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Como é o uber medicinal do canabidiol que opera nos EUA

Empresa conecta consumidores e pacientes com fabricantes de produtos à base da substância. Anvisa autoriza brasileiros a importar produto mediante documentação médica

 

Enquanto o Brasil discute se o canabidiol deve ser autorizado no país para doentes que precisam dele, os Estados Unidos já contam com uma empresa que opera como um “Uber da maconha medicinal”. É assim que a californiana Eaze é chamada em reportagens americanas sobre o pujante mercado que surgiu em torno das substâncias de uso médico derivadas da cannabis sativa.

Pelo aplicativo ou site da empresa, o usuário pode escolher entre uma variedade de produtos de canabidiol ou CBD oferecidos por diversos fabricantes do ramo. Há dezenas de opções de canabidiol em gotas, cápsulas, tabletes e vaporizador. Segundo a empresa, ela entrega estes e outros produtos a 43 estados americanos e o Distrito Federal, onde a maconha medicinal já foi regularizada.

Em seus primeiros anos, a Eaze tinha como carro-chefe produtos à base de THC (tetrahidrocanabinol), componente da maconha com efeitos psicotrópicos. Segundo reportagem do site Quartz, dos mais de 3 milhões de itens vendidos pela empresa entre 2014 e 2018 a maior parte eram caracterizados por THC.

A Cannabis sativa contém 113 substâncias químicas denominadas canabinóides, encontradas principalmente em sua flor. Dentre elas, o canabidiol (CBD) é uma das principais não-psicoativas presente na planta

Entretanto, aquele ano foi marcado por um aumento vertiginoso nos pedidos por produtos em que o canabidiol era o componente principal. Consumidores passaram a requisitar o produto para uma série de aflições, entre elas náuseas, dores musculares e insônia. Além disso, sua ação benéfica em casos de epilepsia resistente, esquizofrenia e mal de Parkinson já foi cientificamente comprovada.

Foi nessa época que a Eaze resolveu focar seus negócios também em produtos ligados a essa substância. Em agosto de 2019, a empresa anunciou a busca de US$ 50 milhões em investimento para expansão dos negócios.

O mercado da maconha legalizada americano, que inclui a erva para uso medicinal e recreativo, foi avaliado em US$ 11,9 bilhões em 2018, segundo uma consultoria.

O canabidiol no Brasil

A Cannabis sativa contém 113 substâncias químicas denominadas canabinóides, encontradas principalmente em sua flor. Dentre elas, o canabidiol (CBD) é uma das principais não-psicoativas presente na planta. Ou seja, o canabidiol não dá “barato” quando ingerido, o que o torna adequado para uso em medicamentos. Já o THC (tetrahidrocanabinol) é um canabinóide da maconha com efeitos psicotrópicos.

 

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) abriu duas consultas públicas “sobre o cultivo da maconha para fins exclusivamente medicinais e científicos e sobre o registro e monitoramento de medicamentos à base da planta”. O processo vai até 19 de agosto de 2019.

A iniciativa foi criticada pelo ministro da Cidadania, Osmar Terra, que acusou o diretor-presidente da Anvisa, William Dib, de tentar “legalizar a maconha no Brasil”. A entidade diz que o objetivo é “favorecer a produção nacional de terapias feitas à base de cannabis com garantia de qualidade e segurança, além de permitir a ampliação do acesso da população a medicamentos”.

Atualmente, a Anvisa permite a importação de óleos e remédios que tem o canabidiol como base. A solicitação deve vir acompanhada de documentos e laudos médicos que comprovem a necessidade do CBD. Cerca de 6.800 pessoas no Brasil têm autorização para a importação.

O general e ex-comandante do Exército Eduardo Villas Bôas, apoiador e amigo de Jair Bolsonaro, defendeu o uso do CBD em entrevista ao SBT no dia 3 de agosto. Assessor do Gabinete de Segurança Institucional do Palácio do Planalto, o general sofre de Esclerose Lateral Amiotrófica, uma doença degenerativa do neurônio motor.

 

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