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Este mapa monitora os recifes de coral ao redor do mundo

Material interativo é atualizado diariamente e permite acompanhamento da degradação dessas estruturas naturais

 

Disponibilizado na internet em 2018, o Allen Coral Atlas é um mapa interativo que, a partir de imagens captadas por satélites, reporta em tempo real a situação das populações de corais ao redor do mundo.

O site é uma parceria entre a Universidade de Queensland (Austrália), a Universidade do Estado do Arizona (EUA), a National Geographic Society e a Vulcan Inc., empresa ligada à Paul Allen Philantropies, uma entidade filantrópica criada pelo bilionário Paul Allen (1953-2018), cofundador da Microsoft.

À revista Forbes, James Deutsch, diretor da Vulcan, disse que, ao criar um sistema dinâmico de monitoramento (os satélites fotografam recifes inteiros todos os dias), as comparações objetivas ficam mais fáceis e é possível, a partir daí, embasar políticas públicas, como a proibição da pesca em certas regiões. 

Além de facilitar a pesquisa sobre o tema e subsidiar decisões governamentais, o mapa também tem como objetivo aumentar a compreensão do público geral sobre os recifes.

A proteção de recifes de corais é um tema premente, à medida que essas estruturas estão sendo afetadas por uma série de mudanças no ecossistema global.

Em 2016, por exemplo, 30% da Grande Barreira de Corais da Austrália, a maior formação do tipo, morreu em uma única onda de calor, algo sem precedentes.

Os problemas ecológicos dos recifes de corais

Corais são animais marinhos invertebrados, ou seja, sem espinha dorsal. Eles pertencem ao grupo dos cnidários, o mesmo das anêmonas ou águas-vivas, e têm a capacidade de formar por baixo de seus tecidos um esqueleto calcário, mesmo material dos ossos humanos.

Esse esqueleto é o que dá a alguns corais uma aparência similar à de pedras. Ele serve para que permaneçam fixos em um mesmo lugar e também como forma de proteção. Para sobreviver, o coral se alia a algas adaptadas a viver dentro de sua estrutura.

As algas se beneficiam do animal para se protegerem e obterem nutrientes, e produzem, com a fotossíntese, um açúcar chamado glicerol. O açúcar em excesso sintetizado pelas algas é a principal fonte de alimento dos corais.

Mas essa sintonia só funciona bem sob condições específicas que, quando prejudicadas, podem fazer com que os recifes entrem em colapso.

"Mal posso descrever como eu fedia depois de mergulhar: era o cheiro de milhões de animais apodrecendo", disse Richard Vevers, mergulhador e pesquisador, ao jornal britânico The Guardian.

Dinâmica

ESTRESSE

O coral pode se estressar por diversos motivos, como poluição, exposição excessiva à luz ou ao ar. O aumento da temperatura da água causado pelo aquecimento global e por fenômenos como o El Niño contribui para esse estresse.

ABANDONO

Quando isso ocorre, a alga sai da estrutura dos corais e flutua pelos oceanos - não está claro se o movimento é impulsionado pela planta, pelo animal ou por ambos. As algas podem eventualmente se fixar em corais de outras regiões e continuar sobrevivendo. Como são elas que conferem a maior parte da cor aos corais, sua saída os deixa brancos.

FOME

Além de sua cor, os corais perdem sua principal fonte de alimentos e ficam mais suscetíveis a doenças.

RECUPERAÇÃO

O embranquecimento de um coral significa apenas que as algas o deixaram. O animal pode se recuperar aos poucos quando a temperatura volta ao normal. Esse processo dura, no entanto, mais de uma década.

MORTE

A saída das algas, contudo, prejudica a alimentação do coral. Se a situação não se normalizar, ele pode morrer.

CO2

Além de aumentar a temperatura da água, o gás carbônico torna a água dos oceanos mais ácida, prejudicando a relação do coral com as algas. Além do embranquecimento, um outro efeito da acidez é a corrosão do calcário dos corais, num processo apelidado de "osteoporose do oceano".

Competição

Na água, o CO2 também compete com os recifes de coral por substâncias importantes para sua formação. O animal absorve íons de uma molécula chamada de carbonato e o combina com cálcio, formando o calcário de suas estruturas. O problema é que o CO2 também reage com esses íons, formando moléculas de bicarbonato que não são úteis para o coral. Como resultado, sobra menos carbonato na água para os recifes de corais acumularem em suas estruturas e crescerem.

 

 

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