As relações de gênero na Alemanha a partir de desenhos infantis

Estudo realizado no país europeu, com amostras de 1977 e 2015, analisou o que mudou na forma como homens e mulheres são representados pelas crianças

 

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Münster e da Universidade de Osnabrück, ambas da Alemanha, comparou a maneira como crianças alemãs de cinco a oito anos de idade representaram a figura humana em 1977 e em 2015.

Publicada em julho de 2019 pelo jornal acadêmico Sex Roles, a pesquisa identificou duas tendências: em 2015, mais meninas e mais crianças em geral desenharam figuras femininas, na comparação com a amostra de 1977; nos desenhos mais recentes, essas imagens também possuíam mais traços estereotipicamente femininos, por exemplo, nas roupas e acessórios. A representação da masculinidade, por outro lado, não se exacerbou.

Destaques dos resultados

18%

dos desenhos foram classificados como figuras femininas na amostra de 1977

70%

foram classificados como figuras masculinas na mesma amostra. Na parcela restante, não foi possível designar um gênero

47%

dos desenhos foram classificados como figuras femininas na amostra de 2015

40%

foram classificados como figuras masculinas na mesma amostra. Na parcela restante, não foi possível designar um gênero

34%

das meninas desenharam figuras femininas em 1977

82%

das meninas desenharam figuras femininas em 2015

Para os pesquisadores, os resultados evidenciam mudanças na visão das crianças sobre papéis de gênero, o que por sua vez reflete algumas transformações nas condições sociais do país. Um dos índices que ilustram esse processo é a taxa de emprego entre as mulheres na Alemanha, que aumentou de 48% em 1980 para 73% em 2014.

O avanço da igualdade de gênero no país entre a segunda metade do século 20 e as primeiras décadas do século 21, de acordo com o estudo, teve impacto sobre a preferência das garotas em desenharem uma figura de seu próprio gênero.

Para os pesquisadores, o fato de a representação de figuras femininas  ter passado a contar com mais detalhes ligados ao gênero em 2015, em comparação a 1977, está ligada ao crescimento da ênfase dada à diferenciação de gênero nas creches e escolas.

Como, por outro lado, os traços ligados à masculinidade não se intensificaram entre as duas amostras, é possível concluir as representações de gênero das crianças dão maior ênfase aos atributos considerados femininos.

As amostras coletadas ao longo do tempo

Os desenhos de 1977 fizeram parte de um projeto de dissertação mais antigo sobre o desenvolvimento psicomotor de crianças de primeira série. Esse projeto contava com a participação do pesquisador Hartmut Rübeling, da Universidade de Osnabrück, um dos autores do material publicado em 2019.

O estudo final contou com desenhos de 376 crianças, 208 deles feitos em 1977 e os outros 168 feitos em 2015. Não houve diferenças significativas de idade ou na distribuição de gênero entre as amostras.

Cada uma continha crianças de várias escolas diferentes, que foram submetidas ao teste do desenho da figura humana: dispondo um lápis e uma folha em branco de papel A4, colocada verticalmente na frente de cada criança, elas foram instruídas a desenhar uma pessoa da melhor forma que pudessem, sem limite de tempo para concluir a tarefa.

 

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