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Qual a diferença entre animação e live-action

Lançamento da nova versão de ‘O Rei Leão’ trouxe de volta debate sobre diferença entre as técnicas

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    Com a estreia da nova versão de "O Rei Leão" nos cinemas nesta quinta-feira (18), usuários de redes sociais revisitaram uma discussão que já vinha sendo feita desde o lançamento do primeiro trailer do longa, oito meses antes: afinal, o filme é uma animação ou se trata de uma produção live-action?

    A diferença conceitual entre as técnicas

    O dicionário de Cambridge define uma produção live-action da seguinte forma: “ação que envolve pessoas e animais reais, e não modelos, imagens desenhadas ou geradas por computador”.

    A animação, por sua vez, é definida como uma série de imagens em movimento, desenhadas, modeladas ou geradas por computador.

    Com o desenvolvimento da tecnologia, as produções audiovisuais passaram a misturar as duas técnicas, a fim de criarem sequências, cenários e seres que não existem no mundo real, ou que são muito difíceis de serem desenvolvidas de maneiras tradicionais.

    Onde ‘O Rei Leão’ se encaixa?

    As discussões sobre onde a nova versão de "O Rei Leão" se encaixa entre essas definições começou assim que o primeiro trailer do longa foi lançado em novembro de 2018, e revivida na estreia do filme.

    A nova versão de "O Rei Leão" foi desenvolvida a partir de uma técnica chamada “Produção Virtual”. Segundo a Weta Digital, empresa responsável pela tecnologia, a PV permite que um diretor trabalhe em um estúdio real, mas visualize, ao vivo, o resultado criado por computador. Nesse caso, isso foi feito através de óculos de realidade virtual.

    O processo serve para que a equipe criativa e o elenco tenham uma ideia de como será o resultado final já no momento da gravação. Até então, as imagens geradas por computador eram vistas somente no processo de pós-produção.

    “Com a Realidade Virtual, os atores podem entrar numa cena já vendo o ambiente, os outros atores”, disse Rob Legato, supervisor de efeitos visuais de “O Rei Leão”, ao site The Hollywood Reporter.

    A definição de "O Rei Leão" divide profissionais da área. O cartunista e animador Daniel Spenser se posicionou no Twitter dizendo que mesmo em se tratando de uma produção com visual que imita animais reais nos mínimos detalhes, o filme não deixa de ser uma animação, já que foi inteiramente produzido com imagens geradas em computador.

    Por outro lado, Rafael Ribas, cineasta brasileiro que dirigiu a animação “Lino: uma aventura de sete vidas”, indicado ao prêmio de Melhor Animação no Platino Awards em 2018, acredita que "O Rei Leão" é um live-action, mesmo tendo sido feito inteiramente por computador.

    “Um filme de super-heróis, por exemplo, tem um volume grande de animações e cenários virtuais, mas continuamos chamando de live-action”, disse ao Nexo. “É uma estética live-action, esse era o objetivo da Disney: criar live-actions de suas animações mais famosas”, acrescenta.

    Para Favreau, sua produção não se encaixa em nenhum dos dois termos. “Depende de quais definições você vai usar”, disse o cineasta ao site /Film. “Não temos animais reais, não temos câmeras, não existe uma captura de performance. Tudo vem das mãos dos artistas. Dizer que é uma animação não é apropriado, mas chamar de live-action também não o é. Eu não sei como vamos chamar”, acrescentou.

    Mesmo defendendo que "O Rei Leão" se trata de um live-action, Ribas segue a linha de Favreau e defende que seja criado um novo termo para esse tipo de produção.

    Uma estética que divide críticos

    Independentemente da definição que é dada ao longa, a escolha por um visual fotorrealista para "O Rei Leão" desagradou parte da crítica especializada. Um comentário que se repete em textos publicados no agregador Metacritic, que une textos de vários veículos de comunicação, é a de que, apesar de visualmente surpreendente, “falta vida” no filme.

    A afirmação foi abraçada por Maureen Furniss, doutora em história, especializada em animação e diretora do Instituto de Artes da Califórnia. Falando à revista Vanity Fair, ela afirmou que a animação tradicional permitia que os artistas envolvidos no projeto incluíssem sua própria assinatura e estilo nos personagens, algo que está presente na Disney desde a época dos “Nove Anciões”, apelido dado ao grupo de animadores que inaugurou as atividades do estúdio em 1932.

    Na mesma reportagem, Norman Klein, historiador da mídia, reiterou o ponto dado por Furniss. “Como você pode fazer algo artesanal com um animal da [revista] National Geographic?”, disse.

    Por outro lado, críticos que gostaram do visual de "O Rei Leão" apontaram que o longa traz um grande avanço tecnológico nos efeitos digitais, explorando um “fotorrealismo que nunca foi visto antes”.

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