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Por que a taxa de juros caiu após 16 meses parada

Comitê de Política Monetária do Banco Central reduz Selic em 0,5 ponto percentual e define taxa anual de 6% ao ano, a menor desde 1999

    O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu nesta quarta (31), em reunião realizada em Brasília, reduzir a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual. O novo patamar de 6% ao ano é o mais baixo desde o início do regime de metas da inflação, iniciado em 1999.

     

    A decisão, vista como agressiva, pode impactar positivamente a economia brasileira, que segue em recuperação lenta após a crise que teve como ápice o biênio 2015-16.

     

     

     

    Crescimento econômico

     

    Um dos motivos para o corte da taxa básica de juros é o baixo ritmo da economia brasileira, que caiu 0,2% no primeiro trimestre de 2019 após ter crescido apenas 1,1% em todo o ano de 2018. Desde as quedas seguidas do Produto Interno Bruto brasileiro em 2015 e 2016, a economia do país nunca efetivamente engrenou.

    RECUPERAÇÃO LENTA

     

     

     

    Uma redução dos juros estimula a ampliação do crédito, o que, por sua vez, faz com que mais dinheiro circule na economia. Além disso, os títulos do governo perdem atratividade em termos de retorno de investimento. Como consequência, investimento e consumo crescem, levando ao aquecimento do mercado.

     

    Essa é uma das intenções do Copom quando reduz a taxa de juros. A ideia é criar um estímulo para a economia brasileira, servindo como um choque favorável à intensificação da atividade econômica. A decisão por uma redução de 0,5 ponto percentual confirma o desejo do Banco Central de explorar os instrumentos da política monetária para acelerar a recuperação da economia.

     

    Antes da reunião, a dúvida era se os juros seriam cortados em 0,25 ou 0,5 ponto percentual. O corte mais substancial mostra que a intenção das autoridades monetárias é agir de forma agressiva, aceitando tomar maiores riscos.

     

     

    Inflação

     

    Apesar de a relação entre as duas variáveis não ser um consenso entre os economistas, o Banco Central costuma utilizar a taxa Selic como instrumento para o controle da inflação no Brasil.

     

    Dentro desse raciocínio, o corte da taxa básica de juros, seguido de eventual reaquecimento do mercado brasileiro, resultaria em aumento dos preços. A ideia é que, com a demanda em alta e mais dinheiro em circulação, os preços subam.

     

    A inflação brasileira está em baixa, tendo acumulado 3,7% nos últimos 12 meses. O número está dentro da faixa da meta de inflação definida pelo Banco Central, mas abaixo do centro, definido como 4,25% para 2019. Existe, portanto, espaço para manobra dentro dos objetivos fixados pelas autoridades monetárias. O corte de 0,5 ponto percentual indica que o Banco Central está disposto a explorar esse espaço sem grandes preocupações com o impacto inflacionário.

     

    A INFLAÇÃO E AS METAS

     

     

     

     

     

    Por que os juros não caíam desde março de 2018

     

    Se a economia tem andado a passos lentos e a inflação permanecido controlada, cabe indagar o porquê de o Copom ter passado mais de um ano sem alterar a taxa de juros básica.

    TRAJETÓRIA DA SELIC

    Conforme registrado na ata da reunião anterior do Comitê, realizada em junho de 2019, o avanço das reformas promovidas pelo governo Bolsonaro seria determinante para a formação de expectativas e, subsequentemente, para as políticas promovidas para a economia brasileira.

     

    “O Comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes”, consta na ata.

     

    O corte da taxa de juros vem pouco depois da aprovação da reforma da previdência pela Câmara dos deputados. As tentativas falhas de reformar o sistema público de aposentadoria teriam sido um dos motivos por trás do tempo de tomada de ação do Comitê de Política Monetária.

    A decisão de manter a taxa de juros no mesmo patamar por tanto tempo rendeu críticas ao Copom.

     

    Expectativas para o restante de 2019

     

    No início desta semana, as expectativas do mercado eram de que a taxa de juros seguirá caindo, até chegar a 5,50% ao ano em dezembro. Ao mesmo tempo, os agentes do mercado esperam que a inflação suba, terminando 2019 com aumento de 3,80% nos preços ao longo do ano.

     

    Dentro desse contexto, os agentes ouvidos pelo Banco Central na construção do relatório Focus, que compila as expectativas sobre a economia brasileira, acreditam em uma retomada do crescimento do PIB nacional.

     

    Espera-se que o Produto Interno Bruto brasileiro cresça 0,82% em 2019, superando, desta forma, o início ruim, com queda de 0,2% no primeiro trimestre.

     

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