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3 boatos verificados nesta semana para você ficar de olho

O ‘Nexo’ integra o Comprova, coalizão de 24 veículos jornalísticos que em 2019 busca combater a desinformação sobre políticas públicas

    As redes sociais são um importante meio de comunicação tanto para os cidadãos quanto para os governos, ao divulgar e esclarecer políticas públicas. Mas nelas também se proliferam posts, imagens e vídeos fabricados, manipulados ou retirados de contexto para favorecer ou prejudicar visões políticas. É um ambiente em que conteúdos podem ser disseminados rapidamente, sem preocupações com fonte e veracidade.

    Para combater a desinformação na política surgiu o Comprova, do qual o Nexo faz parte. A iniciativa, que está na segunda etapa, é resultado de uma coalizão entre 24 diferentes veículos de comunicação brasileiros para identificar e apurar informações enganosas ou deliberadamente falsas disseminadas sobre políticas públicas em âmbito federal.

    Abaixo, selecionamos três verificações feitas pelo Comprova na semana que passou. Confira:

    Montagem usa foto dos anos Lula para dizer que obra na BR-163 é do governo Bolsonaro

    Duas fotos autênticas da BR-163, rodovia que liga o município de Tenente Portela (RS) a Santarém (PA), estão sendo utilizadas em uma montagem com informações falsas que circula pelas redes sociais.

    A primeira foto mostra a estrada enlameada e com ônibus e caminhões tendo dificuldade para se locomover. Os autores da montagem atribuem a situação aos governos de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-2016), ambos do PT. O Comprova apurou que a foto foi capturada em 2017, durante a gestão de Michel Temer (MDB).

    A segunda imagem mostra máquinas que trabalham no asfaltamento da pista. A obra é creditada a Jair Bolsonaro (PSL), cujo governo iniciou em 2019. A foto, contudo, é de 2008, ano em que Lula era presidente.

    A pavimentação e duplicação da BR-163, importante via de escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste para o Norte, é tema recorrente em manifestações públicas de Bolsonaro. Não é a primeira vez que obras na rodovia são erroneamente atribuídas ao atual governo.

    A verificação foi feita por: UOL e piauí, e validada por outros veículos. Veja aqui a íntegra da verificação.

    Postagens atribuem erroneamente a Bolsonaro suspensão de benefício (BPC) ocorrida no governo Temer

    Um vídeo de uma mãe que carrega o filho com deficiência no colo e protesta contra a suspensão do Benefício de Prestação Continuada (BPC) que recebia está sendo utilizado de forma enganosa em redes sociais para acusar o governo Bolsonaro pelo fim do pagamento.

    Ao Comprova, Izabel Ferreira da Silva, a mulher que aparece no vídeo, contou que a suspensão do benefício do filho Israel foi determinada em outubro de 2018, durante o governo de Michel Temer (MDB). A razão da suspensão foi a renda familiar dos dois (na época, R$ 1.240,00), que ultrapassava o teto (¼ de salário mínimo per capita) permitido em lei. Procurado, o INSS, responsável pelo BPC, confirmou as informações.

    Anunciada em outubro, a suspensão do BPC de Israel ficou marcada para julho de 2019. Izabel contou que publicou o vídeo no fim de junho em um “momento de desespero”, percebendo que sem o benefício teria dificuldades para cuidar do filho. Com o protesto, ela diz buscar que autoridades promovam mudanças na lei, mas ressalta que não gravou o desabafo com o propósito de responsabilizar o atual governo.

    A verificação foi feita por: Nexo, Poder360, BandNews FM e SBT, e validada por outros veículos. Veja aqui a íntegra da verificação.

    Postagem sobre mortes de pedreiros e policiais federais minimiza rotina de risco dos agentes

    Após a amenização de regras para aposentadoria de policiais na proposta de reforma da Previdência, o conteúdo de um tuíte que compara o número de mortes e o salário de pedreiros e servidores da Polícia Federal (PF) viralizou nas redes sociais. A publicação cita dados corretos sobre as duas profissões, mas desconsidera outros aspectos relacionados à periculosidade de ambas as atividades.

    A postagem informa que não houve mortes de policiais federais em 2017, enquanto, no mesmo ano, 85 pedreiros e pintores morreram apenas por choques elétricos, segundo associação que contabiliza os casos. A Galeria de Heróis da Academia Nacional de Polícia mostra que, de fato, o registro mais recente de óbito de policial federal é de 2015.

    Apenas dois dados, no entanto, não contam toda a história da periculosidade dessas duas profissões. Entre policiais federais, o índice de suicídio é seis vezes maior que o do restante do país, por exemplo. Além disso, uma pesquisa aponta que agentes relatam riscos à saúde física ou mental associados ao serviço, como agressões e ameaças de morte vindas de condenados ou suspeitos de atividades ilícitas.

    Um estudo de 2012 aponta que, para pedreiros, os fatores são a exigência excessiva de esforço físico, atividades em condições improvisadas e exposição a intempéries. A pesquisa também destaca a estigmatização social desses trabalhadores e a predominância de vínculos primários de trabalho. Segundo o Anuário Estatístico da Previdência Social, houve ao menos 30.025 acidentes de trabalho no setor da construção em 2017, 5,4% do total contabilizado no ano.

    A verificação foi feita por: Estadão e piauí, e validada por outros veículos. Veja aqui a íntegra da verificação.

    Você recebeu algum conteúdo sobre políticas públicas que gerou dúvida e gostaria que o Comprova checasse? Envie uma mensagem de WhatsApp para (11) 97795-0022 ou pelo site do Comprova.

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

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