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Este acervo online compila documentos do movimento dadaísta

O Arquivo Internacional Dadá, da Universidade de Iowa, coleciona registros de artistas que se opuseram à Primeira Guerra Mundial

 

Fundado em 1979 pela Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, o Arquivo Internacional Dadá compila uma extensa coleção de documentos relativos ao movimento artístico que marcou as primeiras décadas do século 20.

Grande parte foi organizada em um site, que traz uma base de dados de documentos escaneados, incluindo publicações dadaístas, mas que não inclui pinturas ou outras obras de arte.

O movimento foi uma reação à Primeira Guerra Mundial (1914-1918), que deixou milhões de mortos. Propagou-se por Paris, Nova York, Zurique, na Suíça, e, na Alemanha, nas cidades de Berlim, Colônia e Hannover.

O movimento dadá surgiu com o objetivo de substituir os valores de uma arte encarada como conformista a uma estrutura social nacionalista e corrupta que originara o conflito. Frequentemente, seus expoentes exploram o nonsense e a colagem a partir de trabalhos anteriores.

Uma nota sobre o movimento publicada no site do Museu de Arte Moderna de Nova York cita o poeta Tristan Tzara, para quem: “os primórdios do Dadá não eram a arte, mas o nojo”.

Um outro artigo sobre o movimento, publicado no site do Tate Museum cita o artista Hans Arp: “Revoltados pela carnificina da Guerra Mundial de 1914, nós, em Zurique, nos dedicamos às artes. Enquanto as armas ressoavam à distância, nós cantávamos, pintávamos, fazíamos colagens e escrevíamos poemas com toda nossa energia”.

Foto: Reprodução
Capa de edição da publicação dadá “Die Pleite”, ou “Os quebrados”, em uma tradução livre do alemão
Capa de edição da publicação dadá “Die Pleite”, ou “Os quebrados”, em uma tradução livre do alemão
 

O próprio Arquivo Dadá traz uma nota sobre a origem do movimento, em que afirma que os dadaístas “não se restringiam a serem pintores, escritores, dançarinos ou músicos; a maior parte deles estava envolvida em várias formas de arte, e em romper as barreiras que distinguiam as artes entre si. De fato, os dadaístas não se contentavam em fazer arte. Eles queriam afetar todos os aspectos da civilização ocidental, para participar das mudanças revolucionárias que eram o resultado inevitável do caos da Primeira Guerra Mundial”.

Segundo a enciclopédia Britânica, não há uma explicação inconteste para a origem do nome do movimento. Uma das versões mais aceitas diz que o nome foi adotado no Cabaret Voltaire, de propriedade do poeta Hugo Ball, em Zurique, durante um encontro de jovens artistas e pessoas contrárias à guerra.

Um abridor de cartas foi inserido aleatoriamente em um dicionário bilíngue, e acabou apontando para a vocábulo “dada”, que em francês significa “cavalo de brinquedo”.

A palavra foi vista como apropriada para as atividades do grupo, que incluía os artistas Jean Arp, Richard Hülsenbeck, Tristan Tzara, Marcel Janco e Emmy Hennings.

O site mantido pela Universidade de Iowa traz links para instituições que contam com obras dadaístas em sua coleção. Traz também uma coleção de biografias de artistas que participaram do movimento, como Angelika Hoerle e Marcel Duchamp, autor da famosa obra “A Fonte”, que consiste em um mictório de louça industrializado, em que assinou apenas o nome da fábrica “R. Mutt” e o ano, 1917.

A plataforma também traz uma seção que redireciona para um periódico acadêmico da Universidade de Iowa que se dedica ao movimento dadá e ao surrealismo.

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