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3 boatos verificados nesta semana para você ficar de olho

O ‘Nexo’ integra o Comprova, coalizão de 24 veículos jornalísticos que em 2019 busca combater a desinformação sobre políticas públicas

As redes sociais são um importante meio de comunicação tanto para os cidadãos quanto para os governos, ao divulgar e esclarecer políticas públicas. Mas nelas também se proliferam posts, imagens e vídeos fabricados, manipulados ou retirados de contexto para favorecer ou prejudicar visões políticas. É um ambiente em que conteúdos podem ser disseminados rapidamente, sem preocupações com fonte e veracidade.

Para combater a desinformação na política surgiu o Comprova, do qual o Nexo faz parte. A iniciativa, que está na segunda etapa, é resultado de uma coalizão entre 24 diferentes veículos de comunicação brasileiros para identificar e apurar informações enganosas ou deliberadamente falsas disseminadas sobre políticas públicas em âmbito federal.

Abaixo, selecionamos três verificações feitas pelo Comprova na semana que passou. Confira:

Quem sacar os R$ 500 do FGTS não perderá o direito ao saldo em caso de demissão

Não é verdade que quem sacar R$ 500 do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) perde o direito ao restante do saldo em caso de demissão. Um artigo com título falso que viralizou no Facebook confunde as duas modalidades de saque do fundo, que foram definidas pelo governo em medida provisória no dia 24 de julho de 2019.

A MP, que tem validade de 120 dias, estabelece que os trabalhadores poderão sacar até R$ 500 do FGTS entre setembro de 2019 e março de 2020. Ela também cria o saque-aniversário, nova modalidade que permite a retirada anual de uma parcela do fundo. Apenas quem optar pelo segundo tipo de saque abre mão do saque-rescisão (a retirada do saldo dos recursos do FGTS em caso de demissão sem justa causa).

Tanto no saque-aniversário quanto no saque-rescisão, contudo, os trabalhadores continuam a receber multa de 40% sobre o valor do FGTS em caso de rescisão contratual. A MP não altera as atuais regras da legislação relativas a esse ponto, apesar de críticas que o presidente Jair Bolsonaro tenha feito ao benefício. Para permanecer em vigor, a medida precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional em até 120 dias.

A verificação foi feita por: AFP, Estadão e Poder360, e validada por outros veículos. Veja aqui a íntegra da verificação.

É falso que chuvas impedem desmatamento na Amazônia

É falsa a afirmação, feita por um médico em um vídeo que circula nas redes sociais, de que dados que indicam alta de desmatamento na Amazônia em 2019 são “mentirosos” porque realizar queimadas na floresta seria “impossível” durante a estação de chuvas. A declaração, que contesta alertas de desmatamento recentes do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Especiais), vinculado ao Ministério da Ciência, usa dados errados e informações incompletas sobre a Amazônia Legal.

A principal confusão de Marcos Andrade, o médico, está em apontar o Inpe como mentiroso por ter supostamente indicado alta do desmatamento na Amazônia no período da estação chuvosa — que geralmente dura de janeiro a março. Informações do Inpe mostram que o desmate da floresta não aumentou nesses meses de 2019, mas em maio, junho e julho, que marcam a transição para a estação seca.

Ainda que Andrade fizesse referência aos dados corretos, a afirmação de que é “impossível” realizar queimadas — portanto, impossível desmatar — na Amazônia durante a estação chuvosa é falsa. Apesar de o inverno (como é chamada a época de chuvas) ser de fato muito chuvoso na região, a distribuição das precipitações na floresta varia tanto entre os meses quanto no espaço, dividido em zonas de diferentes microclimas.

Além disso, o pesquisador Carlos Souza conta que, embora a queimada seja o método tradicional de limpeza de um terreno após a derrubada da floresta — portanto, prática geralmente inseparável do desmate —, uma estratégia às vezes usada nas operações de desmatamento baseia-se em derrubar as árvores durante a estação chuvosa, mas realizar a queimada meses depois, em tempos de seca. É uma maneira de acelerar essas operações ainda no início do ano, mesmo em lugares em que os temporais impedem que se finalize o procedimento.

A verificação foi feita por: Nexo e Estadão, e validada por outros veículos. Veja aqui a íntegra da verificação.

Vídeo sobre morte na ditadura é usado de forma enganosa para atacar pai de presidente da OAB

Um trecho da entrevista para o programa Dossiê Globo News com o ex-guerrilheiro da ALN (Ação Libertadora Nacional) Carlos Eugênio Paz foi utilizado em um post enganoso no Twitter como sendo uma confissão do assassinato de Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, desaparecido da ditadura militar (1964-1985) e pai do atual presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz.

Na verdade, o trecho da entrevista se refere à participação de Carlos Eugênio Paz na morte de Márcio Leite de Toledo, um dos dirigentes da ALN. A reportagem completa, que foi ao ar em julho de 2012, mostra a entrevista concedida por Paz ao jornalista Geneton Moraes Neto.

Segundo o relatório final da Comissão da Verdade, Fernando Santa Cruz desapareceu em 23 de fevereiro de 1974, no Rio de Janeiro. O documento afirma que Santa Cruz encontraria naquele dia o amigo de infância Eduardo Collier Filho. Antes de sair, ele teria informado que, se não voltasse para casa até o fim da tarde, provavelmente teria sido preso, já que o amigo passava por processo na Justiça Militar.

As circunstâncias do desaparecimento de Santa Cruz ainda são desconhecidas. A Comissão da Verdade concluiu que ele foi “preso e morto por agentes do Estado brasileiro e permanece desaparecido, sem que os seus restos mortais tenham sido entregues à sua família”.

A verificação foi feita por: Metro Brasil e Folha de S.Paulo, e validada por outros veículos. Veja aqui a íntegra da verificação.

 

Você recebeu algum conteúdo sobre políticas públicas que gerou dúvida e gostaria que o Comprova checasse? Envie uma mensagem de WhatsApp para (11) 97795-0022 ou pelo site do Comprova.

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