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Como é possível saber quando um eclipse vai acontecer

Fenômeno raro que depende de alinhamento perfeito poderá ser visto em sua totalidade por público no Chile e Argentina e parcialmente no Brasil

 

Um eclipse solar total passa pela América do Sul nesta terça-feira (2). O fenômeno só poderá ser observado em sua totalidade em regiões do Chile e da Argentina, no que é considerado o maior evento astronômico de 2019. Já no Brasil, o eclipse pode ser visto parcialmente somente nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul, no final da tarde.

O eclipse total anterior aconteceu em 2017, no Hemisfério Norte. A Estação Espacial Internacional (NASA) transmite em vídeo ao vivo o fenômeno, com imagens obtidas pelos telescópios em Vicuña, no Chile.

Os tipos de eclipses

Há diferentes tipos de eclipses. Primeiramente, é preciso diferenciar o eclipse solar do lunar. O eclipse solar ocorre em época de Lua Nova. Para ter efeito, a Lua precisa estar alinhada entre a Terra e o Sol, bloqueando a luz emitida por este. Isso só é possível porque, apesar de ser 400 vezes maior que a Lua, o Sol também está a uma distância 400 vezes maior da Terra que ela.

Já o eclipse lunar, acontece em época de Lua Cheia. Ele ocorre quando a Terra está devidamente alinhada entre o Sol e a Lua, bloqueando a luz do Sol, projetando assim uma sombra na Lua.

Falando só de eclipse solar, há ainda quatro subcategorias. O eclipse solar pode ser total, anelar ou parcial. Ele é total quando a Lua cobre totalmente a luz emitida pelo Sol na Terra. Ele é anelar, quando ele está alinhado no centro do Sol, mas a cobertura não é completa (isso porque a órbita da Lua em relação à Terra não é circular, mas uma elipse, o que faz a distância entre as duas variar), deixando à vista uma espécie de “anel de fogo”.

Por fim, ele é parcial quando o alinhamento não é perfeito e o Sol aparece coberto apenas em fatias circulares. Há ainda o de tipo híbrido, quando o fenômeno é visto como anelar total dependendo do ponto de vista na Terra.

Foto: Hajime Nagahata/Damien Deltenre(Penn State)/Michael Karrer/Reprodução

Fenômeno raro

Graças à rotação da Terra e da Lua, observamos as diferentes fases do nosso satélite natural todo mês, incluindo as Luas Nova e Cheia, quando acontecem os eclipses. Apesar disso, não temos um eclipse solar todo mês durante esse período. A razão é que para o fenômeno acontecer, o alinhamento entre Terra, Lua e Sol precisam ser perfeitos – ou quase. 

A Nasa, a agência espacial americana, fez uma animação para explicar como isso acontece:

 

Partindo do calendário de qualquer ano, o número máximo de eclipses solares possível é quatro, enquanto o de eclipses lunares é três. Mas isso varia de ano para ano, bem como seu tipo (total, parcial, anelar ou híbrido). Apesar de relativamente numerosos, os eclipses solares podem ser vistos apenas pelas regiões próximas ao traçado da sua sombra. Ainda que óbvio, é isso que gera a sensação de raridade. 

Como explica a Nasa: “Em qualquer local da Terra, um eclipse total acontece uma vez a cada 100 anos ou mais, embora em determinados locais os eclipses desse tipo podem ocorrer com alguns poucos anos de intervalo”, diz. “Um exemplo são os eclipses do dia 21 de agosto de 2017 e o de 8 de abril de 2024, que serão ambos vistos no mesmo local perto de Carbondale, [no estado de] Illinois”, nos Estados Unidos.

Cálculos e computadores

Se hoje em dia eclipses já são eventos que impressionam multidões, para civilizações antigas, com pouca ou nenhuma informação sobre a dinâmica espacial, o fenômeno era motivo de devoção e terror. As explicações para o sumiço repentino do Sol acabavam muitas vezes resultando em narrativas fantásticas e na criação de superstições das mais variadas.

Há, no entanto, quem se dedicasse à observação do fenômeno com afinco, registrando sua periodicidade, ainda que sem conseguir perfeitamente determinar como e quando aconteceria o próximo. 

Com a ciência moderna, a previsão dos eclipses solares e lunares deixou de ser um mistério. Atualmente, é possível, por exemplo, determinar a duração do fenômeno e seu percurso, com uma precisão de até 100 metros.

Tendo em mãos dados como os tamanhos da Terra, do Sol (ainda que aproximado), da Lua, noções da dinâmica de rotação e o grau de inclinação entre a órbita da Lua e da Terra, adivinhar quando o próximo eclipse deverá ocorrer se torna um problema matemático. O resultado, no entanto, ainda sairia impreciso. O maior desafio é mesmo acertar com exatidão o rastro da sombra no nosso planeta, o que depende de alguns fatores.

Uma previsão menos sofisticada de previsão assume “que a Lua é perfeitamente lisa e que todos os observadores na Terra estão no nível do mar”, disse ao Space.com o cientista de dados Ernie Wright, responsável pela elaboração de infográficos e animações (como a do vídeo abaixo) para a Nasa. O que não é o caso.

“Nós agora temos excelentes mapas das elevações tanto da Terra quanto da Lua; e essas elevações da Lua, que afetam a borda do disco da Lua que vemos na Terra, são meio acidentadas”, diz Wright.

Assim, no fim, a sombra do eclipse na Terra — ou seja, a área em que observadores realmente serão afetados pelo evento ou não — não segue uma forma perfeita, mas uma espécie de polígono irregular.

 

“Hoje somos capazes de fazer cálculos modernos por conta de uma confluência de capacidade computacional e um grande volume de dados”, diz Wright, que afirma ser essa uma conquista recente, de não mais que uma década. “A animação que eu fiz, que mostra o formato da sombra e toda aquela coisa calculou as circunstâncias do observador a partir de meio trilhão de pontos — ninguém faria isso na mão (...). Mas computadores amam fazer as coisas de novo e de novo, eles nunca se cansam.”

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