Este site mapeia os livros mais usados em universidades pelo mundo

Plataforma reúne mais de 6 milhões de programas de disciplinas, com origem em instituições de ensino de 79 países

 

Lançado em 2016 por pesquisadores da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, o Open Syllabus Project se dedica a coletar dados publicados em sites de universidades e utilizá-los para descobrir quais referências vêm sendo mais usadas nas salas de aulas.

Isso é feito a partir da análise de mais de 6 milhões de programas de disciplinas, coletados nos sites das instituições de ensino, e organizadas no site do projeto, em inglês. Nos programas, professores descrevem aquilo que planejam abordar no decorrer do semestre.

Cerca de metade das informações coletadas pelo Open Syllabus são dos Estados Unidos, enquanto as demais se dividem por 79 países. É possível pesquisar os livros mais requisitados por professores por universidade, campo de estudos ou país.

O levantamento não inclui, no entanto, o Brasil. Isso porque o país aparece em relatórios internacionais como um lugar em que há risco para a comunidade acadêmica.

Uma dessas bases de dados, o Academic Freedom Monitoring Project, lista entre os eventos preocupantes no Brasil as ações de autoridades policiais em universidades durante as eleições presidenciais de 2018, no geral com a justificativa de impedir suposta propaganda eleitoral irregular.

De acordo com o Syllabus Project, até julho de 2019 as cinco obras mais abordadas nos programas de cursos foram:

  • ”Os Elementos do Estilo”, de William Strunk Jr
  • "Referência do escritor”, de Diana Hacker
  • “Cálculo”, de James Stewart
  • “Anatomia e Fisiologia Humanas”, de Elaine Nicpon Mrieb
  • “A República”, de Platão

O livro no topo da lista, “Os Elementos do Estilo”, foi publicado pela primeira vez em 1919, para uso interno na Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, onde Strunk Jr. lecionava inglês.

Trata-se de um guia de estilo que aborda formas de escrever melhor. Em um trecho famoso, Strunk Jr. defende a concisão.

“A escrita vigorosa é concisa. Uma frase não deve conter palavras desnecessárias, um parágrafo não deve conter frases desnecessárias, pelo mesmo motivo de que um desenho não deva conter linhas desnecessárias, e uma máquina, partes desnecessárias. Isso não requer que o escritor escreva apenas frases curtas, ou que evite detalhes e trate seus temas apenas de forma geral, mas sim que faça toda palavra dizer algo”

William Strunk Jr, em “Os Elementos do Estilo”

Ao clicar no nome de cada um dos livros de sucesso, o Syllabus Project traz informações sobre o tipo de disciplina em que as obras são usadas. “Os Elementos do Estilo”, por exemplo, é muito recomendado em cursos de literatura inglesa, mas também nas disciplinas de ciências políticas e ciências da computação.

O site também disponibiliza uma espécie de mapa interativo, em que círculos representam os principais livros utilizados em cada área. Mais de 164 mil obras são organizadas no mapa. Em economia, por exemplo, é possível observar um grande círculo com a obra “Princípios da Microeconomia”, de Gregory Mankiw, muito popular também no Brasil. Em literatura, “Frankenstein”, da britânica Mary Shelley.

O 49º título mais indicado no conjunto de todas as disciplinas é “Pedagogia do Oprimido”, do educador brasileiro Paulo Freire. Em 2016, Freire era o terceiro pensador mais citado em trabalhos acadêmicos do mundo, segundo um levantamento da plataforma Google Scholar.

 

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