3 boatos verificados nesta semana para você ficar de olho

O ‘Nexo’ integra o Comprova, coalizão de 24 veículos jornalísticos que em 2019 busca combater a desinformação sobre políticas públicas

As redes sociais são um importante meio de comunicação tanto para os cidadãos quanto para os governos, ao divulgar e esclarecer políticas públicas. Mas nelas também se proliferam posts, imagens e vídeos fabricados, manipulados ou retirados de contexto para favorecer ou prejudicar visões políticas. É um ambiente em que conteúdos podem ser disseminados rapidamente, sem preocupações com fonte e veracidade.

Para combater a desinformação na política surgiu o Comprova, do qual o Nexo faz parte. A iniciativa, que está na segunda etapa, é resultado de uma coalizão entre 24 diferentes veículos de comunicação brasileiros para identificar e apurar informações enganosas ou deliberadamente falsas disseminadas sobre políticas públicas em âmbito federal.

Abaixo, selecionamos três verificações feitas pelo Comprova na semana que passou. Confira:

É enganosa publicação que associa, sem evidências, ONGs da Amazônia à exploração de riquezas minerais

É enganosa uma publicação compartilhada nas redes que sugere, sem evidências, que mais de 100 mil ONGs (organizações não governamentais) que atuam na Amazônia estariam interessadas não na “floresta”, mas nos minérios presentes na área. Por lei, ONGs não têm fins lucrativos e não podem obter autorização para exploração mineral.

Segundo o Mapa das Organizações da Sociedade Civil do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o número de ONGs que tem atuação em áreas relacionadas à mineração é muito pequeno: 145 em todo o país, sendo 14 em estados que compõem a Amazônia Legal. É importante destacar que essas entidades não trabalham diretamente na exploração de minérios e têm papel de representar mineradores.

A publicação também alega que há abundância de mais de 14 tipos de minérios na Amazônia, mas, segundo o chefe do Departamento de Recursos Minerais do Serviço Geológico do Brasil, Marcelo Esteves Almeida, nem todos têm potencial de exploração comprovado. Almeida afirma que avaliar o potencial de exploração de certos minerais na região, como paládio e ródio, ainda depende de mais estudos.

A verificação foi feita por: Estadão e Jornal do Commércio, e validada por outros veículos. Veja aqui a íntegra da verificação.

Homem preso por atear fogo à mata no Amazonas não foi pago pelo MTST

É falso que um homem detido por crime ambiental em Iranduba, cidade vizinha a Manaus (AM), tenha afirmado que foi pago pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto para atear fogo em uma área de mata.

O boato foi publicado na internet e em redes sociais acompanhado de fotos que mostram um homem e um incêndio na região da rodovia AM-070, próximo à ponte Jornalista Phelippe Daou, que liga Manaus a Iranduba. A delegada Sylvia Laurena, da 31ª Delegacia Integrada de Polícia, onde o suspeito prestou depoimento, confirmou ao Comprova que é ele quem aparece nas imagens compartilhadas.

O homem foi detido pela Polícia Militar no dia 24 de agosto e assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência por crime ambiental. O Comprova teve acesso ao documento em que ele e o policial militar relatam que o incêndio aconteceu por acidente. Segundo o depoimento, ele estava queimando fios elétricos com o intuito de retirar o cobre para vender, por volta das 10 horas, quando o fogo se espalhou. O policial militar disse ter sido informado por testemunhas que o homem “havia iniciado o incêndio ao tentar se desfazer de uma fiação elétrica”.

O Comprova também entrou em contato com o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, que negou qualquer ligação com o suspeito. O MTST frisou ainda que não tem atuação no estado do Amazonas.

A verificação foi feita por: Jornal do Commércio e Band, e validada por outros veículos. Veja aqui a íntegra da verificação.

Vídeo mostra obra na Suécia para dizer que chineses estão construindo ferrovia do Mato Grosso ao Maranhão

Um vídeo da construção de uma estrada de ferro na Suécia foi tirado de contexto e usado em postagens nas redes sociais associado a uma informação falsa. O post diz que o vídeo mostra “o maquinário que os chineses estão usando para uma estrada de ferro que vai da região de Lucas do Rio Verde” (MT) até o Maranhão, passando por Marabá (PA).

Não há ferrovia sendo construída nesse trajeto, como mostra o mapa ferroviário do Ministério da Infraestrutura. Também não consta a realização de obras que ligariam as cidades citadas nas postagens na seção do site do Ministério que informa as ferrovias que estão em obras. Além disso, não há planejamento do governo federal de construir uma estrada de ferro que ligue o Maranhão a Lucas do Rio Verde.

Uma nota do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, ligado ao Ministério da Infraestrutura, mostra ainda que os municípios de Marabá e Lucas do Rio Verde fazem parte do trajeto de ferrovias diferentes. Marabá integra o percurso da Estrada de Ferro Carajás. Por sua vez, o município de Lucas do Rio Verde está no trajeto previsto da Ferrovia de Integração do Centro Oeste, que ainda não saiu do papel.

A verificação foi feita por: piauí, Folha de S.Paulo e UOL, e validada por outros veículos. Veja aqui a íntegra da verificação.

Você recebeu algum conteúdo sobre políticas públicas que gerou dúvida e gostaria que o Comprova checasse? Envie uma mensagem de WhatsApp para (11) 97795-0022 ou pelo site do Comprova.

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