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Como o filme Coringa virou aposta no Oscar de 2020

Estrelado por Joaquin Phoenix, longa que reconta a origem do vilão dos quadrinhos está marcando presença em alguns dos mais importantes eventos da indústria cinematográfica

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    A Warner Bros. Pictures vai lançar, em outubro de 2019, o filme “Coringa”. Dirigido por Todd Phillips, de “Se beber, não case”, e estrelado por Joaquin Phoenix, o longa será uma releitura da origem do clássico vilão dos quadrinhos do Batman.

    Diferentemente de outros filmes baseados em histórias em quadrinhos, “Coringa” não aposta em grandes cenas de ação e batalhas interplanetárias nos moldes de “Vingadores: ultimato”. Phillips optou por um caminho mais intimista, focado na psique do personagem.

    Em entrevista à revista Empire, o cineasta afirmou que o longa não é uma história do Coringa, e sim a história “de como um homem se tornou o Coringa”. A sinopse oficial do longa diz que a trama fala sobre um sujeito “excluído pela sociedade, servindo como um alerta mais amplo”.

    Por seguir esse caminho, “Coringa” passou a figurar entre as apostas do Oscar de 2020 e vai marcar presença em alguns dos eventos mais importantes do mercado de cinema mundial.

    O filme está participando da competição oficial da 76ª edição do Festival de Veneza, uma das mais importantes mostras cinematográficas do mundo. Ele também terá uma apresentação de gala no Festival de Toronto, que é considerado o ponto de partida para os principais prêmios da indústria.

    O site Oddschecker, um dos principais em cálculos de probabilidades para apostas de diversos setores, tem Phoenix como o principal nome para o troféu de Melhor Ator no Oscar 2020, figurando ao lado de nomes como Tom Hanks (por “A beautiful day in the neighbourhood”) e Taron Egerton (por “Rocketman”).

    Em entrevista à revista americana Variety, Alberto Barbera, diretor artístico do Festival de Veneza, afirmou que o longa “vai direto para o Oscar”, por conta de “sua ambição e escopo incríveis”.

    A intensidade do personagem

    Phoenix é o quinto ator a interpretar o Coringa nos cinemas. Anteriormente, o vilão foi vivido por Cesar Romero (em 1966), Jack Nicholson (em 1989), Heath Ledger (em 2008) e Jared Leto (em 2016).

    O personagem ficou conhecido por conta de sua psicopatia, o que demanda muito dos atores que o interpretam.

    O Método Stanislavski é um conjunto de técnicas desenvolvidas pelo ator e diretor russo Konstantin Stanislavski. Nele, o ator precisa mergulhar nas emoções e na mente do personagem a fim de entregar uma performance mais verossímil e natural.

    Ledger era adepto do Método Stanislavski, e se isolou por um mês em um hotel londrino para compor sua versão do Coringa. “Eu me tranquei, comecei um diário e experimentei as vozes. Era importante achar uma voz e uma risada icônicas. Acabei indo na direção de um psicopata”, afirmou o ator à revista Empire em 2008.

    O ator morreu em janeiro de 2008, meses antes da estreia de “Batman: O cavaleiro das trevas”, em decorrência de uma overdose acidental de remédios. Logo após sua morte, surgiram rumores de que o trabalho de construção do Coringa teve algum impacto no ocorrido. A irmã de Ledger desmentiu todos os boatos em 2017.

    Ledger venceu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante postumamente por seu trabalho como o Coringa em 2009.

    O cantor e ator Jared Leto interpretou o Coringa em “Esquadrão Suicida”, de 2016. Em entrevista à revista Entertainment Weekly, Leto contou que passou a maior parte dos intervalos das gravações do longa se mantendo no personagem.

    Para entender a mente insana do Coringa, Leto enviou alguns presentes para seus colegas de elenco, incluindo projéteis, um porco morto e preservativos usados. Em entrevista ao canal E!, Leto explicou que os presentes foram uma forma de “criar elementos de surpresa e espontaneidade” para o personagem.

    Phoenix também é adepto do Método Stanislavski. Em entrevista à revista italiana Il Venerdì, o ator explicou que assistiu a diversos vídeos de pessoas portadoras da risada patológica, uma condição que causa crises de riso involuntárias, para compor a famosa gargalhada do personagem.

    Coringa: um legado de 79 anos

    O Coringa surgiu em 1940, na primeira edição da revista do Batman, e foi criado por Bob Kane, Bill Finger e Jerry Robinson.

    Seu visual original foi inspirado pela aparência do ator alemão Conrad Veidt no filme “O homem que ri”, de 1928. Ao longo dos anos, o visual do Coringa foi mudando, bem como sua psique.

    Originalmente um vilão com traços cômicos, o Coringa se tornou uma das figuras mais cruéis dos quadrinhos a partir dos anos 70, quando o roteirista Dennis O’Neil e o desenhista Neal Adams trouxeram uma nova visão para o personagem. Essa construção se consolidou em 1988, quando Alan Moore elevou a insanidade e a crueldade do Coringa para um novo patamar em “A piada mortal”.

    Em 2018, os leitores da revista Empire elegeram o Coringa como o segundo melhor vilão de todos os tempos, ficando atrás apenas de Darth Vader, antagonista da trilogia original da saga “Star Wars”.

     

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