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Antes de ‘La Casa de Papel’: conheça a história de ‘Bella Ciao’

Música foi usada como hino de resistência durante os anos do fascismo na Itália. No Brasil, já ganhou várias versões e usos

     

    A terceira temporada do seriado “La Casa de Papel” chega à Netflix na sexta-feira (19). A produção espanhola, popular no mundo todo, tem como um de seus pontos narrativos a música italiana “Bella Ciao”.

    A canção passou a ser entoada mundialmente, virando funk no Brasil e forma de protesto contra o governo de Donald Trump nos EUA. Porém, sua história é muito mais antiga.

    Da origem incerta à popularização

    Não é possível precisar em que momento “Bella Ciao” surgiu. Uma versão diz que a melodia da canção surgiu a partir de “Oi oi di Koilen”, peça de acordeão composta pelo músico ucraniano Mishka Ziganoff em 1919. Outra diz que ela já era cantada por trabalhadores dos campos de arroz italianos no século 19.

    “Bella Ciao” tem como protagonista um homem que está se despedindo de sua amada porque sente que será morto em breve. Ele tenta tranquilizá-la, dizendo que está partindo para se tornar uma “flor da Resistência que morreu pela liberdade”.

    Apesar da origem incerta, a música se tornou popular durante a Segunda Guerra Mundial, entoada por membros da Resistência que desejavam se opor ao Partido Fascista de Benito Mussolini. Em “La Casa de Papel”, é dito que o avô do Professor, um dos protagonistas da trama, lutou contra o regime.

    Nos anos recentes, a canção foi usada na Itália como oposição ao governo de Silvio Berlusconi, sendo cantada na ocasião da renúncia do ex-primeiro-ministro, em 2011.

    Em 2013, foi entoada em Istambul, no protesto do parque Gezi, que tinha como demandas a preservação do local e o fim da violência policial na Turquia. Um ano depois, apareceu nas manifestações pró-democracia em Hong Kong.

    Já em 2018, manifestantes da Argentina criaram uma nova letra para “Bella Ciao”, se posicionando contra a política econômica do presidente Mauricio Macri.

    No Brasil versões da música circularam nos mais diferentes espectros políticos durante as eleições de 2018, dos apoiadores do hoje presidente Jair Bolsonaro a opositores do então candidato. Fora do âmbito político, uma paródia pôde ser ouvida nos jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo da Rússia.

     

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