Por que o ouro está em alta no Brasil e no mundo

Em meio ao cenário de incerteza global, preço do metal atinge maior patamar desde 2013. Exportações brasileiras vêm crescendo

     

     

    Em agosto de 2019, o preço do ouro atingiu o maior patamar em seis anos. A onça troy, medida de massa tradicionalmente usada para o metal, que representa cerca de 31 gramas, ultrapassou a marca de US$ 1.500 pela primeira vez desde abril de 2013. No Brasil, as exportações do metal estão em alta, acompanhando o aumento da demanda no mercado internacional.

     

    O movimento está relacionado às incertezas da economia mundial e ao temor de uma nova crise global. Em contextos turbulentos, o ouro é visto como um ativo seguro cujo valor pode se movimentar em sentido diferente dos preços de ações e títulos de dívida.

     

    DEMANDA EM ALTA

     

     

    O ouro em meio à instabilidade global

     

    A alta do preço do ouro teve início em meados de 2018, quando a guerra comercial entre EUA e China já estava consolidada e prometia mais instabilidade aos mercados globais.

     

    Hoje Alemanha e China dão sinais de desaceleração, deixando os agentes econômicos em alerta e gerando reações negativas em bolsas de valores pelo mundo. Em 14 de agosto, a bolsa de Nova York teve sua pior sessão diária em 10 meses.

     

    Ao mesmo tempo, os juros em diferentes países estão em baixas históricas. Nos EUA, a taxa de juros para títulos de 30 anos ficou abaixo de 2% pela primeira vez desde que há registros. Na Alemanha e outros países da zona do euro, os juros estão negativos, o que significa que quem compra um título do governo receberá menos do que pagou no momento do vencimento.

     

    Diante da instabilidade, investidores têm se direcionado para ativos seguros. E o ouro é visto como um dos ativos de menor risco no mercado.

     

    Há mais de uma forma de investir em ouro. Além da opção de comprar o ouro físico, é possível adquirir ações de mineradoras do metal ou aplicar em fundos especializados em empresas de extração de metais preciosos.

     

    O ouro não rende juros nem dividendos, mas reserva valor de maneira consistente e é visto como uma boa forma de proteção contra a inflação nos mercados internacionais. Ao contrário de outros ativos financeiros, o ouro possui um lastro físico, consolidado há séculos. O metal é visto como um bem capaz de reter valor por muito tempo.

     

    O ouro, entretanto, pode apresentar volatilidade de preços em períodos longos de tempo. Nos últimos 10 anos, por exemplo, o preço da onça troy chegou a variar entre US$ 868 e US$ 1.900, o que significa que a compra de ouro não garante que não haverá perdas.

     

    Segundo o World Gold Council, organização global ligada ao mercado de ouro, a demanda por ouro tem como pano de fundo três principais movimentos: a maior procura por joias na Índia, o aumento de aquisições por bancos e corretoras, e o maior aumento em 19 anos nas compras de ouro por bancos centrais pelo mundo.

     

     

    Produção e exportação de ouro no Brasil

     

    O movimento é sentido no Brasil. Em 2018, o país exportou 95 toneladas de ouro. Em 2011, o volume exportado foi 48 toneladas, o que significa que o Brasil praticamente dobrou suas exportações do metal em 7 anos.

     

    Até julho de 2019 foram exportadas 51 toneladas de ouro, o que praticamente iguala o total de 2012.

     

    Em termos de produção, o Brasil é o 11º país do mundo que mais extrai ouro anualmente. Foram extraídas 97,1 toneladas de ouro em solo nacional em 2018, sendo que mais de 97% desse total foi destinado ao mercado externo. O país que mais extrai ouro no mundo é a China, que produz 28% a mais que a Austrália, segunda colocada na lista.

     

    OS 15 MAIORES PRODUTORES

     

    O ouro brasileiro tem como destino quatro principais países: o maior importador é o Canadá, seguido de Reino Unido, Suíça e Índia, nessa ordem. Juntos, esses países são responsáveis por comprar mais de 81% de ouro brasileiro.

     

    No Brasil, Goiás e Minas Gerais concentram quase três quartos da extração de ouro do país. Goiás é responsável por 38,7% do ouro brasileiro e Minas Gerais por 35,8%. Na sequência, aparecem Paraná (14,3%) e Bahia (3,5%).

     

    Os dados contêm apenas as quantidades extraídas de maneira formal, e não incluem o ouro obtido por meio do garimpo ilegal. O entendimento é de que a quantidade de ouro extraído no garimpo também está em alta. Não há estimativas sobre a quantidade de ouro que é produzido ilegalmente no Brasil.

     

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