Qual a origem dos termos caixa alta e caixa baixa

Surgimento das denominações remonta à época da prensa de Gutenberg, na Europa

 

Há quem use a nomenclatura de teclado CAPSLOCK para se referir às letras maiores em um texto. Outros, preferem os termos maiúsculo e minúsculo. Existe ainda uma alternativa mais técnica, muito utilizada por quem trabalha com texto de forma profissional: caixa alta e caixa baixa.

A origem destes dois termos, caixa alta e caixa baixa, remonta à época da primeira prensa tipográfica, criada pelo ourives alemâo Johannes Gutenberg no século 15. E é absolutamente prosaica.

Foto: Reprodução
caixas tipográficas
Ilustração de caixas tipográficas encontrada no livro 'Printing types, their history, forms, and use', de Daniel Berkeley Updike, de 1922
 

Nas oficinas, as letras de metal usadas nas impressões ficavam organizadas em compartimentos, localizados em duas divisões maiores. Uma caixa tipográfica, com as letras grandes, ficava mais acima. A segunda caixa, com as letras menores, se situava logo abaixo.

Em inglês, os termos também dizem respeito a esse sistema de organização. São utilizadas as denominações “upper case” e “lower case”.

A história da tipografia

A impressão feita com tipos móveis já era utilizada pelos chineses e coreanos. Ideogramas eram talhados em madeira e usados na produção de livros sagrados.

Uma das principais inovações de Gutenberg foi usar tipos feitos de metal para transferir e fixar tinta em alguma superfície. Com isso, a transferência e fixação de tinta podia ser realizada centenas de vezes. O metal também permitia uma uniformidade maior nos resultados da impressão, reduzindo imperfeições nas letras.

 

Seu primeiro “best-seller” foi uma versão da Bíblia Sagrada, terminado em 1455, segundo estimativas de historiadores. O inventor acreditava que seu equipamento seria uma maneira eficiente de “espalhar a palavra de Deus”.

Paginada com a técnica do texto justificado (que prevê colunas em que todas as linhas de texto terminam no mesmo ponto), a Bíblia de Gutenberg demandou um conjunto de 290 tipos, incluindo letras, símbolos e pontuações. Tinha 1282 páginas.

Com boa qualidade e custos razoáveis, o processo de impressão criado por Gutenberg foi rapidamente adotado por toda a Europa. Chegou na Itália em 1464, na França em 1470 e em Portugal em 1489. Nas Américas, a primeira impressora aparece no México, em 1539. Nos Estados Unidos, apareceu cerca de um século depois, em 1638.

A novidade chegou ao Brasil quase 300 anos depois de seu surgimento na Alemanha. A iniciativa foi do tipógrafo português Antônio Isidoro da Fonseca, que começou a imprimir livros no Rio de Janeiro em 1747. A empreitada durou menos de um ano. Por ordem da corte portuguesa, a gráfica de Fonseca foi fechada.

A impressão de livros era vedada nas colônias por dois motivos: não era permitido realizar atividades fabris e publicações tinham de passar pelo crivo de autoridades religiosas na Metrópole.

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