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O que explica os golpes de ar dentro de estações de metrô

Fatores que criam correntes de ar de velocidade variável são múltiplos e têm ligação com pressão, temperatura e o desenho da estação

 

Correntes de ar de maior ou menor intensidade podem ser sentidas em certos pontos de estações de metrô do Brasil e do mundo. Elas fazem usuários do transporte puxarem para baixo suas roupas e segurarem firme as páginas de seus livros e jornais para que não saiam voando.

Em Londres, em 2014, um carrinho de bebê chegou a ser arrastado para o vão onde ficam os trilhos pelo vento na estação Goodge Street. A criança foi retirada dos trilhos pouco antes da chegada de um trem à plataforma.

O fenômeno, comum em instalações subterrâneas, parece surgir do nada: muitas vezes, o vento é mais poderoso no nível intermediário da estação, entre a plataforma e a rua, do que na própria plataforma, onde o ar é movimentado pelos trens.

Na rede social Reddit, há mais de uma postagem que se dedica a levantar o questionamento sobre de onde vêm esses ventos e por que variam de uma estação para outra.

Uma reportagem em vídeo do jornal Folha de S.Paulo, de 2015, também ilustra e procura explicar a ventania das estações a partir do caso da Estação Fradique Coutinho, da linha amarela do Metrô de São Paulo, inaugurada no ano anterior.

Motivada pelos “ventos misteriosos” do metrô da cidade de Washington, nos Estados Unidos, uma outra reportagem da revista The Atlantic também recorreu a um especialista para decifrar o fenômeno.

O Nexo lista abaixo alguns fatores mencionados que interferem na formação das correntes de ar nesses espaços:

Sistema de ventilação

Ambientes subterrâneos, sobretudo aqueles por onde circulam um grande número de pessoas, precisam de um sistema de ventilação: ao ar viciado resultante de haver muitas pessoas em um local fechado, se soma o calor, resultante da potência elétrica dos trens.

O sistema de ventilação mecânica com que contam as estações em geral consiste em ventiladores de grande porte, instalados para higienizar o ambiente com trocas de ar. Esse sistema é parcialmente responsável pelos ventos no interior das estações.

Efeito pistão

O deslocamento de ar causado pela movimentação dos trens dentro de um túnel é comparável a uma seringa. O trem em velocidade empurra o ar que está à sua frente, espalhando-o para onde for possível ao chegar na plataforma, pelas escadas e em outros níveis da estação. Cria, ainda, um efeito de sucção ao “puxar” o ar que está atrás dele no túnel.

Este fenômeno, conhecido como efeito pistão, também explica parcialmente a ventania das estações.

Diferença de pressão

O sistema de ventilação da estação cria uma troca de ar entre o piso mais subterrâneo e os andares superiores, ou entre o lado de dentro e de fora da estação – níveis que apresentam diferenças de pressão.

Para equalizar a diferença, o ar se move das áreas de maior pressão para as de pressão mais baixa. Com isso, pequenas diferenças de pressão podem gerar um fluxo de ar considerável.

Além disso, segundo o princípio de Bernoulli, da Física, a velocidade do ar é inversamente proporcional à pressão. Se a pressão é mais alta, a velocidade é menor, enquanto uma pressão mais baixa leva a uma velocidade maior. Se há ar se movendo pela estação, com pressões variáveis, também há variações de velocidade.

Termodinâmica

A temperatura do ar que circula também influi no fluxo de ar. O ar frio é mais denso, e portanto desce, enquanto o ar quente é menos denso, e tende a subir. Com as trocas de ar, há o ar mais fresco vindo de fora, e o ar mais aquecido de dentro da estação.

Desenho da estação

Por fim, a geometria da estação pode tornar o vento mais forte. Quando ela é menor, há menos espaço para o ar se dissipar. Quando o espaço afunila, em um corredor, por exemplo, a velocidade do ar se torna maior. Essa é a razão para que a ventania seja mais intensa em determinadas estações do que em outras.

 

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