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O projeto que quer democratizar a ciência da computação

‘Computação sem Caô’ explica conceitos de tecnologia em vídeos curtos, a partir de situações cotidianas

Não é difícil imaginar o choque geracional que acontece quando uma jovem estudante de ciência da computação tenta explicar para sua avó o que aprende na faculdade, falando de algoritmos e robôs.

“Comecei a pensar em formas interessantes de explicar para ela o que eu faço, de colocá-la no meu mundo a partir de referências dela”, disse ao Nexo a estudante da PUC-RJ Ana Carolina da Hora.

Surgiu assim, em 2018, o projeto Computação sem Caô, apresentado por da Hora e realizado pelo Olabi, uma organização criada em 2014 e baseada no Rio de Janeiro, que tem por objetivo democratizar a produção de tecnologias, e com apoio do Instituto Serrapilheira, instituição privada de apoio à ciência.

O alcance do projeto

O Computação sem Caô está no YouTube e no Instagram e consiste em uma série de vídeos curtos, destinados a pessoas comuns, leigas, de jovens a idosos. Os vídeos buscam tornar o conhecimento sobre tecnologia acessível para quem não está na universidade, não tem familiaridade com a computação e julga não ter facilidade para aprender o tema.

“Se o mundo está caminhando para ser cada vez mais tecnológico, pessoas que não entenderem como funciona esse tipo de coisa vão ficar à margem. Surge um novo tipo de marginalização, agora não mais só por classe social, mas por conhecimento tecnológico”, disse Ana Carolina da Hora ao Nexo.

Mais recente do que a conta no Instagram, o canal do YouTube terá um novo vídeo por semana. O primeiro publicado parte de uma conversa de Ana Carolina com a avó pelo Skype para explicar como imagem e som são decodificadas por um computador.

 

Para aqueles que queiram se aprofundar, o projeto também fornece indicações de outros materiais audiovisuais e de leitura sobre os temas. A cada dois vídeos publicados, será lançado também um texto como complemento na página do Olabi no Medium

‘Pensamento computacional’

O slogan do Computação sem Caô, “pensamento computacional para todos”, alude ao desenvolvimento de um raciocínio, uma maneira de resolver problemas que segue a lógica da computação e pode ser aplicada a diferentes áreas.

“Ao invés de ensinar o que é um algoritmo usando a forma tradicional, que seria escrever um algoritmo no computador, me preocupo com a construção desse pensamento, com o caminho, não com o resultado final”, disse da Hora ao Nexo.

O pensamento computacional não está preso a uma tecnologia. Pode ser desenvolvido fora de um computador e usado para resolver problemas do dia a dia. Não à toa, Ana Carolina faz uso de papel e caneta para explicar conceitos como o sistema binário.

 

O conceito foi criado pela cientista da computação e professora da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, Jeannette Wing.

Os próximos vídeos do projeto abordarão temas como o funcionamento dos algoritmos de localização, dos trens que andam sem condutor e da presença de mulheres no campo da computação.

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