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Por que mães casadas fazem mais trabalho doméstico

Estudo realizado nos EUA mostra que mulheres com filhos menores de 13 anos e que têm matrimônio com homens são as que têm menos horas de lazer e de sono

 

Um estudo realizado por pesquisadoras da Universidade de Maryland e da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, mostra que mães casadas com homens gastam mais tempo fazendo trabalho doméstico em comparação com mães não casadas.

Publicada em 2018 no periódico científico Demografia, a pesquisa se baseia em dados de 2003 a 2012 da American Time Use Survey – um levantamento do governo americano que mede a quantidade de tempo gasta pela população em atividades variadas. Na análise do tempo das mães casadas, foram levadas em conta apenas uniões heterossexuais.

A amostra analisada é composta de 23.088 mães, com idade entre 18 e 54 anos, que possuem (e moram com) filhos de menos de 13 anos. Além das mães casadas, havia na amostra  outros três grupos: mães que nunca foram casadas, mães divorciadas e mães que moram junto com parceiros. 

Na comparação entre elas, as mães casadas são as que gastam a maior quantidade de tempo com trabalho doméstico (cerca de 3 horas, em média, por dia) e cuidando dos filhos (duas horas e cinco minutos). E, ao mesmo tempo, as que têm menor quantidade de tempo de lazer (3 horas e 24 minutos) e de sono (8 horas e 28 minutos).

Mães que nunca foram casadas foram as que gastaram a menor quantidade de seu tempo diário (cerca de 2 horas) realizando tarefas domésticas.

O objetivo das pesquisadoras foi testar a validade da tese da falta de tempo (“time poverty”, em inglês) das mães solo – as mães que são as únicas responsáveis pelos filhos. Segundo essa tese, elas teriam menos tempo disponível em relação a mulheres casadas. O conceito se refere à falta de tempo de um indivíduo para o lazer e o descanso, devido ao tempo tomado pelo trabalho, remunerado ou doméstico.

Os resultados do estudo apontam na direção oposta: mulheres casadas acabam tendo trabalho extra em relação às mães que não são casadas.

O que a diferença indica

Segundo as pesquisadoras, mães casadas têm maior tendência, em relação às que não são, a “performar gênero”. Ou seja, a realizar mais trabalho doméstico, em parte para atender expectativas relativas a “refeições caseiras, roupas limpas e casas bem arrumadas”, que se enquadram no “comportamento apropriado para esposas e mães”, disseram as autoras à revista americana Fortune.

Assim, a pesquisa indica que a presença do cônjuge não significa uma maior divisão de tarefas: ela na verdade faz com que mães casadas reproduzam, no contexto familiar, papéis que tradicionalmente simbolizam feminilidade e masculinidade.

Com base em dados disponíveis, segundo o estudo, não é possível concluir se casais que desejam uma divisão de trabalho de acordo com o gênero tomam a decisão de casar ou se é a instituição do matrimônio que restringe as opções – de maneira a forçar homens e mulheres a essa divisão, que destina o trabalho doméstico às mulheres.

Diferenças de idade, escolaridade e raça entre as mulheres mães também pode influir no uso de seu tempo segundo o estado civil.

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