As histórias de idiomas indígenas em risco de extinção

Lançado em agosto, projeto ‘Celebrando Línguas Indígenas’, do Google Earth, apresenta canções e ditados populares de 55 línguas ancestrais

 

Desde agosto de 2019, usuários do Google Earth podem ouvir gravações de áudio de falantes de diferentes idiomas indígenas por meio do projeto Celebrando Línguas Indígenas. A ideia da plataforma é aumentar a conscientização sobre línguas ancestrais no mundo e ajudar na preservação de idiomas em risco de extinção.

O site, que aparece no recurso Voyager (viajante) do Google Earth, traz pequenas histórias sobre os idiomas e destaca o papel das comunidades e de ativistas que lutam pela preservação dos idiomas indígenas. No total, estão disponíveis áudios com saudações, canções e ditados populares de 55 falantes. Um deles é do Brasil, e representa o Sanöma, da família linguística Yanomami.

Ao acessar a plataforma, os usuários são apresentados a um idioma e a uma pessoa que o fala. Cada indígena é gravado fazendo uma saudação e, depois, respondendo a duas perguntas que envolvem provérbios tradicionais e os conhecimentos de sua língua. Há ainda pequenos textos que revelam características dos idiomas, as ameaças enfrentadas por eles e ações que têm sido tomadas para preservá-los.

Outro recurso permite que os usuários procurem por idiomas conforme sua localização. As línguas mapeadas pelo Google estão espalhadas em todos os continentes.

Idiomas em risco de extinção

A criação da plataforma coincide com uma iniciativa da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) que definiu 2019 como o Ano Internacional das Línguas Indígenas, a fim de chamar a atenção para idiomas em extinção.

Atualmente, 2.680 dos 7.000 idiomas considerados em risco de extinção são indígenas, diz a organização. São causas para o fenômeno a assimilação (processo em que um grupo adquire características de outros grupos sociais), a globalização e a perseguição desses povos. Estima-se que a cada duas semanas uma língua oral desaparece.

4.000

idiomas, dos 7.000 existentes, são falados por povos indígenas; eles equivalem a 3% da população mundial, segundo a Unesco

A Unesco afirma que, sem medidas adequadas para tratar desse problema, muitas línguas irão se perder -- e, com elas, desaparecerão também a história, as tradições, o conhecimento e a memória associadas a elas. “[Isso provocará] uma considerável redução da rica tapeçaria de diversidade linguística em todo o mundo”, diz a entidade.

Entre os 55 idiomas apresentados no projeto do Google Earth, 19 são considerados pela Unesco como “vulneráveis”, “em perigo” ou “seriamente em perigo”. Quatro deles estão “criticamente em perigo”.

Além do Google Earth, universidades, museus e organizações indigenistas de diversos países contribuíram para construir o projeto. Do Brasil, participou o Instituto Socioambiental, entidade civil voltada ao ambiente e que dá apoio a indígenas e comunidades tradicionais.

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