Por que os games antigos voltaram à moda

Empresas têm apostado no relançamento de títulos e consoles dos anos 80 e 90

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    Nos últimos anos os videogames conseguiram atingir um patamar de realismo gráfico que simula, nos mínimos detalhes, mundos reais ou que poderiam ser reais.

    Ao mesmo tempo em que os gráficos se tornam mais avançados, um nicho da comunidade gamer vem ganhando cada vez mais força: os adeptos de jogos e consoles antigos, que, ao serem remasterizados ou relançados em edições especiais ao redor do mundo, tornam-se grandes sucessos de vendas.

    Mercado em ascensão

    Em 2016, a Nintendo, uma das principais empresas do mercado, lançou uma versão do NES, console lançado em 1985, completamente funcional para as televisões atuais. No final de 2018, mais de 10 milhões de unidades já tinham sido vendidas.

     

    Em dezembro de 2018, a Sony lançou uma versão em miniatura do primeiro PlayStation. O console vendeu cerca de 120 mil unidades no Japão em quatro semanas.

    A franquia “Crash Bandicoot” surgiu em 1996, trazendo as diversas aventuras de Crash, um roedor geneticamente modificado. Uma remasterização dos três primeiros jogos da saga foi lançada para os consoles atuais em 2017. Segundo a desenvolvedora Activision, 10 milhões de unidades foram vendidas ao redor do mundo até o final de 2018.

    O público alvo dessas iniciativas são, principalmente, pessoas mais velhas que se afastaram dos games, mas possuem alguma relação afetiva com eles.

    De volta para o passado

    Segundo Celia Pearce, doutora em estudos da cultura digital pela Universidade Northeastern, em Boston, nos Estados Unidos, o retorno de jogos antigos está totalmente relacionado com a nostalgia.

    Em seu artigo “The truth about Baby Boomer gamers: A study of over-forty computer game players”, na qual analisa os gamers com mais de 40 anos de idade, ela identifica que a nostalgia e a memória afetiva com um título são parte importante da experiência desses jogadores.

    Tim Wulf, doutor em psicologia pela Universidade de Colônia, na Alemanha, argumenta em um artigo que a nostalgia causada pelos jogos está diretamente relacionada com o senso de identidade dos gamers.

    Para Wulf, a retomada de jogos antigos pode ser fator determinante para que um indivíduo que estava distante desse mundo possa retomar sua própria identidade gamer e que volte a ser abraçado, depois de mais velho, por essa comunidade.

    Games atuais, mas com o jeitinho de antigamente

    Além de edições especiais que emulam consoles antigos, o mercado de games também está apostando em jogos com gráficos de ponta, mas com o jeitinho dos jogos de antigamente.

    Um exemplo do segundo tipo é a franquia “Dark Souls”, produzida pela empresa japonesa From Software, que coloca o jogador em um mundo de fantasia onde ele tem que enfrentar criaturas gigantescas e poderosas, em desafios que se tornam cada vez mais difíceis.

    Outro título que faz sucesso é  “Cuphead”, um jogo que, assim como “Dark Souls”, é difícil de jogar (algo valorizado por parte dos gamers) e que traz uma estética que emula os desenhos animados dos anos 30.

     

    Tim Wulf também aponta que a nostalgia sentida por essa comunidade, que ele chama de retrogamer, não vem somente de reproduções e novas edições de jogos antigos tal qual eles foram no passado.

    Para ilustrar, ele usa o exemplo de “Pokémon Go”, game mobile (para celulares e tablets) lançado em 2016 que, apesar de usar tecnologias atuais, deixou os gamers nostálgicos por ter um clima muito parecido com os primeiros games da franquia dos monstrinhos, lançados para o GameBoy da Nintendo no final dos anos 90.

     

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