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O documentário sobre o lendário selo de jazz Blue Note

Além da música, filme destaca também as ideias, as motivações e os profissionais por trás da gravadora que lançou nomes como Thelonious Monk, John Coltrane e Herbie Hancock

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    À menção do nome “Blue Note”, qualquer entusiasta de jazz logo assume um ar de reverência e empolgação. Fundado em 1939, o selo discográfico é uma das grandes marcas do gênero.

    A admiração se deve, obviamente, pelo catálogo da gravadora, repleto de obras históricas de nomes como Thelonious Monk, John Coltrane e Herbie Hancock. Mas também por sua identidade visual, de capas elegantes e modernas, uma tradução estética da atmosfera de sofisticação e inovação do bebop, corrente que ganhou espaço no jazz nas décadas de 1940 e 1950.

    O filme ilumina o espectador a respeito de personagens cruciais na operação, mas muito menos mencionados em comparação com os artistas. Um deles é Ruby Van Gelder, engenheiro de som da casa durante o período áureo

    Lançado em 2019, o documentário “Blue Note Records: Beyond the Notes” procura descortinar as ideias, as motivações e os profissionais por trás da lendária etiqueta. Dirigido pela cineasta suíça Sophie Huber, o filme vem sendo exibido em mostras e festivais em diversos países. É o segundo documentário recente sobre o tema: "It Must Schwing - The Blue Note Story", de 2018, parte da programação da edição brasileira do festival In-Edit de 2019, foca nos fundadores alemães do selo.

    O Nexo selecionou alguns dos principais enfoques do documentário.

    Fãs no comando

    De Nova York, o selo foi criado pelos alemães Alfred Lion e Frank Wolff, que emigraram para escapar do nazismo. Como ressalta a produção, eles não eram do ramo fonográfico. Mas eram fãs de jazz obcecados. Essa informação dá o tom da abordagem que caracterizaria o selo: os músicos tinham liberdade total de criação. Não havia a obrigação de conseguir um hit. O objetivo, nas palavras de Hancock no filme, era “permitir que a música emergisse sem ser acorrentada”.

     

    Produção meticulosa

    O filme ilumina o espectador a respeito de personagens cruciais na operação, mas muito menos mencionados em comparação com os artistas. Um deles é Ruby Van Gelder, engenheiro de som da casa durante o período áureo. Optometrista de formação, Gelder era meticuloso a ponto de só manipular microfones e equipamento usando luvas.

    A cara da música

    Outra figura crucial que o documentário destaca é o fotógrafo e designer gráfico Reid Miles. Responsável por criar a estética que consagrou o selo, Miles assinou mais de 500 capas de álbuns da Blue Note.

    Bancando Monk

    Do lado musical, “Beyond the Notes” detalha como o selo apostou no pianista Thelonious Monk, um inovador rejeitado por outras gravadoras. “O selo quase sucumbiu depois de colocar todo seu dinheiro nele e os discos não venderam. É claro, hoje, muitos anos depois, ele ainda é tão importante. Talvez nunca ouvissemos falar de Monk se não fosse por eles”, declarou Huber ao site U Discover Music.

    Jazz e hip hop

    O filme não estaciona em glórias passadas. Artistas atuais discorrem sobre o legado da Blue Note no hip hop, definido como um descendente do jazz em alguns aspectos. Um momento que revela a capacidade de visão do selo foi quando eles liberaram todo seu catálogo para ser sampleado pelo trio de jazz rap inglês US3. Graças ao hit “Cantaloop (Flip Fantasia)”, novas gerações conheceram o trabalho de Herbie Hancock e outros nomes lendários do jazz.

    ESTAVA ERRADO: A primeira versão deste texto dizia que o documentário "Blue Note Records: Beyond the Notes" estava na programação do festival In-Edit 2019 de São Paulo. Na verdade, é na edição de Barcelona. Há um outro documentário sobre o selo Blue Note na programação paulistana, chamado "It Must Schwing - The Blue Note Story" Ainda na primeira versão do texto, a legenda da fotografia dizia ser uma imagem do saxofonista Lou Donaldson, quando na verdade a imagem é do trumpetista Miles Davis. As correções foram feitas às 15h07 de 17 de junho de 2019.

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