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Como o movimento das iranianas para ir ao estádio chegou à Copa

Dupla de torcedores foi retirada de arena por vestir camisetas com protesto. Fifa repudiou a ação depois

     

    Em 15 de junho de 2019, durante uma partida da Copa do Mundo de futebol feminino disputada entre Canadá e Nova Zelândia, dois torcedores foram retirados do estádio em Grenoble, na França, por usar camisetas que continham slogans de protesto.

    As camisetas traziam mensagens que reivindicavam o direito de mulheres iranianas frequentar estádios de futebol em seu país e diziam não ao uso forçado do hijab – o véu tradicional usado por parte das mulheres muçulmanas para cobrir a cabeça.

    Na terça-feira (18), a Fifa (Federação Internacional do Futebol) se posicionou afirmando que a atitude dos funcionários locais de retirar os torcedores do estádio foi errada.

    Segundo a federação, a mensagem estampada nas camisetas é uma questão social e não política, e por isso eles não infringiram as regras da Fifa. A entidade proíbe qualquer protesto político em estádios da Copa ou dentro de qualquer “ambiente Fifa”, como são chamados os locais controlados pela federação internacional.

    Em seu comunicado, a Fifa afirmou que a aplicação de suas regras deve ser feita com bom-senso e que fará o possível para garantir que nenhuma situação parecida ocorra em partidas futuras da competição.

    A razão do protesto

    As mulheres são proibidas de frequentar partidas masculinas de futebol e outros eventos esportivos no Irã desde a Revolução Islâmica de 1979.

    Em junho de 2018, pela primeira vez em quase quatro décadas, homens e mulheres foram autorizados pelo regime controlado pelos aiatolás a verem juntos uma partida de futebol masculino dentro de um estádio.

    A conquista foi fruto de pressão por parte das iranianas, que durante a Copa do Mundo de futebol masculino em 2018 criaram a hashtag #NoBan4Women (não ao banimento de mulheres nos estádios), usada em faixas, cartazes e nas redes sociais.

    Em março de 2018, antes do início da Copa do Mundo, 35 mulheres haviam sido detidas por tentarem assistir a uma partida de futebol em Teerã.

    O movimento das iranianas pelo direito de frequentar os jogos ganhou o nome de Open Stadiums (estádios abertos) e segue em atividade.

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