O legado da animadora experimental Suzan Pitt

Os trabalhos de Pitt se distinguem por terem sido, na maior parte dos casos, pintados à mão, quadro a quadro, de forma extremamente detalhada. Ela morreu de câncer em 16 de junho, aos 75 anos

     

    Conhecida por suas criações vibrantes e surreais, a animadora, pintora e desenhista americana Suzan Pitt morreu de câncer na segunda-feira (16), aos 75 anos.

    Pitt nasceu em Kansas City e passou a maior parte de sua vida entre Europa e Estados Unidos. Foi professora associada do Carpenter Center para Artes Visuais, da Universidade de Harvard. Nos últimos anos, lecionava no programa de animação experimental do Instituto de Artes da Califórnia.

    Muitas de suas referências foram coletadas em viagens para o México, e vários de seus desenhos animados são obras que misturam imagens da flora e fauna que observou.

    De acordo com obituário publicado pelo site Animation Magazine, Pitt descobriu a animação a partir de sua experiência como pintora. Seus trabalhos se distinguem por terem sido, na maior parte dos casos, pintados à mão, quadro a quadro, de forma extremamente detalhada. Isso exigia um elevado grau de esforço, e muitas das obras levaram anos para serem concluídas.

    Pitt tinha acabado de ser homenageada pelo conjunto de sua obra. Ainda em junho de 2019, recebeu um prêmio no festival de animação Animafest Zagreb, na Croácia. Estabelecido em 1972, ele é o segundo evento do tipo mais antigo do mundo.

    Lançado em 2006 e disponível no YouTube, o documentário em inglês “Persistence of Vision”, de Blue e Laura Kraning, se baseia em entrevistas com Pitt, em que a artista explica seu processo criativo e fala de algumas de suas principais obras.

     

    Suzan Pitt em três trabalhos

    Em um trabalho famoso de 1979, “Asparagus”, Pitt exibe a misteriosa viagem de uma mulher, que se inicia quando ela olha para fora de uma janela com cortinas.

    Através dela, assiste a um campo povoado por aspargos fálicos. Na sequência, anda pela cidade e passa por um teatro com cenário em movimento, onde projeta suas visões para uma plateia atônita. A obra é descrita pela animadora como uma alegoria sobre o processo criativo.

     

    Outro trabalho conhecido de Pitt é a animação “Joy Street” (“Rua da Alegria”, em uma tradução livre), de 1995. Ela inicia a peça alternando cenas de uma mulher observando um mundo urbano, cinza, triste, desagradável e caótico.

    Em dado momento, as imagens são substituídas pelas de um mundo natural, belo, vibrante e sensorialmente agradável. O filme é uma alegoria sobre a depressão, e a retomada após períodos depressivos.

     

    Outro marco da carreira da artista foi sua colaboração com a produção cenográfica da ópera “A flauta mágica”, encenada em 1983 na Ópera do Estado em Wiesbaden, na Alemanha.

    Além de ter desenhado o figurino da obra, Pitt também produziu algumas animações que, projetadas no palco, transmitiam a impressão de movimento no cenário. Esta foi a primeira vez que uma animação foi usada em uma ópera.

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