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A morte de Fernanda Young. E quais são os riscos da asma

Escritora e atriz teve uma parada cardíaca decorrente de uma crise da doença, que atinge 235 milhões de pessoas mundialmente

 

Conhecida por seu humor ácido e combativo, e pela autoria de séries de sucesso como “Os Normais”, a escritora, atriz e apresentadora Fernanda Young morreu na madrugada de domingo (25).

Young sofria de asma, e teve uma crise seguida de parada cardíaca em seu sítio em Gonçalves (MG). Foi levada de ambulância para a cidade vizinha, Paraisópolis, mas não resistiu. Ela deixa o marido e quatro filhos.

A asma é uma das doenças crônicas respiratórias mais comuns do mundo, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde). Caracterizada pela inflamação dos brônquios, as crises da doença podem levar à baixa concentração de oxigênio no sangue e desencadear complicações como arritmias cardíacas e infartes.

O que é a asma

A OMS define a asma como uma doença crônica que tem como sintomas característicos ataques de falta de ar, respiração curta e rápida, com chiado, e sensação de aperto no peito.

A entidade estima que 235 milhões de pessoas sofram de asma mundialmente. É também a doença crônica mais comum entre crianças.

Elaborada com a participação de 53 especialistas ao redor do globo, a edição de 2018 do “Global Asthma Report” afirma que o Brasil é, ao lado de Austrália e de países do norte e do oeste da Europa, um dos países com a maior proporção de pessoas com asma na população - entre 15% e 20% dos brasileiros sofrem com a doença. O estudo aponta, no entanto, que faltam dados padronizados de determinados países como Estados Unidos e Argentina.

A asma é caracterizada pela inflamação dos brônquios, os canais que conduzem o ar para os pulmões. Durante ataques de asma, os brônquios incham e passam a produzir uma quantidade maior de uma secreção chamada muco. A absorção de oxigênio e eliminação do gás carbônico é prejudicada.

Apesar de os sintomas serem bem delineados, as causas da asma não são plenamente compreendidas. Sabe-se, porém, que a doença está associada à predisposição genética e à inalação de substâncias e partículas que podem provocar irritação das vias aéreas e alergia. Entre essas substâncias estão:

  • Poeira
  • Ácaros
  • Fungos
  • Produtos químicos
  • Fumaça de tabaco
  • Pelo de animais
  • Pólen
  • Poluição ambiental

Ataques de asma podem ocorrer repetidamente em um curto período de tempo, como uma semana. Eles podem ser desencadeados e se agravar durante atividades físicas, ou durante a noite. Fumar, estar acima do peso e se expor a elementos que causam irritação são fatores de risco para a doença.

Não há cura para a asma, mas seus sintomas podem ser controlados com acompanhamento médico.

As mortes por asma

Ao Nexo, Elie Fiss, pneumologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, e professor titular de pneumologia da Faculdade de Medicina do ABC, afirma que crises de asma podem levar a um quadro chamado de hipoxemia, que é a baixa concentração de oxigênio no sangue das artérias acompanhada de uma concentração alta de gás carbônico. Isso pode desencadear outras complicações, como arritmias cardíacas e infartes.

Segundo a OMS, a taxa de mortalidade por asma é relativamente baixa, em comparação com outras doenças crônicas. Publicado em 2016 no periódico acadêmico da World Allergy Organization, a pesquisa “Asma fatal; ainda é uma epidemia?” afirma que as mortes por asma vêm caindo desde os anos 1980.

O “Global Asthma Report” de 2018 estima que 420 mil pessoas tenham morrido por asma no mundo inteiro em 2016, o que equivale a menos de 1% de todas as mortes globais.

Apesar disso, o relatório ressalta que essas mortes são causa de preocupação, por serem consideradas evitáveis quando há tratamento adequado. O estudo aponta que a doença é subdiagnosticada e, por isso, é grande o número de pessoas que nunca recebem tratamento.

Acompanhamento deve ser constante

Fiss afirma que quem sofre com a asma têm seus brônquios inflamados em algum grau, mesmo quando não há uma crise em curso. É necessário, portanto, acompanhar e tratar a doença diariamente, e não apenas após sintomas graves.

Segundo o site da Mayo Clinic, uma organização médica americana sem fins lucrativos, pessoas que sofrem de asma podem, preventivamente, inalar medicamentos à base de corticosteróides, que inibem a inflamação das vias aéreas que levam aos sintomas. Há também medicamentos que podem ser usados durante as crises, como forma de amenizá-las.

A entidade recomenda que pessoas que sofrem de asma mantenham um registro sobre como os sintomas evoluem, se pioram ou não, e a frequência com que elas precisam recorrer a medicamentos. Isso permite identificar se a inflamação está se agravando e se é necessário algum ajuste na forma de tratamento.

Fiss afirma que há casos em que pessoas que têm agravamento de seus quadros de asma passam a lidar com o problema aumentando a frequência com que usam medicamentos emergenciais, o que faz com os brônquios se dilatem.

Além de não ser um tratamento adequado, o uso excessivo dos broncodilatadores tende a levar à redução da concentração de potássio no sangue o que, junto à falta de ar, pode contribuir para complicações, como paradas cardíacas. Por isso, Fiss recomenda que um médico sempre seja procurado após crises de asma.

ESTAVA ERRADO: A primeira versão deste texto dizia que os broncodilatadores tendem a aumentar a concentração de potássio no sangue. Na verdade, eles tendem a reduzir a concentração de potássio no sangue. A informação foi corrigida às 16h10 de 28 de agosto de 2019.

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