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A trajetória do Fusca até a fabricação de sua última unidade

Modelo surgiu na Alemanha nazista e se tornou sucesso mundial na segunda metade do século 20

    Beetle, Vocho, Escarabajo, ou simplesmente Fusca. Esses são alguns dos nomes do carro que deu seu adeus final em 11 de julho, com o fechamento da última linha de montagem do modelo no México.

    O fim do Fusca contou com uma celebração do histórico do modelo. Os funcionários da fábrica da Volkswagen usaram camisetas com as palavras “Obrigado, Fusca” e celebraram os 81 anos de história do automóvel que, entre 1978 e 1981, teve 20 milhões de unidades vendidas no país latino-americano. No México, o Fusca foi o veículo oficial das companhias de táxi por 30 anos.

    As oito décadas de história

    A trajetória de sucesso do Fusca começou na Alemanha nazista, em 1934. Adolf Hitler, então führer do regime, encomendou o desenvolvimento de um “carro do povo” volkswagen, em alemão que acabou caindo nas mãos de Ferdinand Porsche. Anos antes, o engenheiro havia fundado a Porsche. Para o projeto, a Frente Alemã para o Trabalho, um dos órgãos do Partido Nazista, fundou a Volkswagen.

    Porsche acreditava que um automóvel popular deveria ser leve e transportar até cinco pessoas, além de alcançar e manter velocidades de até 100 km/h. Ele concluiu o primeiro protótipo do Fusca em 1936, com design baseado no Typ 12, modelo de automóvel projetado pelo engenheiro em 1931.

    Em 1938, o Fusca começou a ser produzido apenas para o mercado alemão, e foi vendido de forma modesta para a elite do país durante a Segunda Guerra Mundial. Com o fim do conflito em 1945, militares britânicos assumiram o controle da fábrica da Volkswagen e encomendaram a fabricação de 20 mil unidades do carro, em uma tentativa de retomar o desenvolvimento da economia alemã nos anos que sucederam à guerra.

    O Fusca chegou a outros países a partir de 1947, ano em que o modelo foi exportado para Holanda, Bélgica, Suíça e Dinamarca. Dois anos depois, o carro foi lançado nos Estados Unidos, onde a economia fervilhante do pós-guerra impulsionou as vendas. Em 1955, a milionésima unidade do Fusca foi produzida.

    Presente desde 1949 nas Américas, o Fusca se tornou um sucesso de vendas nos países latinos, principalmente por conta de seu preço popular. No México, foi inaugurada uma fábrica na cidade de Puebla e, em 1973, um terço das vendas de automóveis no país eram de Fuscas. A produção mexicana do modelo original durou até 2003.

    No Brasil, o Fusca chegou em 1953, com fabricação nacional a partir de 1959 na cidade de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. A produção brasileira do automóvel foi interrompida em 1986, retomada em 1993 e encerrada permanentemente em 1996.  

     

    Com cada vez mais concorrência de modelos populares no mercado, como o Toyota Corona e o Ford Escort, as vendas do Fusca nos EUA e na Europa começaram a cair no começo dos anos 1970. A produção foi encerrada nesses pólos em 1977 e 1985, respectivamente.

    O retorno de luxo

    Por ser um modelo popular e querido, em 1997 a Volkswagen decidiu lançar um sucessor direto do Fusca e apresentou o New Beetle. Diferentemente de seu antecessor, o modelo não era popular e trazia muitas características dos carros de luxo da época como direção hidráulica, câmbio automático e air bags.

    As vendas do New Beetle não foram tão expressivas quanto a do Fusca original e, em 2011, a Volkswagen lançou uma nova versão, o VW Beetle, com um design muito similar ao seu antecessor.

     

    Mais uma vez, as vendas não foram expressivas, com 15 mil unidades vendidas nos EUA em 2017. Por conta disso, em 2018 a Volkswagen anunciou que o carro deixaria de ser produzido em 2019, encerrando a trajetória iniciada por Porsche nos anos 1930.

    “Se não vamos mais ver a silhueta do Fusca, precisamos nos certificar que os que ainda existem sejam preservados, para que ele nunca morra”, disse Arturo Díaz, um fã do Fusca que compareceu à despedida do modelo no México.

    O Fusca na cultura popular

    Com o sucesso mundial, o Fusca se tornou parte da cultura popular da segunda metade do século 20.

    O carro estrelou os seis filmes da franquia “Herbie”, entre 1968 e 2005, e serviu de base para a criação de Bumblebee, o principal robô da saga “Transformers”. Além disso, apareceu, mesmo que brevemente, em longas como “Footloose - Ritmo Louco” e “O Dorminhoco”.

     

    No Brasil, o Fusca apareceu em novelas como “Pecado Mortal”, de 2013, e tem presença frequente na atual “Verão 90”. Também foi citado em músicas como “Fuscão Preto”, de Almir Rogério; “Rap do Fusquinha”, do Bonde do Tigrão; e “Vou de Fusca”, do sertanejo Daniel.

    ESTAVA ERRADO: O título inicial deste texto apontava o fechamento da fábrica da Volkswagen, quando na verdade o que ocorreu foi o fim da linha de montagem do Fusca. A informação foi corrigida às 15h de 16 de julho de 2019.

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