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Como está a participação nacional no PIB mundial

FMI calcula o peso de cada país na produção levando em conta também o poder de compra de cada moeda. Brasil tem perdido participação

 

Tudo que a economia brasileira produziu em 2018 representou apenas 2,49% do que a economia global foi capaz de produzir em bens e serviços durante o ano. A parcela que cabe ao Brasil no último ano foi a menor da série histórica do Fundo Monetário Internacional, que começa em 1980.

Para calcular o peso de cada nação, continente ou bloco na economia mundial, o FMI utiliza uma metodologia própria. O valor do PIB de cada país é convertido em dólares, moeda mais forte do planeta, mas também é ajustado de acordo com o poder de compra das moedas locais.

Ou seja, o valor da taxa de câmbio não é a única variável que importa, vale também a quantidade de bens que é possível comprar com aquela quantidade de moeda local. O ajuste é chamado de "paridade de poder de compra". A metodologia é usada também por outros organismos internacionais como o Banco Mundial e a OCDE. Depois de o PIB de todos os países passarem pela metodologia, o FMI chega a um valor global e aí pode aferir a participação de cada um.

O Brasil, além de ter atingido o ponto mais baixo de sua participação na série histórica, tem visto ela ser reduzida desde 2011. Com 2,49% da economia mundial, o país reúne, segundo dados do Banco Mundial, 2,77% da população do planeta.

Isso não significa necessariamente que a economia brasileira está diminuindo - o que aconteceu efetivamente em 2015 e 2016 - apenas que a parcela da economia mundial produzida no país está menor. Em outras palavras, significa que o mundo em média cresce mais que o Brasil há oito anos.

E a projeção do FMI para os próximos seis anos é ruim para o país. A participação pode continuar diminuindo até 2024. Se isso se confirmar, o Brasil pode completar 14 anos encolhendo em relação à média do mundo.

Participação do Brasil

 

 

A perda de participação durante as últimas quase quatro décadas pode ser, em parte, explicada, pela descentralização da economia mundial. Em 1980, as cinco principais participações na economia Mundial eram de Estados Unidos, Japão, Alemanha, Itália e Brasil. Todos perderam espaço.

Essa descentralização acontece também pelo crescimento expressivo de economias como China, Índia e Indonésia, por exemplo, ao longo das últimas décadas.

Perda

 

Ranking

A crise econômica recente, porém, fez o Brasil cair uma posição no ranking de países que mais tem peso na economia global. Depois de ocupar o sétimo lugar por treze anos, o Brasil caiu para oitavo depois de ser ultrapassado em 2018 pela Indonésia. 

Este é um exemplo de como a metodologia atua no ranking. Convertendo apenas pela taxa de câmbio os PIBs de Brasil e Indonésia para o dólar, o valor brasileiro é maior: US$ 1,96 trilhão contra US$ 1,1 trilhão. O ajuste, que leva em conta a quantidade de bens que se compra com o dinheiro, mostra que a moeda indonésia tem um poder de compra maior que a brasileira. Uma disparidade que não é mostrada na simples conversão para o dólar.

Posição do Brasil no ranking mundial de PIB

 

Os dez primeiros

 

Disputa Estados Unidos x China

As duas maiores economias do mundo atualmente travam disputas comerciais, políticas e econômicas. Medindo somente em moeda, o PIB americano é maior que o chinês - US$ 21 trilhões contra US$ 14 trilhões. Mas pela metodologia do FMI, a China já é a economia mais importante do mundo.

A taxa de câmbio no país asiático é fortemente controlada pelo governo e é mantida propositalmente desvalorizada em relação ao dólar. Isso faz com que a China seja um exportador extremamente competitivo. A metodologia de paridade do poder de compra atenua essa diferença que existe na taxa oficial de câmbio.

Por ambas as metodologias, no entanto, é rápido o avanço da economia chinesa nas últimas décadas. Os chineses ultrapassaram o Brasil só em 1988. Hoje, já representam 18,7% da economia mundial, mais de sete vezes o peso da brasileira.

A China reúne cerca de 18,4% da população mundial. Os Estados Unidos têm 4,31% das pessoas do planeta.

As duas maiores

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