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As cabines que devolvem a privacidade ao ambiente de trabalho

Empresas aboliram divisórias para economizar espaço e integrar equipes, mas funcionários sentem falta de momentos individuais

     

    Muitos ambientes de trabalho, hoje, não têm paredes ou divisórias. Todos veem e ouvem todos, a todo momento. Empresas apostam nesse tipo de configuração por acreditar que ele criava espaços mais integrados. Sem repartições, também era possível colocar mais gente trabalhando em determinado espaço.

    Esse é o modelo encontrado em muitas startups do Vale do Silício, por exemplo. Em 2017, uma pesquisa estimou que sete em cada dez escritórios nos Estados Unidos tinham removido suas divisórias.

    Quando começou a ganhar adesão, o desenho aberto se contrapôs aos compartimentos que predominavam em escritórios até a década de 1990. O discurso era de que divisórias isolavam as pessoas, prejudicando as interações humanas.

    Entretanto, com o tempo, a falta de fronteiras criou outros problemas. Em especial, a falta de privacidade e o excesso de distrações e estímulos.

    “São iluminados demais, contrastados demais e o volume é excessivamente alto”, declarou Steve Orfield, chefe de um laboratório de acústica em Minneapolis, EUA, em entrevista ao CityLab. “Tudo neles é desenhado para ser essencialmente o oposto do que o indivíduo gostaria”.

    A falta de espaço próprio é atenuada por meio do uso de fones ouvidos. A comunicação, supostamente facilitada pela ausência de barreiras físicas, acaba em boa parte acontecendo por aplicativos de mensagens como Slack e WhatsApp.

     

    Em muitos locais de trabalho, a sala de reuniões se transforma em espaço privado temporário, para um momento de trabalho concentrado ou telefonema particular.

    Uma pesquisa realizada no Reino Unido apontou que mulheres, em especial, se sentem mais invadidas em ambientes abertos. Segundo uma das entrevistadas, “não há nenhum lugar em que você não se sinta observada”.

    Espaços de refúgio

    Diante da demanda por ambientes mais individuais, um novo mercado ganha impulso entre os americanos: o de cabines e compartimentos móveis (em inglês, "pods" ou "booths"). São peças divisórias para uma, duas ou quatro pessoas. Em geral, elas têm lugar para sentar, tomada, ramal telefônico e uma pequena bancada. A ideia não é usar as cabines de modo permanente, mas sim como refúgio temporário ou para uma atividade específica.

    Alguns dos modelos se assemelham às clássicas cabines telefônicas americanas. A referência é adequada: a possibilidade de fazer uma ligação reservada é uma das limitações dos ambientes de trabalho abertos. Uma empresa chega a oferecer um modelo com uma ilustração do Superman na lateral. Os preços variam entre US$ 3.500 e US$ 16 mil.

    Segundo especialistas, existem quatro pilares da privacidade: sonora, visual, territorial e informacional. Poucos modelos de cabines ou compartimentos atendem todos esses parâmetros. Muitos modelos têm paredes de vidro e não são completamente à prova de som.

    Nos EUA, clientes para esses produtos vão de pequenas startups de tecnologia a gigantes como o banco JP Morgan e a fabricante de roupas esportivas Nike.

    Um local de encontro e coworking de mulheres, The Wing, em Nova York, instalou oito cabines telefônicas. Segundo uma das fundadoras disse ao jornal New York Times, a medida veio em resposta a demandas das usuárias do espaço.

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