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2 dicas relevantes para ler um estudo da área de saúde

Em artigo, pesquisador americano diferencia modelos de trabalho e diz para que eles servem

 

Ler artigos científicos é uma parte essencial das profissões ligadas à área de saúde. Pessoas que sofrem com alguma doença ou que cuidam de alguém e querem se manter informadas também podem recorrer a esses estudos.

Em um artigo publicado na terça-feira (2) no site do National Institutes of Health, o professor Aaron Cypess mostra quais são os tipos de pesquisa e dá dicas sobre como lê-las.

Por exemplo: nem sempre a quantidade de pessoas pesquisadas é o mais relevante em um estudo de ciências biológicas. Há pesquisas que mesmo pequenas cumprem seu propósito. Assim como há pesquisas grandes, com muitos participantes, que não entregam o que prometem.

Cypess apresenta um pequeno roteiro para quem deseja avaliar pesquisas científicas focadas na área médica.

Ele afirma que, antes de tudo, é necessário compreender qual é o tipo de estudo em questão. Na área médica, pesquisas costumam ser classificados em duas categorias principais: estudos observacionais e testes clínicos.

Estudos observacionais: levantando hipóteses

Os estudos observacionais são aqueles em que os pesquisadores não intervêm, mas observam e registram aquilo que ocorre com os pacientes. São trabalhos que servem para coletar informações e, a partir delas, estabelecer hipóteses a serem investigadas.

No campo da medicina, esses estudos podem ser realizados a partir de dados que já são rotineiramente coletados durante o tratamento de pacientes, como seu peso, seus hábitos, idade e altura.

O livro “Princípios e prática da pesquisa clínica”, de 2012, traz um artigo intitulado “Estudo Observacional”, da pesquisadora Laura Lee Johnson, do Departamento dos Estados Unidos para Saúde e Serviços Humanos. O material ressalta que o tamanho dos estudos observacionais pode variar muito. “Pode-se observar pacientes individuais de perto, ou então conduzir um amplo censo, nacional ou internacional”, diz o trabalho.

Um estudo observacional pode, por exemplo, levantar dados sobre hábitos de pacientes obesos e descobrir que eles fazem poucos exercícios, ou que há uma proporção grande deles que fuma.

A partir dessa correlação, é possível levantar a hipótese de que a falta de exercícios e o hábito de fumar contribuem para a obesidade. Apenas essas informações não bastam, no entanto, para estabelecer que há, de fato, uma relação de causa e efeito.

Estudos clínicos: confirmando hipóteses

Já os estudos clínicos não apenas observam, mas intervêm sobre as pessoas, em uma situação controlada. De acordo com Aaron Cypess, o objetivo é confirmar, ou então expandir uma hipótese. Isso pode significar tentar compreender o efeito de determinada prática, ou o funcionamento de certo processo do corpo.

Usando novamente o exemplo da obesidade, estudos clínicos podem, por exemplo, pedir que um grupo de pessoas obesas se exercite.

Depois, esse grupo pode ser acompanhado pelos pesquisadores e comparado com um outro grupo que não se exercita, para analisar se há alguma diferença entre os dois, e tentar comprovar a hipótese de que a falta de exercícios tem impacto no peso.

É comum também que estudos clínicos acompanhem o resultado de intervenções comportamentais, cirúrgicas ou de medicamentos. O objetivo é verificar se as intervenções são efetivas, e se elas causam algum tipo de dano.

No caso de medicamentos, estudos clínicos são normalmente dividios em quatro etapas. Primeiro a droga é testada em animais. Em seguida, sobre um pequeno grupo de humanos. Depois, com pessoas doentes. E por fim, é feito um teste em que o efeito do medicamento sobre um grupo de pessoas é comparado com os efeitos sobre outro grupo, a quem é administrado apenas placebo.

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