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3 movimentos recentes para entender a situação da Petrobras

Uma das maiores empresas do Brasil é impactada pela descobertas de fontes de energia, por decisões da Justiça e por negociações no mercado

     

    A Petrobras é a maior estatal do Brasil e uma das maiores petroleiras do mundo. A empresa, que esteve no centro das apurações de esquemas de corrupção revelados pela operação Lava Jato a partir de 2014, teve desde então sua imagem afetada e registrou perdas, além de passar pela crise dos preços de combustível que levou à greve dos caminhoneiros em maio de 2018.

     

    Mais recentemente, no entanto, na primeira metade de 2019, três novos movimentos, em esferas diferentes, trazem a Petrobras de volta ao centro do noticiário em perspectiva que valoriza no mercado a companhia fundada em 1953.

     

    A Petrobras é a rigor uma empresa de capital misto. Isso significa que em parte de suas ações negociada no mercado, com donos privados, mas o controle das decisões ainda cabe ao governo federal. A União é a detentora de 50,26% das ações ordinárias, que dão direito a voto. O governo tem poder para controlar o conselho de administração e assim as principais decisões da empresa.

    Mas além da União, a Petrobras tem outros cerca de 350 mil acionistas. São 339 mil pessoas físicas, 4,6 mil empresas e 2,5 mil investidores institucionais, que compram e vendem seus papéis reagindo às informações relacionadas à empresa.

    Entre maio e junho de 2019, as ações ordinárias da Petrobras acumulam uma alta de 11%. Um sinal de que os investidores enxergam possibilidade de lucro maior para a empresa no futuro.

    Oscilações de mercado

     

    A nova reserva de gás

    A Petrobras fez em 2019 sua principal descoberta desde o anúncio do pré-sal, em 2006. Uma nova reserva de gás natural em Sergipe e Alagoas pode produzir cerca de um terço do que o país é capaz de produzir atualmente. São seis campos de gás natural com 20 milhões de m³ de produção por dia. A receita esperada é de R$ 7 bilhões anualmente.

    A descoberta impacta positivamente a Petrobras mas não necessariamente será explorada pela empresa. A exploração tende a ser definida em leilões no futuro.

    A reserva faz parte da aposta do governo para baratear os custos de produção no Brasil. O governo acredita que com o aumento da produção de gás no Brasil vai ser possível baratear o custo da energia e assim impulsionar a economia.

    Supremo dá mais autonomia

    O Supremo Tribunal Federal decidiu no dia 6 de junho de 2019 que empresas subsidiárias de estatais podem ser vendidas sem a necessidade de autorização do Legislativo ou de processo de licitação. A decisão afeta diretamente a Petrobras, que tem 35 subsidiárias e que tem planos de se desfazer de várias delas.

    A política de diminuir o tamanho da Petrobras para diminuir também a dívida está sendo implantada na empresa desde o final do governo de Dilma Rousseff. Com a chegada de Michel Temer ao Planalto em 2016, a política foi formalizada e expandida na gestão de Pedro Parente.

    Depois da decisão do Supremo Tribunal Federal, a Petrobras concluiu a venda de transportadora TAG por R$ 33,5 bilhões. A venda havia sido acordada em abril, mas havia sido embargada por decisão liminar do ministro do Supremo Edson Fachin.

    Em comunicado em seu site, a Petrobras informa que continuará "utilizando os serviços de transporte de gás natural prestados pela TAG, por meio dos contratos já vigentes entre as duas companhias, sem qualquer impacto em nossas operações e na entrega de gás natural para nossos clientes". O objetivo da venda, segundo a empresa, é otimizar o portfólio e melhorar a alocação de capital da companhia "visando à geração de valor para os nossos acionistas".

    Os críticos da decisão argumentam que ela favorece o "desmonte" de empresas estatais sem que isso seja devidamente discutido com o Legislativo. Depois da TAG, a Petrobras trabalha agora na venda da Liquigas.

    A venda de ações

    A Petrobras ter�� 241,3 milhões de ações vendidas a partir do dia 25 de junho, uma das maiores movimentações dos últimos anos, mas a empresa em si não tem quase nada a ver com isso. A oferta maciça de ações será feita pela Caixa Econômica Federal em um processo chamado de follow on.

    A operação é diferente do IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês), quando a própria empresa vende ações a investidores e fica com dinheiro. No processo de follow on, a Petrobras tem muito pouco a fazer. É a Caixa, uma das maiores acionistas da companhia, quem decidiu fazer uma grande venda e quem vai ficar com o dinheiro.

    No mercado atual, as ações valem cerca de R$ 7 bilhões, mas uma oferta desse tamanho tem potencial para definir patamares de preços e por isso mesmo tem regras especiais. Desde o dia 17 de junho, quem tem interesse em comprar ações tem direito de fazer uma reserva.

    O preço de cada ação será divulgado no dia 25 de junho, a negociação propriamente dita se dará a partir do dia 27.

    A Petrobras tem, atualmente, cerca de 7,2 bilhões de ações, mas pouco mais de um terço delas são do tipo ordinária, tipo que está sendo vendido pela Caixa e que dá direito a voto.

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