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3 boatos verificados nesta semana para você ficar de olho

O ‘Nexo’ integra o Comprova, coalizão de 24 veículos jornalísticos que em 2019 busca combater a desinformação sobre políticas públicas

    As redes sociais são um importante meio de comunicação tanto para os cidadãos quanto para os governos, ao divulgar e esclarecer políticas públicas. Mas nelas também se proliferam posts, imagens e vídeos fabricados, manipulados ou retirados de contexto para favorecer ou prejudicar visões políticas. É um ambiente em que conteúdos podem ser disseminados rapidamente, sem preocupações com fonte e veracidade.

    Para combater a desinformação na política surgiu o Comprova, do qual o Nexo faz parte. A iniciativa, que está na segunda etapa, é resultado de uma coalizão entre 24 diferentes veículos de comunicação brasileiros para identificar e apurar informações enganosas ou deliberadamente falsas disseminadas sobre políticas públicas em âmbito federal.

    Abaixo, selecionamos três verificações feitas pelo Comprova na semana que passou. Confira:

    Mudanças no Código de Trânsito não estão em vigor; projeto de lei aguarda aprovação na Câmara

    Uma postagem veiculou afirmações falsas segundo as quais a validade da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) teria passado de cinco para dez anos, que a pontuação limite para suspensão do documento teria dobrado e que os exames necessários para sua emissão poderiam ser feitos com qualquer médico — hoje se permitem exames apenas com o órgão de trânsito estadual. Essas medidas, listadas em publicações amplamente compartilhadas nas redes, realmente fazem parte de um projeto de lei proposto pelo governo federal, mas não estão em vigor.

    Em 4 de junho de 2019, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) entregou ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o Projeto de Lei 3.267, que propõe diversas alterações no Código de Trânsito Brasileiro.

    Para entrar em vigor, no entanto, o projeto deve antes passar pela análise de uma comissão especial na Câmara e, depois, pelo Senado Federal. Até a publicação desta verificação, a comissão na Câmara ainda não estava totalmente formada. Nesse sentido, a implementação imediata das medidas mencionadas nessa postagem é inviável.

    A verificação foi feita por: AFP e Poder360, e validada por outros veículos. Veja aqui a íntegra da verificação.

    É falso que conselho de política de drogas era aparelhado; atas comprovam a diversidade de opiniões

    É falso que o Conad (Conselho Nacional de Política sobre Drogas) era aparelhado por integrantes da sociedade civil, como afirma uma postagem que viralizou nas redes sociais. A análise de atas e registros das reuniões do conselho de 2006 a 2018 mostra que os participantes apresentavam opiniões diversas sobre temas da política de drogas.

    A postagem afirma que “as políticas dos governos passados apoiavam — e ainda apoiam — a liberação e o consumo das drogas no Brasil”, orientação que, segundo o texto, era influenciada pelos “chamados ‘especialistas’ e grupos da ‘sociedade’” que “aparelhavam” o conselho. Atas de encontros mostram que, de fato, havia integrantes do Conad que defendiam a descriminalização das drogas, mas a posição não era majoritária nem chegou a ser tema de votação no período analisado.

    De oito grupos que tinham cadeiras fixas no Conad, dois — o Conselho Federal de Serviço Social e a União Nacional dos Estudantes — se posicionam abertamente a favor da descriminalização das drogas. Um deles, o Conselho Federal de Medicina, declarou-se abertamente contra. Outros grupos, como a Ordem dos Advogados do Brasil, o Conselho Federal de Enfermagem e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência não se posicionaram sobre o tema em reuniões.

    Após um decreto do ex-presidente Lula (PT), em 2006, o Conad passou a ter 27 cadeiras, das quais 13 foram destinadas a representantes da sociedade civil — oito privativas de grupos e conselhos profissionais e quatro indicadas pelo governo para mandatos de dois anos. Em 2019, Bolsonaro reduziu a participação da sociedade civil no conselho.

    A verificação foi feita por: Exame, Folha de S.Paulo e Poder360, e validada por outros veículos. Veja aqui a íntegra da verificação.

    É falsa a corrente que acusa a Embaixada do Brasil em Washington de ser ‘reduto do PT’

    É falso que a Embaixada do Brasil em Washington, nos Estados Unidos, seja um “reduto do PT” e que tenha sido usada politicamente para apoiar a esquerda, como afirma uma corrente que circula no WhatsApp e nas redes sociais. A mensagem usa fontes duvidosas e faz acusações sobre as quais não há evidências em outras fontes de informação.

    A mensagem acusa a embaixada de batizar uma sala com o nome de Marielle Franco, vereadora assassinada em 2018, e de exibir nas paredes a inscrição “Lula Livre”, em referência à prisão do ex-presidente. A peça também acusa a embaixada de ter patrocinado atos que reivindicam a soltura de Lula e abrigado integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). A fonte das informações, segundo o texto, seria um advogado que vive nos EUA e frequenta o órgão para resolver problemas de clientes brasileiros.

    A embaixada em Washington afirmou que as informações divulgadas na corrente “são patentemente falsas” e não têm “nenhum fundamento”. Afirmou que é um órgão oficial do governo brasileiro, que não conta com inscrições de cunho político, não recebe ou apoia atos políticos de qualquer sorte nem “oferece espaço para a realização de reuniões que não sejam relacionadas diretamente às suas atividades oficiais”.

    A embaixada também ressaltou que não tem setor consular, ou seja, não atende a brasileiros para resolver problemas pessoais (como renovar visto ou pedir segunda via de passaporte), competência que cabe a outro órgão, o Consulado-Geral do Brasil em Washington. A embaixada trata apenas de assuntos de política externa. As informações contradizem o conteúdo do texto que viralizou, segundo o qual um advogado teria “descoberto” o viés de esquerda do órgão por causa de visitas feitas para tratar de contratempos de brasileiros.

    Além da embaixada em Washington, o Comprova consultou o Itamaraty e o MST para verificar as informações. Foram também consultadas jornalistas brasileiras que trabalham na capital americana e três outros brasileiros que residem na cidade e frequentam a Embaixada. Todos eles negaram o conteúdo da corrente que viralizou. Informações sobre as despesas da embaixada no Portal da Transparência, boletins de atividades do órgão e fotografias do local também desmentem o boato.

    A verificação foi feita por: piauí e Nexo, e validada por outros veículos. Veja aqui a íntegra da verificação.

     

    Você recebeu algum conteúdo sobre políticas públicas que gerou dúvida e gostaria que o Comprova checasse? Envie uma mensagem de WhatsApp para (11) 97795-0022 ou pelo site do Comprova.

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