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O que é a Área 51. E como ela aparece na cultura pop

Fundada em 1955, base aérea nos EUA se tornou parte de várias teorias da conspiração e apareceu em vários filmes e seriados

Na primeira quinzena de julho de 2019, cerca de 1,4 milhão de pessoas confirmaram presença em um evento criado de brincadeira no Facebook para se invadir a Área 51, base aérea localizada em Nevada, nos EUA.

O local é fortemente protegido, e os militares têm permissão para atirar em qualquer um que tente entrar no perímetro. Os autores da piada acreditam que não é possível deter tanta gente ao mesmo tempo.

Mas por que “invadir” uma área militarizada? O plano fictício é entrar nos prédios e resgatar alienígenas que estariam presos por lá, conforme boatos que circulam desde os anos 50, quando a base foi criada.

Mesmo se tratando de uma brincadeira, as Forças Armadas não gostaram da repercussão. Em comunicado oficial, disseram que estão prontos para “defender a América e seu patrimônio”.

A origem da Área 51

Localizada ao sul do lago Groom, a Área 51, cujo nome oficial é Aeroporto Homey, passou a ser usada pela CIA, a agência de inteligência americana, em 1955.

Originalmente, o local serviu para o desenvolvimento do Lockheed U-2, avião de reconhecimento que, ao sobrevoar Cuba em 1962, detectou a presença de silos feitos para abrigar mísseis nucleares, deflagrando a Crise dos Mísseis de Cuba, um dos eventos mais tensos da Guerra Fria.

Não se sabe a origem do nome “Área 51”. Uma versão, defendida pela autora Annie Jacobsen no livro “Area 51: The Uncensored History of America’s Top Secret Military Base”, diz que o nome veio a partir do sistema de numeração de regiões geográficas da Comissão de Energia Atômica dos EUA.

Por estar próximo da área de testes nucleares de Nevada, denominada “Área 15”, o nome informal do Aeroporto Homey se tornou “Área 51”.

Mesmo sendo um nome não-oficial, o termo “Área 51” é citado em um documento da CIA, já tornado público, na época da Guerra do Vietnã.

Com o passar dos anos, a base abrigou o desenvolvimento de outras tecnologias militares, como os aviões de reconhecimento D-21 e F-117. Oficialmente, o Aeroporto Homey é usado até os dias de hoje para testes de aeronaves das forças armadas americanas. Porém, foi com uma série de teorias da conspiração que o local ganhou fama.

Os boatos sobre alienígenas

As teorias da conspiração envolvendo a Área 51 começaram assim que a base começou a operar, em 1955. Moradores da região passaram a reportar avistamentos de OVNIs, Objetos Voadores Não Identificados, sobrevoando o local.

Eram os Lockheed U-2, mas os conspirólogos da época começaram a divulgar teorias que apontavam que a base aérea abrigava tecnologia extraterrestre, bem como os restos do que teria sido encontrado no Caso Roswell.

O Caso Roswell aconteceu em 1947, no estado Novo México. À época, um balão de grandes altitudes desenvolvido pelo projeto Mogul, da Força Aérea dos EUA, caiu na cidade de Roswell.

Por se tratar de um projeto secreto e com um formato pouco convencional, a população local passou a acreditar que se tratava de um disco voador, algo que foi fomentado pelo principal jornal da cidade.

 

Diversos livros sobre Roswell foram escritos nas décadas seguintes, fazendo com que o incidente passasse a povoar o imaginário popular dos EUA, sempre relacionado à suposta existência de vida extraterrestre e discos voadores.

Rumores e teorias sobre a Área 51 aumentaram exponencialmente ao longo dos anos, reforçados por toda a confidencialidade que cerca a base aérea. O sigilo é tão grande que a CIA só reconheceu a existência do Aeroporto Homey em 2013, após o então presidente Barack Obama se tornar o primeiro presidente a falar publicamente sobre as instalações.

A Área na cultura pop

A abundância de teorias da conspiração sobre a Área 51 fizeram com que a base se tornasse parte da cultura popular, aparecendo em filmes, séries de TV e videogames.

Uma das principais obras que joga com a suposta existência de alienígenas na Área 51 é o seriado “Arquivo X”, que, em dois episódios, coloca seus dois protagonistas, agentes do FBI que investigam fenômenos extraordinários, dentro da base.

Outro produto da cultura pop que se baseou nas teorias envolvendo o local é o filme “Independence Day”, na qual é revelada um esforço do governo dos EUA para se esconder a existência de vida extraterrestre na Área 51.

Além dessas duas produções, o Aeroporto Homey dá as caras no longa “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”. Os videogames “GTA: San Andreas” e “Deus Ex” também fazem referência ao local.

A Área 51 brasileira

Entusiastas brasileiros da ufologia apelidaram o Instituto de Química da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) como a “Área 51 brasileira”.

O local seria, entre os adeptos da teoria conspiratória, o principal centro de pesquisas sobre a vida extraterrestre no país, e abrigaria os restos do extraterrestre do Caso Varginha desde o ocorrido, em 1996.

Em 2017, por meio de de uma nota oficial, a Unicamp chegou a ir a público a fim de negar os rumores que cercam o prédio do Instituto de Química.

 

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