O lago de esqueletos que intriga arqueólogos na Índia

Local no Himalaia tem ossos de cerca de 800 humanos que surgem quando o gelo derrete. Um novo estudo trouxe pistas sobre a origem dos restos mortais

O lago Roopkund existe em meio a um pequeno vale na porção indiana da Cordilheira do Himalaia. O corpo de água tem chamado a atenção de arqueólogos e recebeu o apelido de “lago dos esqueletos”.

Congelado na maior parte do ano, os dias mais quentes fazem com que centenas de esqueletos humanos surjam na superfície do lago. São os restos de cerca de 800 pessoas, alguns ainda com reminiscências de músculos.

O local que se tornou um mistério arqueológico. Um estudo publicado em agosto de 2019 na revista Nature Communications, assinado por pesquisadores de universidades dos EUA, Alemanha e Índia, investiga alguns dos esqueletos que estão no Roopkund.

A origem dos restos é incerta. De acordo com o artigo da Nature, uma hipótese era a de que as pessoas que morreram no Roopkund foram acometidas por algum tipo de epidemia. Outra ideia levantava a possibilidade dos indivíduos terem sido mercadores que foram acometidos por uma tempestade. Já o folclore local acreditava que os esqueletos no lago tinham sido vítimas da fúria de Nanda Devi, a deusa de uma das montanhas do Himalaia.

Análise de DNA dos esqueletos

O estudo, feito dentro do campo da bioarqueologia, analisou o DNA remanescente em 38 corpos e concluiu que aquelas pessoas não morreram em um único evento, mas sucumbiram espaçadamente ao longo dos séculos. Os pesquisadores dividiram os esqueletos em dois grupos temporais: o primeiro veio do intervalo entre os séculos 7 e 10 e o segundo surgiu entre os séculos 17 e 20.

A pesquisa também demonstrou que eles não vieram de um mesmo lugar. Os esqueletos vieram de três grupos étnicos: uma parte tinha ancestralidade dos povos do sul da Ásia;  outra dos povos da Ásia oriental; e uma terceira parte tinha origem nos povos Mediterrâneos, especificamente da região da atual Grécia. O artigo também demonstrou que os indivíduos estudados tinham dietas distintas, reiterando a ideia de que eles vieram de regiões diferentes.

Por ser impossível precisar o que levou esses indivíduos até a região, uma hipótese levantada pelos pesquisadores é a de que o lago Roopkund fez parte de uma rota de peregrinação religiosa de veneração à deusa Nanda Devi. Embora os registros históricos mais antigos desse fenômeno datem do século 19, inscrições em pedras da região feitos nos séculos 8 e 10 sugerem uma origem mais antiga para a rota de peregrinação.

Em entrevista ao jornal The New York Times, o doutor em bioarqueologia Niraj Rai, líder da pesquisa, afirmou que não existem registros da jornada de qualquer um dos indivíduos que sucumbiram no lago.

Também ao New York Times, Cat Jarman, doutor em bioarqueologia da Universidade de Bristol, na Inglaterra, que não fez parte do estudo, afirmou que é possível que a rota que passa pelo lago Roopkund tenha tido significado para diversas crenças do passado.

A causa de morte dos esqueletos também não pode ser determinada. Não há evidências ou indícios de atividade bacteriana.

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