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Este museu nos EUA é dedicado exclusivamente à arte do pôster

Instituição foca no potencial comunicativo, persuasivo e rápido, desta mídia visual ao longo de sua história, desde o século 19

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    Primeiro museu dos Estados Unidos exclusivamente dedicado à arte gráfica do pôster, a Poster House (a Casa do Pôster, em inglês) foi inaugurada em junho de 2019, em Nova York.

    Por meio de eventos, exposições e publicações, o museu afirma apresentar uma visão global desse tipo de mídia visual, desde suas primeiras aparições, no fim do século 19, até seus usos no presente.

    “Para que um pôster seja bem-sucedido, ele precisa comunicar. Combinando o poder de imagens e palavras, eles falam com o público de maneira rápida e persuasiva. Misturam design, propaganda e arte, claramente refletindo o lugar e o tempo em que foram criados”, diz o site.

    O museu também apresenta uma definição específica para os pôsteres aceitos em seu acervo: interessam comunicados dirigidos ao público. O museu não coleciona pôsteres de arte ou impressões em tiragens limitadas. Isso porque a instituição se dedica a investigar não apenas os aspectos gráficos, mas o impacto público que um pôster tem.

    O aspecto artístico dos pôsteres, no entanto, pode, sim, prevalecer nas exposições promovidas pela Poster House. Em cartaz até outubro de 2019, uma das mostras que inauguram o espaço tem como tema o trabalho de Alphonse Mucha (1860-1939), um dos principais nomes do movimento Art Nouveau. A página da exposição conta com um áudio guia, disponível em inglês, narrado pelo designer Steven Heller.

    Para 2020, já estão previstas uma mostra sobre pôsteres pintados a mão em Gana e outra sobre os cartazes da Women’s March, realizada em Washington, nos EUA, em janeiro de 2017.

    Como surgiu e se popularizou

    A produção e impressão de imagens já foi um processo muito mais trabalhoso e caro. A necessidade de usar prensas gráficas imensas e técnicas complexas de gravura certamente não facilitava o “faça você mesmo”. Um acontecimento no ano de 1796, porém, simplificou esse processo: a invenção da litografia.

    A técnica foi inventada pelo ator e dramaturgo tcheco Alois Senefelder, que buscava um meio barato de imprimir suas peças. Ela consiste em desenhar sobre uma base, que originalmente era feita da rocha calcário, e tratar a superfície com soluções químicas que fixam o desenho nela. A impressão da imagem é feita com uma prensa litográfica, que desliza sobre o papel. 

    No fim do século 19, o uso de placas de zinco no lugar das de pedra passou a permitir a preparação de peças com diferentes cores, para produzir cartazes coloridos e de tamanhos variados, de um jeito fácil e barato.

     A litografia tornou a abordagem de comunicação com o público mais ilustrativa, segundo o livro “A História do Design Gráfico”, de Philip B. Meggs e Alston W. Purvis. A ela é atribuída a massificação do pôster: o período conhecido como a era de ouro do formato se estende da década de 1890 até a Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

    Os designers desses cartazes eram, frequentemente, artistas já conhecidos por sua atuação na pintura ou arquitetura, como o tcheco Alphonse Mucha e o francês Henri Toulouse-Lautrec. Mas o sucesso da estética empregada nos pôsteres construiu uma ponte entre a ideia de arte nobre e elevada dos museus e a cultura visual popular dos cartazes, exposta nos espaços públicos.

    Na definição da enciclopédia Britannica, o pôster foi, politicamente, a mídia visual mais importante antes da ascensão da TV e do cinema.

     

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