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Série de mapas detalha as ocupações de Israel na Palestina

Site interativo mostra o avanço israelense sobre os territórios ao longo do tempo, a partir da Guerra dos Seis Dias

 

Em 1947, após o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a ONU (Organização das Nações Unidas) decidiu criar na região da Palestina dois Estados: um para o povo judeu e um outro para o povo palestino, com tamanhos praticamente equivalentes. Em 1948, foi criado o Estado de Israel. Ato contínuo, o novo país foi atacado militarmente por Egito, Síria, Líbano, Jordânia e Iraque. Após o armistício de 1949, foi desenhada uma “linha verde”, estabelecendo os limites do território.

Em 1967, um novo conflito eclodiu na região, a chamada Guerra dos Seis Dias. Ao vencer seus vizinhos, Israel ocupou também, dessa vez, novos territórios palestinos, cujo o Estado próprio nunca foi criado. Nas décadas seguintes, Israel permitiu a construção de assentamentos de colonos nas regiões palestinas de Gaza e Cisjordância. Essa ocupação, a partir de 1967, é recuperada em um site repleto de mapas interativos chamado “Conquer and Divide” (conquistar e dividir, em uma tradução livre do inglês), elaborado pelo B’Tselem, o Centro Israelense de Informação sobre Direitos Humanos nos Territórios Ocupados.

Trata-se de uma organização não governamental fundada em 1989. Sediada em Israel, ela assume um posicionamento político claramente crítico à postura histórica do Estado israelense. Sua meta é acabar com a ocupação israelense em territórios palestinos, considerada ilegal pela ONU. O site foi produzido com apoio financeiro da União Europeia, e apoio institucional do Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Questões Humanitárias, entre outras entidades.

Na avaliação do B’Tselem, a ocupação faz parte de um esforço do Estado israelense de “fragmentar o espaço palestino, dividindo-o em dezenas de seções separadas, que são mais fáceis de controlar e explorar”. “Na Faixa de Gaza, quase dois milhões de palestinos estão essencialmente aprisionados em uma pequena porção de terra, em condições terríveis, devido à política israelense de isolar Gaza do resto do mundo, inclusive da Cisjordânia”, diz um texto de apresentação do site.

 

Uma área do site permite observar as mudanças geográficas da região a partir de uma linha do tempo. Ela conta como Israel transformou 26,6% da Cisjordânia em áreas militares fechadas, inacessíveis para palestinos sem autorizações especiais, estabeleceu reservas naturais com limites para construções palestinas, estatizou propriedades privadas palestinas e criou assentamentos israelenses nas áreas ocupadas.

Israel deixou de ocupar Gaza apenas em 2005, quando passou a retirar colonos do local. O mesmo não foi aplicado para a Cisjordânia. Além dos mapas distribuídos pela linha do tempo, que mostram diferentes momentos da ocupação, é possível também  acessar um mapa do momento atual. Ele traz camadas que indicam quais áreas são ocupadas por assentamentos israelenses, quais regiões são zonas militares fechadas, quais áreas foram estatizadas pelo Estado israelense, entre outros pontos.

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