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Quais as dificuldades da inovação no Brasil, segundo CEOs

Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria mostra que executivos acreditam que país inova pouco, mas esperam mais investimento no futuro

Inovar na indústria não é só uma questão de ter vantagem competitiva, mas sim de sobrevivência. É essa a avaliação mais citada por presidentes e vice-presidentes de 100 empresas ouvidos pela Confederação Nacional da Indústria em uma pesquisa sobre inovação.

Quando perguntados sobre a principal motivação das empresas para investirem em inovação nos próximos cinco anos, a resposta espontânea mais citada foi garantir a “sustentabilidade do negócio/sobrevivência no longo prazo”. A opção foi citada por 31% dos entrevistados, à frente de alternativas como crescer, ganhar vantagem competitiva, reduzir custos e buscar qualidade. Ou seja, para os executivos ouvidos pela pesquisa, inovar é necessidade.

Os dados constam na pesquisa “Inovar”, que está em sua segunda edição. A primeira foi realizada em 2015, também com 100 CEOs. As respostas foram colhidas pelo Instituto FSB Pesquisa entre 4 de abril e 13 de maio de 2019. Entre os entrevistados, 40 são líderes em grandes companhias e 60 integram pequenas e médias empresas.

Apesar de darem importância à inovação, no geral os entrevistados são críticos ao momento presente. Apenas 6% deles consideram que atualmente o grau de investimento da indústria brasileira é alto. Mas há menos pessimismo para o futuro.

O Nexo apresenta alguns dos principais números da pesquisa.

A estratégia, a intenção e a execução

Dos 100 executivos entrevistados, 96 afirmam que a inovação é parte da estratégia da empresa. Todos os 40 líderes de grandes companhias responderam positivamente à pergunta. Mas, quando questionados sobre os passos efetivos para implantar práticas de inovação, o número é menor. Dois terços acreditam que o investimento em inovação vai aumentar.

Investimento

Quando a avaliação é sobre o mercado brasileiro como um todo, a percepção é menos otimista. Apenas um em cada três empresários acha que a indústria brasileira passará por um processo de alta inovação nos próximos cinco anos. Apesar de a maioria ainda achar que o grau vai ser baixo ou médio, a avaliação é mais positiva em 2019 do que foi na pesquisa de 2015.

A expectativa para o futuro

Principais obstáculos e vantagens

Quando perguntados sobre quais fatores facilitam a inovação no Brasil, 22% dos CEOs citaram coisas negativas, fizeram ressalvas ou enfatizaram as dificuldades. A resposta destacando entraves para a pergunta sobre facilitação da inovação foi a segunda mais citada, atrás apenas da criatividade do brasileiro.

O que ajuda

 

Os executivos foram também perguntados sobre os entraves. Os dois principais motivos citados foram o custo de se inovar no Brasil e a burocracia do Estado — duas reclamações clássicas de empresários no país. Entre as respostas menos citadas apareceu o protecionismo, com 2%.

O que atrapalha

 

O momento da indústria

A indústria é o setor da economia que mais perdeu desde o início da crise econômica brasileira, em 2014. O setor, segundo o IBGE, encolheu quase 13% em comparação com o patamar pré-crise. Os dados do Produto Interno Bruto divulgados no fim de maio mostram que, depois de quase três anos de retração, a indústria não se recuperou.

 

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