As vagas formais de emprego em abril. E o histórico do Caged

Brasil criou 129 mil vagas de emprego formal em abril. Dados nos primeiros meses do ano são positivos, mas parecidos com os de 2018

     

    O Ministério da Economia divulgou na tarde de sexta-feira (24) o número de vagas de emprego formais criadas e fechadas no mês de abril. O saldo de vagas mostra que o Brasil criou 129 mil vagas em abril de 2019. Os dados são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

     

    O resultado de abril é o terceiro saldo positivo nos quatro meses do ano e foi puxado principalmente pela criação de 66 mil vagas no setor de serviços. Todos os setores da classificação do Caged tiveram saldo positivo no mês.

    A origem das vagas

     

    O governo anunciou ainda que o resultado era o melhor para o mês de abril desde 2013. Mas isso só acontece na série sem ajuste. O Caged é um cadastro em que as empresas relatam as admissões e demissões dos funcionários, mas algumas informações são enviadas fora do prazo.

    Por isso, é comum que a Secretaria do Trabalho revise os dados depois, incluindo as demissões e contratações feitas em determinado mês mas relatadas com atraso. O ajuste nada mais é do que a inserção das informações enviadas fora do prazo.

    Quando se olha a série com ajuste, que tem os dados mais próximos da realidade, o número divulgado na sexta-feira não é o melhor em 6 anos, fica ligeiramente abaixo inclusive dos dados do ano passado. É verdade que esse dado deve sofrer revisão em breve, não se sabe porém se a mudança vai ser para mais ou para menos.

    Para os gráficos abaixo, o Nexo utiliza todos os dados com ajuste.

    Comparação com anos anteriores

     

    Os quatro primeiros meses comparados

    Os resultados de janeiro a abril mostram uma tendência de recuperação do emprego formal no Brasil. O número de vagas e a trajetória do saldo de empregos em 2019 é bastante parecida com o ano anterior – e diferente de 2017 e 2016 quando o país esteve estagnado e fechando vagas, respectivamente.

    De janeiro a abril

     

    O mercado de trabalho é profundamente afetado pela época do ano e os dados sofrem o que os economistas chamam de efeitos sazonais. Em dezembro, por exemplo, é praticamente certo que o saldo de vagas do Caged venha negativo. Em 2017 o resultado de um mês apenas foi suficiente para anular todo o saldo de vagas positivo construído ao longo do ano.

    Por isso é importante ver o que os resultados apresentados até aqui em 2019 representam no todo.

    O início de 2019 e os anos anteriores

     

    Onde estamos depois da crise

    Os saldos positivos voltaram a aparecer no Caged em 2017, mas o bem estar da população não voltou. Um dos motivos é que, apesar de o Brasil estar criando vagas de trabalho formal, a recuperação é tímida perto das perdas recentes.

    Além disso, a recuperação muito lenta mantém por mais tempo uma parcela importante da população fora do mercado de trabalho formal, o que piora a situação. É mais difícil ficar desempregado por um ano do que por um mês. E a crise no mercado de trabalho no Brasil começou há pelo menos quatro anos.

    No fim de 2014, o emprego formal atingiu seu ápice e o Brasil chegou a ter 41,3 milhões de pessoas trabalhando com carteira assinada. A partir daí a queda foi brusca e, nos dois anos seguintes, foram quase três milhões de vagas fechadas até o fim de 2016.

    Em 2017 os resultados positivos voltaram a aparecer, mas foram anulados pelas tradicionais demissões de dezembro. A recuperação de 2018 e a que aparece nesse início de 2019 são melhores, mas ainda estamos muito abaixo de onde estávamos antes da crise.

    Toda a trajetória

     

    A relação com a taxa de desemprego

    O dado do Caged é o mais preciso possível para medir as mudanças no emprego formal no Brasil – uma vez que toda empresa é obrigada a repassar os dados de contratações e demissões de funcionários. Mas ele não abrange todo o mercado de trabalho. No Brasil ainda há muita informalidade, e a situação se agravou com a crise. Para tentar avaliar o todo, existem os dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

     

    O Caged é um levantamento mais limitado, ainda que mais preciso, que a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Mas é o dado do IBGE o índice oficial de desemprego no Brasil.

     

    A Pnad é mais ampla porque não considera apenas o emprego formal – conta a informalidade, os bicos, os trabalhadores por conta própria e várias outras situações. Por outro lado, ela é feita por amostragem. A partir de 211 mil domicílios visitados a cada três meses, o IBGE estima o Brasil inteiro. O Caged é um cadastro. Ele só conta os empregados devidamente registrados na Secretaria de Previdência e Trabalho, mas é mais preciso.

     

    Uma diferença importante entre o dado do Caged e o da Pnad está na sazonalidade. Para o cadastro, dezembro é o pior mês. Na Pnad os piores resultados costumam vir nos primeiros meses do ano.

     

    A diferença está na metodologia. O Caged mede o saldo de empregos formais no período avaliado, contratos feitos e desfeitos, enquanto a Pnad avalia a situação presente do brasileiro em relação ao mercado de trabalho, se está ocupado ou não. Dezembro é um mês, tradicionalmente, de muitas demissões – por isso ruim para o Caged. Mas o trabalhador demitido em dezembro só vai relatar a desocupação à Pnad nos meses seguintes.

     

    Apesar das diferenças, ambos os dados mostram uma lenta recuperação no mercado de trabalho. O país tem, segundo a Pnad mais recente, 13,4 milhões de pessoas desempregadas.

     

     

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