O que é o open banking, que o Banco Central quer implementar

Conceito de sistema financeiro aberto pode estimular competição ao dar maior liberdade de escolha ao cliente

 

O Banco Central, entidade responsável por fazer a regulação e fiscalização do mercado bancário no Brasil, publicou na quarta-feira (24) um documento que pode mudar o setor. Em um comunicado de 14 pontos, a Diretoria de Regulação da instituição traçou as diretrizes para a implantação no país do "open banking", traduzido como "sistema financeiro aberto".

O documento traça um plano para a implementação do sistema e prevê que ele estará em funcionamento no segundo semestre de 2020. Com a medida, o Banco Central diz esperar aumentar a eficiência do sistema bancário no Brasil, reduzindo taxas e aumentando a competição.

Como pode funcionar

Open banking não é uma instituição, é um conceito. A regra básica é: os dados bancários não pertencem aos bancos, mas sim aos clientes, que podem utilizá-los como acharem melhor. É uma nova maneira de relacionamento entre cliente e bancos, no plural.

A partir do momento em que o cliente autoriza, há o compartilhamento de informações entre os bancos e outras instituições financeiras. Isso abre espaço para uma série de novas  possibilidades. No open banking, o cliente não está preso a uma instituição, pode escolher com mais facilidade o que quer fazer com seu dinheiro.

Atualmente, um cliente que tem conta em um banco, cartão em outro e poupança em um terceiro tem três aplicativos que não conversam entre si. Com o open banking, ele pode ter apenas um que fará o gerenciamento dos três, já que as informações deixam de ser exclusividade dos bancos originais.

“Open Banking, na ótica do Banco Central do Brasil, é considerado o compartilhamento de dados, produtos e serviços pelas instituições financeiras e demais instituições autorizadas, a critério de seus clientes, em se tratando de dados a eles relacionados, por meio de abertura e integração de plataformas e infraestruturas de sistemas de informação, de forma segura, ágil e conveniente”

Trecho do comunicado

O open banking aumenta as possibilidades para os bancos e abre espaço para a criação de novas empresas e alternativas. Passam a ser mais necessários, por exemplo, aplicativos que centralizem produtos e serviços dos mais diversos bancos. Ou que ofereçam produtos personalizados de acordo com o que as informações compartilhadas dizem que o cliente mais precisa.

Quando as informações passarem a circular livremente, o cliente vai poder, a partir de um único aplicativo, escolher onde quer investir seu dinheiro. E ele poderá fazer isso nos bancos que oferecerem as melhores taxas de retorno. Quem precisa de crédito, vai poder ver produtos de vários bancos e buscar juros menores. A livre circulação das informações vai, em tese, estimular a competição.

Aplicativos podem ser desenvolvidos especialmente de acordo com o perfil do cliente. Podem haver plataformas para quem economiza e procura investimentos em diferentes bancos. Ou para quem está endividado e quer renegociar as pendências com juros baixos.

Isso incentivaria os próprios bancos tradicionais a abrirem seus aplicativos para serviços de outras instituições. Se eles não fizerem, outras empresas farão.

O que já existe no Brasil

Mesmo sem regulamentação, o conceito já existe de maneira incipiente no Brasil. O aplicativo Guia Bolso, por exemplo, acessa dados de contas cadastradas pelo cliente e exibe balanços unificados.

A diferença atualmente é que a empresa não recebe os extratos diretamente dos bancos, o próprio cliente é quem digita as informações da conta final e dá a autorização ao Guia Bolso para ler as informações. O modelo de ler os extratos dos clientes gerou inclusive uma batalha judicial com o Bradesco, que se recusava a oferecer acesso aos dados dos clientes, mesmo que eles próprios já tivessem autorizado.

O Banco do Brasil também já começou um processo de abertura, autorizando o acesso aos dados bancários por aplicativos de gerenciamento financeiro, individual e empresarial, e programas de fidelidade. Há uma plataforma que compara taxas de empréstimo consignado para aposentados, outra que oferece acesso a diferentes tipos de previdência privada.

Em um primeiro momento, após a implantação, os principais bancos serão obrigados a aderir ao conceito. Instituições financeiras de menor porte poderão optar, sob pena de se tornarem menos atrativas e perderem clientes se não quiserem participar do sistema aberto.

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