O que é o monumento Stonehenge. E quem o construiu

Estudo publicado na revista Nature Ecology & Evolution dá novas pistas sobre os povos que ergueram o enigmático círculo de pedras

 

Por volta de 6000 a.C., agricultores primitivos migraram da península anatoliana  (a Anatólia, na Ásia menor, onde atualmente está a Turquia) e se espalharam pela Europa.

Um grupo de agricultores cruzou o mar Mediterrâneo para procurar novas terras, firmou-se na península Ibérica (atual território de Portugal e Espanha) e depois se aventurou ao norte, passando pela França e, finalmente, desembarcando nas ilhas da Grã-Bretanha por volta de 4000 a.C.

A saga foi narrada a partir de uma análise genética feita por um grupo de cientistas britânicos. A descoberta foi publicada na revista científica Nature Ecology & Evolution nesta segunda-feira (15).

Vinculados a instituições como a University College London, os autores analisaram o DNA encontrado nos ancestrais dos britânicos do período neolítico (de 8000 a.C. até 5000 a.C.), e descobriram semelhanças genéticas com os povos pré-históricos que ocuparam a península Ibérica.

Antes deles, a Europa era lugar de passagem, habitada por grupos nômades que viviam da caça e da coleta de plantas silvestres. Após a chegada dos novos migrantes, foi introduzida a agricultura no atual continente europeu. Segundo o estudo, os agricultores do neolítico também teriam introduzido a tradição de construir monumentos usando pedras - entre eles, Stonehenge, no condado de Wiltshire, no interior da Inglaterra

O que é Stonehenge

A cerca de 130 quilômetros de Londres, Stonehenge é um monumento composto por círculos concêntricos de pedras de até 5 metros de altura e 50 toneladas cada uma.

A construção foi feita em três fases, com aproximadamente 2.000 anos de distância entre elas, segundo a tese corrente de especialistas. 

Na primeira fase (por volta de 3100 a.C.), foi feito um fosso circular de 98 metros de diâmetro, o que delimita as bordas da obra. Na segunda fase (de 2.100 a.C.) foi construída uma trilha de 3 quilômetros para o monumento, batizada de “avenida” por pesquisadores.

Na terceira fase (de 2000 a.C.), foram erguidos os “trilithons”, os altos pilares de rocha que sustentam vigas de pedras. Originalmente eram cinco; hoje restam dois intactos. Também havia 30 pilares sustentando uma sequência de vigas e, dentro desse anel, “trilithons” menores.

As pedras vieram de regiões de até 400 quilômetros de distância. Algumas eram amarradas em barcos rústicos; outras eram transportadas por trenós feitos de troncos. Os construtores cavaram buracos fundos para encaixar os pilares, com apoio de alavancas, cordas e toras de madeira.

Por que foi construído

Ainda atualmente é difícil definir a finalidade de Stonehenge, devido à distância temporal e à falta de registros escritos. Entretanto, escavações arqueológicas e estudos indicam possíveis funções para o local: um observatório astronômico, um templo religioso, um ponto de encontro de druidas (antigos filósofos do povo celta, que habitava a Grã-Bretanha), um centro de cura para peregrinos, entre outros.

Uma das expedições científicas mais recentes sinalizou que o espaço poderia ter sido idealizado como cemitério. Em 2008, pesquisadores do projeto Stonehenge Riverside (iniciado em 2003 e financiado por universidades britânicas, como a College London) analisaram os materiais de escavações feitas na década de 1950 e concluíram que o local era um cemitério. Os corpos eram queimados e depois sepultados.

Em 2013, pesquisadores avançaram nas definições desse cemitério, indicando que seria um local destinado especialmente à elite da época. Arqueólogos estudaram os restos cremados de 63 indivíduos, enterrados ali por volta de 3000 a.C.

Stonehenge é conhecido ao menos desde o século 13 e se tornou objeto de investigação científica e curiosidade ao longo da história. Tombado como patrimônio mundial pela Unesco, o sítio também despertou discussões sobre sua preservação, pois pedras que caíram com o tempo foram reerguidas, o que pode ter interferido nas formações originais.

No jornal britânico The Guardian, a escritora inglesa Charlotte Higgins descreveu disputas como “a batalha pelo futuro” de Stonehenge. Segundo Higgins, mais do que simbolizar solidez e patrimônio pré-histórico, o monumento britânico continua a despertar teses enigmáticas e controvérsias de diversos setores da sociedade. 

É possível conferir uma visão de 360 graus do monumento no site britânico English Heritage.

 

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