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Qual a origem do lápis grafite que é amarelo por fora

Objeto se tornou popular e arquetípico. Antes dele, revestimento de madeira era polido ao natural, sem ser pintado

     

    Em 1980, na TV americana, o economista liberal Milton Friedman, um dos líderes da escola de Chicago, usou a fabricação do lápis como metáfora para o livre mercado.

    No vídeo, que se tornou popular no YouTube, ele ilustra sua metáfora com um lápis amarelo em mãos – o lápis amarelo se tornou o arquétipo do lápis.

    O surgimento do objeto, porém, é quase um século anterior ao vídeo de Friedman. Mais conhecida por ter apresentado ao mundo a Torre Eiffel, a edição de 1889 da Exposição Universal lançou também o lápis grafite com revestimento externo pintado de amarelo. O evento foi realizado em Paris e tinha o intuito de exibir novos produtos criados por diferentes países.

    Até o fim do século 19, segundo uma reportagem publicada pelo site Artsy, os lápis de melhor qualidade não eram pintados por fora, mas recebiam um acabamento natural, que deixava a madeira aparente. Só eram pintados quando o fabricante desejava cobrir imperfeições do material, normalmente em cores como roxo, vermelho ou preto.

    Embora nem todo lápis seja amarelo hoje em dia, o modelo talvez seja o primeiro que vem à mente quando alguém evoca o objeto.

    Por que amarelo

    O lápis levado para a exposição de 1889 fora fabricado por uma empresa do leste europeu chamada Hardtmuth Pencil.

    Na época, o fornecimento do grafite de melhor qualidade no mundo passava por uma transição: a Inglaterra, fornecedora desde o século 16, viu suas reservas se esgotarem no século 19.

    Segundo disse Henry Petroski, professor da Universidade Duke e autor do livro “The Pencil: A History of Design and Circumstance” ao Artsy, uma nova fonte do material – superior em qualidade ao grafite inglês – foi encontrada na Sibéria, região da Rússia ao norte do território chinês.

    Assim como outros fabricantes de lápis, Hardtmuth passou a adquirir o grafite da Sibéria. 

    A escolha de pintar seu produto de amarelo veio de uma estratégia de marketing, com o objetivo de realçar a qualidade da matéria-prima.

    O amarelo comunicava, a um tempo, a origem geográfica do material, próxima à China, onde a cor era historicamente associada à realeza, e portanto à glória e à superioridade. O amarelo era a cor do imperador na China Imperial (do século 3 a.C. ao início do século 20).

    Para enfatizar sua ligação à realeza, a linha de lápis amarelos foi chamada de “Koh-I-Noor”, nome de um diamante amarelado que integrava as joias da coroa britânica. Eventualmente, o nome da própria empresa mudou para Koh-I-Noor Hardtmuth.

    Logo, empresas concorrentes, como a Faber, começaram a dar a seus lápis grafite a cor amarela para sinalizar a qualidade do material de que eram feitos.

     

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