Como funciona o TikTok, a rede social dos adolescentes

Centrada em vídeos curtos, plataforma popular é comandada por startup chinesa eleita a mais valiosa do mundo em 2018

     

    Criado em 2016, o aplicativo chinês TikTok foi o quarto mais baixado no mundo para iOS e Android em 2018 e já ultrapassou a marca de 500 milhões de usuários ao redor do mundo.

    Ele permite criar vídeos curtos, de 15 segundos de duração, nos quais a proposta original era brincar de dublar uma música.

    Essa função foi sendo expandida pelos usuários, que passaram a criar desafios e memes, fazendo com que a rede alcançasse enorme popularidade principalmente entre adolescentes. A maioria dos usuários têm menos de 24 anos, e uma parcela significativa está abaixo dos 20.

    O que há de diferente

    Na definição do site The Verge, o TikTok é como um sucessor do Vine, aplicativo comprado pelo Twitter que também se baseava em vídeos de curta duração, descontinuado em 2017.

    Em comum, ambos têm a reprodução de conteúdo em looping e o estímulo a uma cultura frenética e inventiva de criação de conteúdos.

     

    Diferente das outras redes, como o Instagram e o YouTube, porém, o TikTok ainda não foi dominado por influenciadores, anunciantes ou celebridades.

    A linha do tempo é povoada por desconhecidos e os grandes hits da rede são produzidos por jovens amadores, baseados em sua própria criatividade e nas ferramentas disponibilizadas pelo aplicativo.  

     

     

    Essas ferramentas são parte do que torna o TikTok tão atraente. Em primeiro lugar, há o uso das músicas – elas podem ser descobertas (em playlists, listas de mais ouvidas e hashtags), ou subidas para o aplicativo, para serem incluídas nos vídeos.

    Usuários ainda têm à mão maneiras variadas de editar seus vídeos, a possibilidade de interagir com vídeos de outras pessoas, criando “duetos”, de usar moedas virtuais e filtros que adicionam efeitos especiais aos vídeos.

    Os desafios a que muitos vídeos respondem são parte fundamental da experiência do aplicativo – no YouTube, há diversas compilações de desafios do TikTok, algumas com milhões de visualizações.

    Apesar de cada usuário seguir pessoas e ter seus próprios seguidores, o algoritmo do TikTok também funciona de maneira distinta em relação a outras redes, nas quais o algoritmo se orienta pelo usuário já conhece, segue, gosta, já viu ou buscou. 

    Os vídeos são agrupados de acordo com as canções usadas por usuários e classificados por popularidade.

    Muitos apostam que ele modificará a maneira como as redes sociais funcionam. Em novembro de 2018, o Facebook lançou um aplicativo similar ao TikTok, chamado Lasso. 

    Memes em movimento

    Contribui para a ascensão do TikTok o fato de que os memes com imagens estáticas estão se tornando obsoletos, segundo declarou Brad Kim, editor chefe do site Know Your Meme dedicado ao estudo dos memes, ao jornal americano The Wall Street Journal.

    Segundo ele, o conteúdo dos memes está mudando à medida que os jovens passam a usar redes em que o idioma nativo é o vídeo, como o YouTube, TikTok, Snapchat e Instagram Stories.  Nessa “evolução” de linguagem dos memes, predominam músicas e brincadeiras visuais.

     

    Segundo a reportagem publicada pelo Wall Street Journal, a “receita” dos memes que nascem no TikTok consiste em uma trilha sonora chamativa, uma assinatura visual reproduzível e uma reviravolta engraçada.

    A ascensão da startup

    O TikTok foi precedido pelo musical.ly, lançado em 2014 por dois empreendedores chineses. Em 2017, a startup – também chinesa – ByteDance comprou o musilcal.ly por US$ 1 bilhão. Os dois aplicativos se tornaram um só em agosto de 2018.

    O sucesso do TikTok colocou a startup entre as empresas de tecnologia mais bem-sucedidas do mercado: ela se tornou a mais valiosa do mundo, ultrapassando a Uber em 2018.

    US$ 75 bilhões

    era o valor da ByteDance em setembro de 2018

    Mais do que na China ou nos Estados Unidos, onde também é muito utilizado, o maior mercado do TikTok é a Índia. O país responde por cerca de 39% de sua base de mais de 500 milhões de usuários, segundo uma pesquisa da consultoria App Annie. 

    No Brasil, o TikTok ocupava, em dezembro de 2018, a 31ª posição na loja de aplicativos do Google e não aparecia no top 100 da App Store.

    Quais preocupações gera

    Com a popularidade massiva, o TikTok também se tornou um espaço da internet em que há pessoas interessadas em promover o ódio e a desinformação.

    Há, além disso, uma preocupação com pornografia infantil e ameaças à privacidade de menores de idade na plataforma.

    Em fevereiro de 2019, a Federal Trade Commission, agência do governo dos Estados Unidos, cobrou da ByteDance uma multa de US$ 5,7 milhões pela acusação de violações à privacidade infantil. O TikTok foi acusado de coletar dados pessoais de usuários menores de 13 anos sem o consentimento parental necessário.

    Em abril de 2019, o aplicativo foi temporariamente banido na Índia devido à acusação de um tribunal superior de estar sendo responsável por incentivar a disseminação de pornografia e de facilitar ataques de predadores sexuais contra crianças. O bloqueio foi suspenso posteriormente.

    A empresa afirma que sua equipe verifica o conteúdo publicado e remove ou oculta rapidamente os vídeos que poderiam apresentar problemas.

    Usuários do app também são alertados preventivamente sobre o compartilhamento de conteúdo ilegal e de informações falsas.

     

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