Por que a tendência da inflação brasileira é de queda

IPCA de junho só será divulgado em 10 de julho, mas economistas têm razões para acreditar que resultado voltará a ficar abaixo da meta do Banco Central

     

    A variação do IPCA, índice de preços oficial usado pelo governo como base para sua política monetária, está acima da meta estabelecida para a inflação do ano. Nos doze meses que terminam em maio, número mais recente, a variação do índice de preços ao consumidor registra 4,65%, o centro da meta é de 4,25%. Mesmo assim, há uma pressão cada vez maior para que o Banco Central reduza os juros - algo feito em momentos em que a inflação não é um problema.

    A percepção crescente de que a inflação está sob controle mesmo estando acima da meta é baseada no resultado do mês de junho, que só será divulgado no dia 10 de julho. É quase unanimidade entre os economistas que a inflação de junho causará um grande recuo no índice acumulado em doze meses.

    Acumulado em 12 meses

    Como se calcula

    O IBGE divulga mensalmente o resultado da inflação. Mas, além da simples variaç��o do índice em relação ao mês anterior, os economistas utilizam muito a variação em 12 meses. A medida sempre leva em conta o resultado mais recente e os onze anteriores. Se o IBGE acaba de divulgar o resultado de maio, a variação em 12 meses compara junho do ano anterior ao dado mais recente. No próximo mês, o cálculo será entre julho do ano anterior e junho do ano atual.

    Para que serve

    Os meses do ano têm características diferentes em relação à inflação, tem safra, tem seca, tem início de ano escolar etc. A vantagem do cálculo em 12 meses é que ele reduz os efeitos sazonais, muito presentes na inflação. Isso porque aquele número é afetado também pelos resultados de cada mês do ano. Acompanhar a trajetória desse dado é a melhor maneira de ver como vai se comportar a inflação ao fim de um ano, em dezembro, que é o que vale para a meta do Banco Central.

    O resultado de 2018

    Em 2018, o IPCA foi afetado pela greve dos caminhoneiros que ocorreu no fim de maio. A crise de desabastecimento fez explodir o preço de vários produtos, principalmente alimentos, e desequilibrou o índice de inflação no Brasil.

    O resultado de junho de 2018 foi o mais alto para o mês desde 1995 e dificilmente vai se repetir sem que haja algum grande choque na economia.

    O histórico do mês

     

    No próximo resultado de 12 meses, que o IBGE vai divulgar no dia 10 de julho, o IPCA da greve dos caminhoneiros será substituído pelo índice de junho de 2019.

    A dinâmica dos 12 meses

     

     

    A inflação vem baixa nos meses recentes e, em junho, há chance de o índice vir muito perto de zero, ou até ligeiramente negativo. Uma evidência está na variação do IPCA-15, que registrou alta de apenas 0,06% no resultado mensal mais recente.

    O índice tem exatamente a mesma metodologia do IPCA, mas analisa um período diferente de tempo. Enquanto o índice oficial mede os preços entre o primeiro e último dias de um mês, o IPCA-15 vai do dia 16 de um mês até o dia 15 do próximo. Ou seja, o resultado do IPCA-15 de junho é intermediário entre os resultados do IPCA de maio e junho.

    Por isso, já há economistas que projetam uma inflação negativa para junho. Qualquer que seja o resultado, é muito provável que ele represente uma queda brusca na inflação.

    Dados de referência

     

     

    Qual seria o impacto

     

    Assim como a inflação histórica de junho de 2018 representou um grande pico no índice em 12 meses, sua saída do cálculo terá um impacto significativo.

     

    Com base no histórico recente, o Nexo fez uma simulação do impacto que a inflação de junho pode ter no acumulado em 12 meses. Levando em consideração a projeção da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), a inflação acumulada recua mais de um ponto percentual.

     

    A variação do índice acumulada até maio está em 4,65%, acima do centro da meta do Banco Central, que em 2019 é de 4,25%. É muito provável que, com o dado de junho, a inflação passe a flutuar abaixo do centro da meta.

    Queda brusca

    Colaborou Caroline Souza (Gráficos)

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