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A cidade-condomínio de um milhão de habitantes no Paquistão

Projeto ergue cidade paralela a Karachi, que tem altos índices de criminalidade, trânsito congestionado e cortes de energia. Serviços são todos privatizados no empreendimento

     

    Para muitos habitantes de grandes cidades ao redor do mundo com melhores condições econômicas, migrar para bairros ou cidades-condomínio onde tudo funciona tem sido a solução para escapar da violência e da desorganização urbana.

    Um dos maiores projetos nesse sentido está surgindo no Paquistão. Ao lado da cidade de Karachi, cuja mancha urbana abriga perto de 20 milhões de habitantes, o empreendimento de Bahria Town está sendo construído desde 2015. Prometendo “grama macia e alta classe”, Bahria terá campo de golfe profissional, o maior estádio de críquete e a terceira maior mesquita do mundo.

    O local foi projeto para conter um milhão de habitantes em diversos tipos de unidades, de apartamentos de dois quartos a “casas de fazenda”. O público-alvo são pessoas de classes média e alta que buscam sair de Karachi, uma cidade com altos índices de criminalidade, trânsito congestionado e cortes de energia.

    Na nova cidade, água, gás e eletricidade virão de fornecedores privados. A principal fornecedora de energia de Karachi construirá uma usina de 600 MW exclusivamente para o empreendimento.

    As ruas também serão administradas por uma empresa particular. Imitações reduzidas de ícones urbanos mundiais, como o Partenon, em Atenas, e a Torre Eiffel, em Paris, podem ser encontrados no local.

    Com 178 quilômetros quadrados de área, Bahria Town é um pouco maior que o município de Santo André, na Grande São Paulo. Ele é dez vezes maior que o bairro planejado de Alphaville, em São Paulo. O custo total do projeto é de pouco mais de US$ 1 bilhão.

    A iniciativa é de Malik Riaz, empresário do ramo imobiliário e um dos dez homens mais ricos do Paquistão. Além do projeto em Karachi, existem Bahria Towns construídas ou em construção em outras grandes cidades paquistanesas.

     

    O projeto foi acusado de tentar varrer à força comunidades rurais pobres que vivem na área do empreendimento. Segundo habitantes locais, um acordo foi firmado com a incorporadora em que partes de suas terras seriam vendidas por uma parte em dinheiro e acesso aos novos serviços de luz, água e gás. O combinado não foi cumprido pela empresa. Dois anos depois, escavadeiras apareceram para tentar derrubar as casas.

    Em dezembro de 2018, a suprema corte do Paquistão embargou as obras depois de julgar que boa parte do terreno havia sido conseguida de forma ilegal. Em março de 2019, a construção foi retomada.

    A megacidade do Paquistão

    A população de Karachi cresceu exponencialmente nas últimas décadas. Em 1991, cerca de 5,7 milhões de pessoas moravam na cidade. Em 2000, já eram quase 10 milhões. Segundo números de 2016, a cidade em si abriga aproximadamente 16 milhões, mas quando se inclui toda a área urbana em volta o número sobre para 23 milhões de habitantes.

    A cidade é o sétimo maior aglomerado urbano do planeta e o maior do mundo islâmico. Entre as megacidades, termo usado para as cidades do mundo com mais de 10 milhões de habitantes, Karachi é a terceira mais densa. Fica atrás apenas de Daca, em Bangladesh, e Mumbai, na Índia.

    Karachi sofre com falta crônica de água, embora seja uma cidade costeira. A metrópole precisa de 5 bilhões de litros por dia, mas a falta de água chega a 3,5 bilhões de litros por dia. Cerca de 40% da água que circula se perde por vazamentos.

    Antiga capital do Paquistão, a cidade é a mais cosmopolita do país e moradia de diversos grupos étnicos. Alguns dos eventos e instituições culturais mais relevantes do país se situam em Karachi, incluindo o Museu Nacional do Paquistão, o Festival de Cinema de Kara e a conferência musical All Pakistan.

    Segundo as Nações Unidas, existiam 33 megacidades no mundo em 2018. Em 2030, elas devem ser 43.

     

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