedro 1º, os fósseis do dinossauro Maxakalisaurus e um afresco de Pompeia, cidade italiana destruída no ano 79 após a erupção do vulcão Vesúvio.

Um ano depois do incêndio, o Museu Nacional organizou uma exposição de cerca de 60 itens que não foram destruídos, como uma malha francesa do século 17 e o Tembetá, uma joia usada pelas tribos tupi no século 16. Eles ficarão abertos à visitação até dezembro de 2019 no centro Caixa Cultural do Rio de Janeiro.

A reconstrução do palácio

O Palácio de São Cristóvão está em fase de reconstrução. A previsão é de que ao menos uma ala do Museu Nacional seja inaugurada em 2022, na ocasião do bicentenário da Independência do Brasil.

Em 31 de agosto de 2019, às vésperas do aniversário de um ano do incêndio, a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), que administra o museu, assinou junto à Unesco (Organização das Nações Unidas pela Educação, Ciência e Cultura), ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e à Fundação Vale um protocolo para o estabelecimento de um novo modelo de governança para o Museu Nacional.

Alexander Kellner, diretor do museu, disse à Agência Brasil que acredita que o novo modelo vai atrair investimentos privados para a instituição. “Certamente quando você traz transparência, consegue melhorar este processo. Nós teremos também mais agilidade. A sociedade quer seu Museu Nacional de volta, as crianças querem o museu de volta. Cabe a nós fazer isso acontecer”, afirmou.

A expectativa é que as obras de reestruturação da fachada e do telhado aconteçam entre o final de 2019 e o começo de 2020. No primeiro semestre de 2020, está prevista a conclusão do resgate das peças do acervo e o início do processo de inventário.

Na terça-feira (2), a UFRJ anunciou que o Museu Nacional recebeu uma doação do acervo de Wilson Saviano, professor da Fundação Oswaldo Cruz. Ele doou 300 peças, 15 quadros e 40 livros de sua coleção particular de arte africana contemporânea.

As verbas para a reconstrução

Em 3 de setembro de 2018, o então presidente Michel Temer anunciou a formação de uma rede de apoio para a reconstrução do Museu Nacional. Faziam parte do acordo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Bradesco, Itaú, Santander, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, Vale e Petrobras.

A Agência Lupa entrou em contato com as instituições para uma checagem publicada na segunda-feira (2). A Febraban afirmou, através de nota, que “não foi possível realizar as doações destinadas à reconstrução do Museu Nacional e de seu acervo, uma vez que não puderam ser atendidas as condições acordadas com o governo”. A Vale disse estar empenhada no auxílio à reconstrução. Outras instituições foram procuradas pela Lupa mas não se manifestaram sobre o tema.

Em entrevista à Gaúcha ZH publicada no domingo (1), Kellner disse que a UFRJ ainda está orçando o custo total das obras de reconstrução e restauração do Museu Nacional. Ao todo, segundo o diretor, estão disponíveis para o processo R$ 69 milhões em verbas públicas para o projeto.

O valor é composto por R$ 21 milhões do BNDES (R$ 3,3 milhões dos quais já foram liberados), R$ 43 milhões vindos de emenda da bancada do Rio de Janeiro na Câmara dos Deputados e R$ 5 milhões vindos do Ministério da Educação.

Por meio da assinatura do protocolo, em 31 de agosto, a Fundação Vale anunciou que também vai contribuir com R$ 50 milhões, que serão aplicados no desenvolvimento do novo modelo de governança do Museu Nacional.

As perdas dos pesquisadores

No começo de dezembro de 2018, 14 pesquisadores que perderam seus trabalhos no incêndio foram convidados pelo Instituto Smithsonian, o maior centro de pesquisas do mundo, a irem para os Estados Unidos para concluir seus estudos. As passagens foram custeadas pelo Smithsonian, que também ofereceu bolsas para a estadia dos cientistas.

Em março de 2019, o governo do Rio de Janeiro entregou bolsas a 72 pesquisadores do Museu Nacional, em um valor de R$ 3 mil mensais a cada um dos contemplados. “As bolsas aprovadas constituem um auxílio relevante para minimizar diversos problemas do Museu Nacional que estamos enfrentando”, disse ao G1 Marcela Laura Freire, pesquisadora do Departamento de Zoologia do Museu Nacional.

Em entrevista à revista Época, Luciana Carvalho, pesquisadora do Departamento de Geologia e Paleontologia do Museu Nacional, contou que perdeu boa parte de seu trabalho no incêndio, relatando que ela e outros pesquisadores estão atualmente fazendo um trabalho de resgate do acervo.

“Tivemos que lidar com os traumas na marra, porque a gente precisa entrar todo dia lá para fazer o trabalho de resgate. Não tivemos tempo para fazer um tratamento psicológico, mas tivemos que encarar assim mesmo”, disse.

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