3 boatos verificados nesta semana para você ficar de olho

O ‘Nexo’ integra o Comprova, coalizão de 24 veículos jornalísticos que em 2019 busca combater a desinformação sobre políticas públicas

    As redes sociais são um importante meio de comunicação tanto para os cidadãos quanto para os governos, ao divulgar e esclarecer políticas públicas. Mas nelas também se proliferam posts, imagens e vídeos fabricados, manipulados ou retirados de contexto para favorecer ou prejudicar visões políticas. É um ambiente em que conteúdos podem ser disseminados rapidamente, sem preocupações com fonte e veracidade.

    Para combater a desinformação na política surgiu o Comprova, do qual o Nexo faz parte. A iniciativa, que está na segunda etapa, é resultado de uma coalizão entre 24 diferentes veículos de comunicação brasileiros para identificar e apurar informações enganosas ou deliberadamente falsas disseminadas sobre políticas públicas em âmbito federal.

    Abaixo, selecionamos três verificações feitas pelo Comprova na semana que passou. Confira:

    Artigo enganoso associa mais armas a menos violência; texto traz visão incompleta de estatísticas

    É enganoso um artigo compartilhado nas redes com a alegação de que mais armas podem reduzir os índices de violência. Pesquisas realizadas por universidades nos Estados Unidos e no Brasil indicam o contrário.

    O Comprova calculou a correlação entre a força ou fraqueza relativa das legislações locais sobre armamentos e a taxa de mortes por armas de fogo nos estados americanos (estatística que também inclui acidentes e suicídios) e constatou que quanto mais forte a regulamentação antiarmas, menor o índice de mortes por armas de fogo nessas regiões.

    A peça que circula nas redes sociais usa números de armas e homicídios dos Estados Unidos, mas fornece dados incorretos sobre o Brasil. Para verificá-la, o Comprova consultou dados de instituições como a Suprema Corte dos EUA, o FBI, o departamento de Justiça americano, a Organização Mundial da Saúde, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

    A verificação foi feita por: Estadão, GaúchaZH e Jornal do Commércio, e validada por outros veículos. Veja aqui a íntegra da verificação.

    Montagem enganosa atribui a Bolsonaro obras na BR-163 feitas no governo Dilma

    É falsa uma montagem feita com duas fotos para comparar a situação da rodovia BR-163 nos governos petistas e no atual, do presidente Jair Bolsonaro (PSL). A primeira imagem, da estrada em situação precária, é atribuída aos “16 anos de PT”; a segunda, da estrada em pavimentação, é creditada aos “7 meses de Bolsonaro”. As fotos que circulam nas redes sociais, porém, não correspondem aos períodos citados.

    A primeira imagem (“16 anos de PT”), na verdade, é de 2017, ano do mandato do ex-presidente Michel Temer (MDB). A segunda imagem, creditada a Bolsonaro, foi tirada em 2015, durante o governo Dilma Rousseff (PT). Além de corresponderem às datas erradas, as imagens também são incorretas por compararem trechos distintos da BR-163.

    Para a verificação, o Comprova submeteu as fotos da montagem ao mecanismo de busca de imagens do Google, funcionalidade que procura na internet outras versões de uma mesma imagem. Foram também consultados os sites do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), do Ministério da Infraestrutura e de uma concessionária que administra um dos trechos da BR-163.

    A verificação foi feita por: piauí e AFP, e validada por outros veículos. Veja aqui a íntegra da verificação.

    É enganoso vídeo que fala em ‘recado final’ de militares ao Supremo Tribunal Federal

    É enganoso um vídeo compartilhado nas redes sobre um suposto clima de suspense no Supremo Tribunal Federal atribuído a um “duro recado” que o alto comando do Exército teria mandado aos ministros. Segundo o rumor, os militares teriam alertado os integrantes da corte para não “mexerem” com Sergio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública.

    As imagens do vídeo unem ministros do Supremo, integrantes do Executivo e militares fardados. Elas são acompanhadas por um áudio que conta fatos verídicos e falsos e no qual a narradora faz referência a declarações de figuras como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e o atual vice, o general Hamilton Mourão (PRTB).

    Ao Comprova, o Exército e o STF negaram que houve “recado” de militares à corte. As assessorias de Mourão e do Instituto Fernando Henrique afirmaram que eles não disseram o que insinua o vídeo.

    A peça defende Moro após vazamentos divulgados pelo site The Intercept Brasil de conversas privadas do ministro com procuradores da força-tarefa da Lava Jato, operação anticorrupção da qual Moro foi juiz. Os diálogos mostram Moro orientando o Ministério Público. Esse tipo de comunicação entre juiz e acusação é considerado ilegal pela Constituição e pelo Código de Processo Penal.

    A verificação foi feita por: Poder360 e Estadão, e validada por outros veículos. Veja aqui a íntegra da verificação.

    Você recebeu algum conteúdo sobre políticas públicas que gerou dúvida e gostaria que o Comprova checasse? Envie uma mensagem de WhatsApp para (11) 97795-0022 ou pelo site do Comprova.

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